Empregadas domésticas: histórias de luta e superação

Apenas da Região Metropolitana do Rio, são quase 400 mil profissionais. Grande parte delas acabou tendo os serviços dispensados por conta da quarentena

Por Gustavo Monteiro

A doméstica Regina Pereira, de 54 anos, trabalha para a família de Davi há 30
A doméstica Regina Pereira, de 54 anos, trabalha para a família de Davi há 30 -
A empregada doméstica Regina Pereira da Silva, de 54 anos, entrou na vida de Juliana Bezerra, de 36, quando ela tinha apenas cinco anos. Ela trabalhava na casa da mãe da moça, em Jacarepaguá. "A Regina chegou para cobrir as férias de outra pessoa e não deixei mais ela sair", conta a jornalista, que hoje mora em Campo Grande.
Regina foi ficando. Além das funções de babá, cuidava também da casa. Esteve em quase todos os momentos importantes da vida da Juliana, incluindo a festa de 15 anos e o nascimento do filho, Davi, de seis anos. "A única interrupção foi quando nos mudamos para Recife".
Quando a família voltou do Nordeste, Regina passou a se dividir entre as casas de Juliana - que foi morar sozinha na Zona Sul -, sua mãe, na Barra, e a avó, em Campo Grande, fazendo faxina e cozinhando. "Depois que engravidei, pedi a ela que ficasse só comigo. A Regina cuidou tão bem de mim na infância que eu queria que fosse assim também com meu filho", diz.
Para Regina, pouca coisa mudou com a quarentena, exceto o fato de que precisa ter mais cuidados quando está em casa. "Quase não saio e, se preciso de algo, peço para entregar. Se tiver que ir na rua uso máscara e álcool em gel". Ela dorme na casa de Juliana de segunda à quinta e, às sextas, ganha uma carona para voltar à sua residência, também em Campo Grande. "Na verdade a quarentena até beneficiou a Regina, porque estou em home office com carga reduzida e tenho tempo para poder levá-la e buscá-la, assim ela evita o transporte público".

Sem trabalho e renda, alguns dependem de ajuda

Rita fazia faxinas em condomínio mas ficou sem trabalho - ARQUIVO PESSOAL
Rita de Cássia Araújo de Abreu, de 54 anos, que mora no Jardim Maravilha (Guaratiba) com o marido Adilson Ferreira de Abreu, de 58, não teve a mesma sorte que Regina. Antes da pandemia, ela fazia faxinas para três famílias em um condomínio em Jacarepaguá. Depois da quarentena, os trabalhos cessaram e a renda, que era de R$ 800 mensais, caiu para zero. "Dependemos da ajuda de igreja, de parentes ou de outras pessoas que estão doando alimentos. É muito difícil abrir a geladeira e só ter aquele ar frio dentro".
Adilson, que trabalhava como motorista de ônibus, foi dispensado em 2018 para tratar de um câncer. Com os dois na ativa, a renda mensal chegava a R$ 2.300. As duas filhas, de 31 e 32 anos, também não estão trabalhando e não têm condições de ajudar. "Não saio mais para nada, nem para a igreja, que está fechada. Estou me sentindo sufocada, a gente precisa sair para trabalhar e buscar o alimento diário", conta a diarista, que não conseguiu o auxílio emergencial de R$ 600 do governo.

Steffen cria novo serviço

Para as domésticas que permanecem na ativa ou para as donas de casa que precisaram dispensar esses serviços, a Steffen - especializada em higienização e limpeza profissional em condomínios - agora atende também residências.
A empresa dispõe de uma equipe treinada de consultores que analisam as necessidades de cada cliente e criam planos de higiene totalmente personalizados. E reforçou seus estoques de álcool em gel, sabonete líquido, desinfetantes com ação virucida e demais produtos indispensáveis na limpeza e higienização. "O segredo é entender a necessidade de cada um e oferecer os produtos corretos", diz Rogério Santos, diretor executivo da distribuidora. Para saber mais acesse 'www.steffen.com.br'.

Sindicato faz apelo: 'não suspendam pagamentos'

Em meados de março, a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos do município do Rio, Maria Izabel Monteiro, divulgou um vídeo nas redes sociais pedindo que os empregadores dispensassem seus funcionários, mas sem descontar os dias não trabalhados.
"Sabemos que se esta categoria for contaminada pelo coronavírus, a demanda do SUS e das redes privadas não terá condições de atender a população afetada", disse.
Também em março, filhos de empregadas domésticas e diaristas de todo o país lançaram um manifesto reivindicando dispensa remunerada imediata, tanto para quem tem carteira assinada quanto para informais, além de adiantamento das férias.
Vale lembrar que a primeira vítima da covid-19 no estado do Rio foi uma empregada doméstica de 63 anos. Moradora de Miguel Pereira, ela contraiu a doença na casa da patroa, do Leblon, que voltara de viagem à Itália.
Segundo o IBGE, existem 533 mil domésticas no estado, sendo 385 mil na Região Metropolitana. O piso salarial fluminense para a categoria é de R$ 1.238,11.

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