aglomeração nos transportes

Primeiro dia útil das restrições de acesso ao Rio para combater a proliferação do coronavírus, passageiros sofrem para embarcar nos trens, metrô e barcas

Por Anderson Justino

Na estação de trem de Nova Iguaçu, filas se formaram desde a madrugada e passageiros reclamaram da demora
Na estação de trem de Nova Iguaçu, filas se formaram desde a madrugada e passageiros reclamaram da demora -

'Eu nunca vi uma coisa assim em 56 anos de vida. Jamais imaginei um dia vivenciar uma situação igual. Parece filme, mas é real". O desabafo é do pedreiro José Marcos dos Santos, morador de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, que sofreu para chegar ao trabalho no município do Rio. Ontem foi o primeiro dia útil em que passageiros dos trens, metrô e barcas precisaram passar por por barreiras da Polícia Militar para conseguir chegar ao município, devido às medidas emergenciais tomadas pelo governo estadual para conter a propagação do coronavírus. Houve aglomeração e filas quilométricas nas estações.

Logo pela manhã, por volta das 4h30, passageiros da SuperVia que saíam de Nova Iguaçu encontraram bloqueio feito por PMs na principal estação da cidade. Gerente de uma padaria na Barra da Tijuca, Valdo Campos, morador do bairro Vila Operária, precisou ligar para a patroa e pedir para que ela abrisse o estabelecimento comercial para atender a clientela. "A fila está enorme. Não teria como chegar no horário. Tive que pedir socorro para abrir a padaria", reclamou.

No Metrô, filas enormes também foram registradas na Pavuna, estação final da Linha 2. Ela dobrava dois quarteirões e as pessoas reclamavam que já estavam há mais de uma hora no local. "Está uma fila enorme na Pavuna pra poder embarcar no metrô", disse uma passageira nas redes sociais. "Enfrentei uma fila quilométrica para pegar o metrô, fiquei tão assustada que estou com dor de cabeça", disse uma passageira, que preferiu não se identificar.

Filas enormes também se formaram na estação Araribóia, em Niterói. Quem embarcou para a Praça XV precisou exercitar a paciência. Apesar das reclamações, a CCR-Barcas, concessionária que administra o transporte aquaviário, informou que seguiu as determinações impostas pelo governador. Em nota a CCR-Barcas ressaltou que não houve superlotação nas embarcações e que disponibilizou todos os assentos aos passageiros, mas muitos optaram por seguir o trajeto em pé. A mudança também afetou os horários de embargues nas estações Araribóia e Paquetá.

Nas rodovias que dão acesso ao Rio, motoristas também encontraram dificuldades. Em nota a Polícia Militar informou que montou 27 bloqueios em diferentes pontos da cidade. Só conseguiram entrar na cidade pessoas que trabalham em setores considerados essenciais.

Redução no numero de passageiros

Com as restrições de mobilidade de acesso à cidade do Rio e da suspensão de diversos serviços, foram registradas quedas no número de pessoas transportadas nos trens, barcas e metrô. De acordo com o MetrôRio, até 17h de ontem, houve redução de 82% no fluxo de passageiros, em relação a uma segunda-feira regular.

Nos trens, até o início da tarde, a SuperVia havia registrado uma redução de quase 136 mil passageiros. Equivalente a uma queda 66,4% para uma segunda-feira normal.

O BRT informou que até 18h de ontem houve queda de 65% em comparação à média de passageiros transportados em dias anteriores às medidas implementadas para conter o avanço do novo coronavírus.

Já o Rio Ônibus garantiu que os dados de ontem ainda estavam sendo apurados, mas as consorciadas esperam queda acentuada na demanda. A CCR Barcas não informou a redução do número de passageiros.

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