Jovem estuprada ainda é demitida

Família alega que a CSN, em cuja usina teria ocorrido o crime, não prestou assistência à vítima

Por Bernardo Costa

CSN: o desligamento deixou vítima sem um plano de sáude
CSN: o desligamento deixou vítima sem um plano de sáude -

Vítima de estupro no ambiente de trabalho, em Volta Redonda, Região Sul Fluminense, uma jovem de 21 anos foi desligada da empresa ao voltar de licença, na última segunda-feira. O caso aconteceu na Usina Presidente Vargas, da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), onde o acusado, superior hierárquico da vítima na empresa, foi preso em flagrante no dia do crime.

Segundo a CSN, a vítima foi desligada da companhia porque seu contrato como jovem aprendiz, que era temporário, chegou ao fim. A família da jovem, por sua vez, diz que sem o plano de saúde da empresa não conseguirá arcar com os custos do acompanhamento médico que ela vem fazendo.

"Ela está sendo tratada por psicólogo e psiquiatra. Sem o benefício, a família não terá condições de dar prosseguimento ao tratamento, que é caro. Mas ela ainda precisa muito", diz uma amiga, que pediu para não ser identificada.

O crime aconteceu no dia 24 de outubro de 2019. Segundo a Polícia Civil, a vítima procurou a Deam de Volta Redonda naquela tarde relatando ter sido estuprada por seu superior dentro de um galpão da usina. Os policiais compareceram ao local, recolheram provas e prenderam o acusado.

Desde então, a vítima estava afastada do trabalho. Segundo a amiga, ela está traumatizada e sente medo de sofrer represálias após a prisão do superior hierárquico: "Já foram feitas ameaças em telefonemas anônimos. Isso aterroriza todo mundo, parentes e amigos".

A amiga conta que o acusado vinha assediando a jovem nas dependências da empresa antes de cometer o crime. "Na frente de todo mundo ele dizia coisas do tipo: 'Então, hoje nós vamos sair' ou 'Quanto mais você diz não, mais eu fico louco'. Como ele era o superior, todos tinham medo de denunciar e perder o emprego", disse a amiga.

Segundo a Polícia Civil, o local do crime é um galpão que funciona como almoxarifado, e fica vazio. O registro informa que a vítima foi levada pelo supervisor hierárquico até o espaço, onde houve a relação sexual não consentida. A vítima foi encaminhada para exame de corpo de delito que, segundo a polícia, comprovou as lesões sofridas.

Segundo a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), o acusado, de 38 anos, continua preso. Já a CSN disse que o contrato da jovem terminou em novembro. E que, após o término do afastamento determinado pelo INSS, em 28 de fevereiro, ela foi comunicada sobre o término do contrato. A empresa, porém, não respondeu se irá prestar assistência à vítima.

 

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