Moradores contabilizam estragos por causa da chuva no Rio

Previsão é de mais chuva, de moderada a forte, para esta terça-feira em todo o estado

Por Anderson Justino e Maria Luisa Melo

Chuva destrói bairro em Realengo ,na foto. .Foto: Cleber Mendes/Agência O Dia
Chuva destrói bairro em Realengo ,na foto. .Foto: Cleber Mendes/Agência O Dia -

Mais de 48h após o Estado do Rio viver os efeitos das fortes chuvas, que provocaram pelo menos quatro mortes, a população contabiliza prejuízos. Ontem, familiares de vítimas fatais estiveram em Institutos Médico-Legais (IMLs) para a liberação dos corpos. Nas ruas das zonas Oeste, Norte e na Baixada Fluminense, o cenário é de completa destruição, como em Magé, Belford Roxo, Caxias, Guapimirim, Seropédica, Itaguaí, Mesquita, Rio Bonito e Queimados. Nesta última cidade, uma das mais atingidas, um jovem de 21 anos está desaparecido. Marcelo Oliveira teria sido arrastado por um rio.

Em Mesquita, mais de 4 mil pessoas foram atendidas pela Defesa Civil municipal. Outras localidades sequer conseguiram, ainda, consolidar seus números.

Na cidade do Rio, ao menos 200 pessoas foram afetadas - entre desabrigados, desalojados e os que tiveram suas casas alagadas e bens destruídos.

A previsão do tempo para hoje é de chuva moderada a forte em períodos curtos, segundo o Sistema Alerta Rio.

Drama das famílias

Na porta dos IMLs, o relato dos familiares de mortos traduz o drama nas regiões mais pobres. Irmão de Welington Batista, de 40 anos, afogado na enchente que atingiu Acari, na Zona Norte, o porteiro Adolfo Batista conta que Welington morreu ao tentar salvar mãe e duas crianças: "Mas pisou em um bueiro sem tampa".

Em Realengo, um dos bairros da Zona Oeste mais atingidos, a doméstica Cristiane Conceição arregaça as mangas. "Apesar de todo o estrago, temos que ser gratos pela vida", disse.

 

Cuidadora perde Joy, seu companheiro labrador

Além das mortes e da perda dos pertences, a população sofre também com a perda de seus animais de estimação. Moradora de Realengo, a cuidadora de idosos Roseny de Oliveira deu adeus ao seu companheiro de 11 anos, o labrador Joy, que morreu afogado em casa enquanto ela trabalhava.

Emocionada, ela relembra que não conseguiu salvar a vida de seu melhor amigo, que a ajudou a vencer a depressão. "Ele me salvou várias vezes, era minha companhia. Infelizmente, não pude fazer o mesmo por ele. Nenhuma perda chega perto da morte do Joy. Não era apenas um cachorro, era minha vida".

Escolas fechadas

Nove colégios estaduais permanecerão fechados hoje. São as unidades Caetano de Oliveira, Montebello Bondin, João Paulo II e Hermínia de Mattos, em Mangaratibam; Ciep 343, em Lage do Muriaé; Poeta Mário Quintana, em Mesquita; Almirante Álvaro Alberto, em Paraty; Carlos Arnoldo Ambruzinni, em Sepetiba; e Agostinho de Araújo, em São Francisco do Itabapoana.

Crivella visita Realengo e é hostilizado

O prefeito Marcelo Crivella foi alvo de protesto de moradores do bairro do Barata, em Realengo, na manhã de ontem. Populares chegaram a arremessar uma bola de lama, que atingiu a cabeça do prefeito, quando ele se preparava para dar uma entrevista para a imprensa. Desde o início da visita, o prefeito ouviu reclamações de moradores, mas os ânimos se acirraram após ele afirmar que grande parte da população é a culpada pelos estragos nas enchentes.

"A culpa é de grande parte da população, que joga lixo nos rios frequentemente", afirmou Crivella. "Temos excesso de lixo nos rios, bueiros e encostas, e quando vem a chuva, tudo desce". Questionado sobre obras irregulares em encostas, o prefeito minimizou o problema e insistiu no excesso de lixo. "Temos que agir preventivamente para não jogar lixo nas encostas. Se não jogarem lixo em bueiro e beira dos rios, melhora", afirmou Crivella.

Em nota, a prefeitura disse que, só em 2019, foram investidos R$ 80 milhões em obras preventivas em mais de 100 pontos da cidade.

 

'Vimos a morte muito de perto', diz homem que ficou soterrado em desabamento

Flávio quebrou o braço direito e Maria Lúcia teve apenas arranhões - WhatsApp O DIA (21-98762-8248)
Trabalho dos bombeiros durou cerca de três horas - WhatsApp O DIA (21-98762-8248)
A casa fica no Parque do Imperador, em Magé - WhatsApp O DIA (21-98762-8248)
Operador de máquinas ficou soterrado por cerca de três horas - WhatsApp O DIA (21-98762-8248)
A casa fica no Parque do Imperador, em Magé - WhatsApp O DIA (21-98762-8248)
A casa fica no Parque do Imperador, em Magé - WhatsApp O DIA (21-98762-8248)
Trabalho dos bombeiros durou cerca de três horas - WhatsApp O DIA (21-98762-8248)
A casa fica no Parque do Imperador, em Magé - WhatsApp O DIA (21-98762-8248)
Trabalho dos bombeiros durou cerca de três horas - WhatsApp O DIA (21-98762-8248)
Trabalho dos bombeiros durou cerca de três horas - WhatsApp O DIA (21-98762-8248)
Maria no momento do resgate - WhatsApp O DIA (21-98762-8248)
Balconista ficou soterrada por cerca de três horas - WhatsApp O DIA (21-98762-8248)
Flávio foi levado com a esposa para o Hospital de Saracuruna - WhatsApp O DIA (21-98762-8248)
Maria Lúcia foi levada com o marido para o Hospital de Saracurunba - WhatsApp O DIA (21-98762-8248)
Trabalho dos bombeiros durou cerca de três horas - WhatsApp O DIA (21-98762-8248)
Rio - Após ficarem soterrados por cerca de três horas, o operador de máquinas Flávio Araújo Pereira, de 27 anos, e a esposa, Maria Lúcia Ramos Mendes, 22, estão comemorando terem sobrevivido do que poderia ter sido uma tragédia. Os dois foram socorridos com vida do desabamento da casa deles, na madrugada deste domingo, por causa da forte chuva que caiu em Magé, na Baixada Fluminense.
Flávio conta que ele e a esposa ficaram cobertos da cintura para baixo nos escombros da residência do casal. Após ser levado ao Hospital Estadual Alberto Torres (Saracuruna), em Duque de Caxias, e ter recebido alta ainda ontem, ele vê como positivo o saldo de ter ficado com o braço direito quebrado e a mulher apenas com arranhões.
"Vimos a morte muito de perto", Flávio resume o que viu debaixo dos escombros do imóvel que fica na localidade conhecida como Parque Imperador, próximo ao Rio Roncador. "A lama cobriu a gente da cintura para baixo. Em cima das nossas cabeças ficaram as lajes, os escombros, os tijolos".
O operador de máquinas conta que ele e a esposa estavam dormindo quando a caxa veio abaixo. Eles gritaram por socorro e os vizinhos retiraram alguns escombros que cobriam o rosto deles. Naquela situação, enquanto aguardava o fim dos trabalhos dos bombeiros, ele ainda teve forças para animar a esposa.
"Eu falava para ela falava para ela ficar calma, que Deus iria nos tirar daquela situação e Ele tirou. Só posso agradecer a Ele, porque se não fosse Ele, não estaríamos aqui", afirma Flávio, que é muito religioso.

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Trabalho dos bombeiros durou cerca de três horas WhatsApp O DIA (21-98762-8248)
A casa fica no Parque do Imperador, em Magé WhatsApp O DIA (21-98762-8248)
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Flávio foi levado com a esposa para o Hospital de Saracuruna WhatsApp O DIA (21-98762-8248)
Maria Lúcia foi levada com o marido para o Hospital de Saracurunba WhatsApp O DIA (21-98762-8248)
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A casa do operador e da mulher foi totalmente destruída. Debaixo dos escombros ficaram documentos e o que eles juntaram nos quase dois anos de casamento. Perguntado sobre por onde recomeçar, ele lamentou dizendo "não sei nem por onde".
"Lutamos para conquistar as nossas coisas e perdemos tudo. Mas tenho certeza que Deus vai dar a vitoria", afirma.
Assim que deixou o Hospital de Saracuruna, Flávio mandou um recado emocionado para tranquilizar os amigos e os familiares; assista:

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