Projeto mira combate à desigualdade menstrual e distribui mais de 10 mil absorventes no Rio

Iniciativa promove a conscientização sobre a desigualdade menstrual, que faz com que meninas carentes percam até 45 dias de aula por ano

Por Maria Clara Matturo*

Juntos, eles arrecadam e distribuem absorventes para meninas que não tem acesso
Juntos, eles arrecadam e distribuem absorventes para meninas que não tem acesso -

Em um ato de empatia, um grupo de jovens tomou a iniciativa de distribuir absorventes íntimos femininos em comunidades. Mais de dez mil unidades já foram distribuídas pelo projeto em escolas públicas e entre moradoras, no Rio. Além da doação dos itens de higiene, a iniciativa tem como objetivo conscientizar a população sobre um termo pouco ouvido ainda, mas muito preocupante: a desigualdade menstrual.

O Grupo 'Absorvendo Amor' é formado por meninas e meninos do Colégio Eleva. A idealizadora e líder do projeto, Constanza Del Pozo, de 16 anos, explicou que costumavam distribuir os absorventes em colégios da rede pública, mas com o início da pandemia não puderam mais realizar essas atividades: "Como as aulas presenciais não estão acontecendo, estamos destinando a arrecadação para áreas que precisam mais. Nossa primeira ação foi na favela Pavão Pavãozinho, agora estamos arrecadando para distribuir na Rocinha".

A desigualdade menstrual já está nas contas da Prefeitura do Rio. Um levantamento apontou que meninas chegam a perder 45 dias de aula por ano, por estarem no período menstrual. Então, além das doações, Constanza explicou que a conscientização faz parte do trabalho.

"A menstruação já é um tabu, a pobreza menstrual ainda mais. Muitas meninas usam folha de jornal para conter o sangue. Isso vai muito além da educação prejudicada, é questão de saúde". A arrecadação tem sido feita de forma totalmente online, por meio de uma vaquinha virtual. "Em dias normais, arrecadamos na escola, tanto o dinheiro, quanto pacotes de absorventes, mas agora estamos arrecadando o dinheiro para comprar", explicou a jovem. Quem quiser ajudar, basta entrar no site vaka.me/957646 e fazer a doação.

*Estagiária sob supervisão de Bete Nogueira

 

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