Taxistas e ambulantes devem receber ajuda por conta da crise do coronavírus

Prefeitura do Rio estuda dar cestas básicas durante combate à epidemia

Por Gabriel Sobreira

Fila de taxistas no Carioca Shopping: clientes sumiram e crise bate fundo
Fila de taxistas no Carioca Shopping: clientes sumiram e crise bate fundo -

Rio - A Prefeitura do Rio estuda conceder cestas básicas para motoristas de táxis e ambulantes. A medida visa diminuir os impactos econômicos da quarentena do coronavírus. Ontem, a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) autorizou taxistas a fixarem aviso sobre a concessão de desconto de 40% nas viagens para os idosos que forem se vacinar contra a gripe. Segundo a pasta, o benefício é opcional. Ontem, para diminuir o avanço do coronavírus, o BRT Rio anunciou que 28 estações dos três corredores (Transoeste, Transcarioca e Transolímpica) ficarão fechadas por tempo indeterminado.

"Sabemos que taxistas e os ambulantes são profissionais que estão tendo menos renda com as restrições de circulação de pessoas e essa seria uma forma de compensá-los no atual momento", destacou o secretário de Ordem Pública, Gutemberg Fonseca.

De acordo com o BRT, com a orientação de somente trabalhadores de serviços essenciais saírem de casa, houve queda no número de passageiros do BRT Rio. "Comparando a segunda-feira desta semana, dia 23, com as das semanas anteriores às medidas tomadas para conter a pandemia, foi registrada uma redução de 65% no número de passageiros transportados nos três corredores", afirmou, em nota a concessionária.

Ainda segundo o BRT, a medida vai servir para tentar otimizar o planejamento operacional do consócio e, assim, buscar "aprimorar as ações de fiscalização que estão sendo desenvolvidas pelo poder público para melhor organizar o controle de usuários nos articulados", informou o BRT.

 

BRT fecha estações

Para diminuir o avanço do novo coronavírus, o consórcio das linhas do BRT Rio vão deixar de funcionar de madrugada a partir de hoje (quarta-feira). O serviço será interrompido à meia-noite e só voltar a funcionar às 4h. Além disso, 28 estações nos três corredores (Transoeste, Transcarioca e Transolímpica) ficarão fechadas por tempo indeterminado.
Como a orientação do poder público neste momento é que somente trabalhadores de serviços essenciais saiam de casa e utilizem o transporte público, houve uma queda no número de passageiros do BRT Rio. “Comparando a segunda-feira desta semana, dia 23, com as das semanas anteriores às medidas tomadas para conter a pandemia, foi registrada uma redução de 65% no número de passageiros transportados nos três corredores”, afirma a assessoria da concessionária em nota.
Também de acordo com o BRT Rio, a demanda de passageiros nos três corredores já é muito reduzida nas madrugadas, e a queda no número de passageiros só se acentuou com as novas restrições de combate ao novo coronavírus.
“A medida servirá para otimizar o planejamento operacional e aprimorar as ações de fiscalização que estão sendo desenvolvidas pelo poder público para melhor organizar o controle de usuários nos articulados”, encerra o texto.

Queda de passageiros

Devido à pandemia da Covid-19, a cidade está praticamente vazia e com isso, o reflexo nos meios de transporte é imediato. Durante todo o dia de segunda-feira, por exemplo, a SuperVia, registrou uma queda de mais de 428 mil passageiros. Segundo ela, isso representa uma queda de 70,8% em comparação a uma segunda-feira comum.Também anteontem, a CCR Barcas registrou uma redução de cerca de 75% na demanda em relação à média de segundas-feiras. Até às 10h de ontem(terça-feira), a redução foi de 66% em relação à média de terças-feiras.
Nos ônibus da capital, o movimento não foi nada diferente.”Hoje (terça-feira), ao final do dia, provavelmente, teremos uma queda de 80% de passageiros transportados”, avalia Claudio Callak, presidente da Rio Ônibus. O setor, entre 2014 e 2019, teve 14 empresas fechadas.
"Estamos sentindo muito, o número de passageiros caiu muito”, observa Marco Luiz, motorista da linha 483, que liga Penha, na Zona Norte, ao bairro de Ipanema, na Zona Sul. A gente vai entrar em colapso, ainda que acidade queira ressurgir depois disso, não vai ter mobilidade urbana. Cada vez que alguma autoridade publica, não importa em que nível, toma uma medida, de restrição de circulação, em que nesse momento em termos de saúde pública está perfeito. Ela tem que vir acompanhada de uma sugestão ou solução econômica não só para as empresas de ônibus, não, mas todo o comércio senão será uma recessão incomparável”, destaca Callak.
Tentando minimizar os possíveis efeitos da crise e pensando na saúde dos motoristas e cobradores, o presidente do Sindicato dos Rodoviários do Rio de Janeiro, Sebastião José, firmou acordo com o Sindicato das Empresas de Ônibus. A missão é assegurar o emprego de todos os trabalhadores e também resguardá-los de uma possível contaminação.
Segundo Sebastião, o acordo determina que os profissionais da categoria ficarão dispensados do trabalho no máximo de dez dias por mês em sistema de rodízio, e que esses dias não serão pagos pelas empresas; porém eles continuarão recebendo a cesta básica, vale alimentação e o auxílio transporte previstos em lei durante os 30 dias do mês, sem nenhum desconto.
“É importante ressaltar que as 32 empresas localizadas aqui do município se comprometeram em não haver nenhum tipo de demissão enquanto a epidemia perdurar, isso somente ocorrerá no caso de falta grave por parte do empregado. Vale ressaltar que esse acordo tem um prazo de 120 dias, o que traz um pouco mais de tranquilidade para uma categoria que lida diretamente com um enorme número de usuários diariamente”, defende José.
Para Callak, presidente do Rio Ônibus, o primeiro compromisso é com a saúde pública. “A gente saiu, mais uma vez dentro da linha de responsabilidade social, na frente. Antes do governo federal fazer qualquer coisa, saímos em socorro a todos os rodoviários e celebramos um aditivo ao contrato de trabalho de todos. Estamos pagando dois terços do salário, e ele precisando cumprir dois terços da carga horária. A gente mantém todo mundo empregado por mais tempo, independente de qualquer medida que o governo federal venha tomar”, reforça. Ainda segundo Callak, é obrigação das empresas tomar tais medidas. “Nossos rodoviários são tão heróis quanto qualquer agente de saúde que está na cidade. Está transportando a população independente de qualquer avaliação clínica”, defende ele.

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