'Rio está sendo monitorado', diz Crivella sobre coronavírus

Prefeito afirma que há R$ 200 milhões para serem aplicados no sistema de saúde, incluindo a abertura de 372 leitos

Por Luana Dandara

Entrevista com o prefeito do Rio, Marcelo Crivella
Entrevista com o prefeito do Rio, Marcelo Crivella -

Com 89 casos do novo coronavírus (causador da Covid-19) na capital fluminense, a Prefeitura do Rio montou uma força-tarefa para tentar reduzir a proliferação do vírus. O prefeito Marcelo Crivella destinou R$ 200 milhões para, entre outros objetivos, abrir 372 leitos. Ele alerta que o BRT pode parar também durante a semana. Ele pede, ainda, que o governador Wilson Witzel reveja a restrição do transporte público da Baixada.

O DIA: O município está preparado para um surto do novo coronavírus?

CRIVELLA: Estamos nos preparando. A gente não tem uma noção ainda de quão grande será esse surto. O que está pronto hoje são 40 leitos no Hospital de Acari, que em um prazo próximo de 20 dias se transformarão em 372 leitos. Também estamos bem avançados no hospital de campanha no Riocentro, com 500 leitos que vão desocupar a rede dos nosso sete hospitais. No total, serão 872 vagas.

Esse número é suficiente para atender pacientes com coronavírus?

Esperamos que sim. Também temos um outro terreno, ao lado do Hospital Pedro II, que se for preciso podemos fazer um outro hospital de campanha para infectados com o coronavírus.

Em quanto tempo o hospital de campanha do Riocentro fica pronto?

O equipamento já foi dimensionado, os locais marcados, mas a gente começa quando a rede atingir 70% da ocupação de leitos. E aí fica pronto em 20 dias.

Qual a avaliação atual do número de casos do coronavírus, está abaixo do previsto?

A nossa crise começou em 7 de março, com duas pessoas com coronavírus. A literatura internacional diz que a cada 7,2 dias o número de casos multiplica por 10. E aconteceu. Do dia 7 para o dia 14, saltou para 22 casos. Nós esperávamos que, do dia 14 para o dia 21, pudéssemos chegar a 200 casos na rede. Mas não aconteceu. No momento, temos sete pessoas internadas e entubadas no Hospital de Acari. Eu sei que vão ter pessoas que vão dizer que nós não estamos fazendo testes em todo mundo. Mas nós temos uma amostra do que chegou ao hospital, essa curva estamos monitorando. 

A testagem será ampliada?

O Ministério da Saúde e a Anvisa estão testando diversos procedimentos, mas ainda não temos previsão. Eu peço que se o paciente tiver apenas sintomas de gripe, sem dificuldade para respirar e febre alta, considere que tenha a Covid-19. Porque assim trabalhamos a favor da segurança. Essa pessoa ficará 14 dias em casa, vai se resguardar e resguardar a população.

Caso o BRT continue com lotação durante a semana, o que será feito?

Aí não vai funcionar. Ônibus lotado a gente não pode deixar circular. Isso traz um grau de risco muito grande.

Por quanto tempo devem ocorrer transmissões do coronavírus?

Na China, durou cerca de três meses. Mas em outros países menos tempo. A expectativa é que o Brasil, com as medidas tomadas, seja um modelo exemplar e que a doença não se alastre. Que dure 40 dias, no máximo.

Como o senhor avalia as medidas anunciadas pelo governo estadual que impactam diretamente a capital?

Proteger a capital eu vejo com bons olhos. Agora, o transporte da Baixada Fluminense para cá, eu preferia que pudesse ser sem tumultuar. Só sentados. Porque o que me preocupa é que tenho enfermeiros, técnicos, médicos, garis e guardas municipais que moram lá. E não é pouca gente. Eles virão todos de trem e vai causar superlotação. Eu pedi ao Witzel para analisar, mas ele ainda não me respondeu. 

Quais outras medidas a prefeitura deve tomar nessa crise?

Estou pretendendo abrir, na semana que vem, os restaurantes populares à noite, servir também o jantar para a população que tem dificuldade para sobreviver, como taxistas, os ambulantes, essas pessoas me preocupam. Estudo também a possibilidade da prescrição médica por Whatsapp. Isso evita que idosos saiam de casa. Não é um remédio que o médico vai receitar sem conhecer a pessoa, já é um paciente dele. 

A prefeitura analisa ações para desempregados?  

Queremos fazer um estoque de cestas básicas para atender os trabalhadores cuja atividade econômica for comprometida na crise do coronavírus.

 

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