Crivella diz que vai analisar relatório da Fiocruz que recomenda lockdown

Ao comentar o enrijecimento do isolamento, no entanto, o prefeito citou 'pedidos da Firjan e da Associação do Comércio', que se preocupam com aprofundamento da crise econômica

Por O Dia

Coletiva de Imprensa com o Prefeito Marcelo Crivella
Coletiva de Imprensa com o Prefeito Marcelo Crivella -
Rio - O prefeito do Rio Marcelo Crivella disse, durante entrevista coletiva no Riocentro, nesta quinta-feira, que vai analisar um relatório da Fiocruz que recomenda urgência em medidas rígidas de isolamento social no âmbito territorial do estado do Rio de Janeiro. O prefeito, no entanto, citou a Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan) e Associações do Comércio, dizendo que as instituições temem o aprofundamento da crise econômica. 
"Eu vou levar essa avaliação da Fiocruz, sobre o lockdown para o nosso conselho cientifico. Já tivemos várias reuniões e até agora essa possibilidade não foi sugerida. Mas, com essa recomendação, vamos reavaliá-la. Por outro lado, tem os pedidos da Firjan (Federação das Industrias do Estado do Rio), das associações do comércio, de um monte de sindicato que também falam do desemprego, da quebra de negócios, da economia estar afundando. E também tem a minha secretaria de Fazenda dizendo: 'Crivella, no final do mês temos que pagar funcionários. São 100 mil aposentados e outros 100 mil servidores, precisamos de receita”, disse Crivella.
Em seu relatório, a Fiocruz afirma que "a não adoção de medidas imediatas de lockdown pode levar a um período prolongado de escassez de leitos e insumos, com sofrimento e morte para milhares de cidadãos e famílias do estado do Rio de Janeiro". A instituição destaca que a implantação do lockdown no estado do Rio não pode acontecer sem a respectiva adoção de medidas de apoio econômico e social às populações vulneráveis, particularmente as que dependem de trabalho informal ou precário, bem como suporte a pequenas empresas.

A Fiocruz menciona a reestruturação e instalação de serviços de saúde emergenciais em localidades populosas e com maior vulnerabilidade social; transferências de renda; ações de segurança alimentar e nutricional; proteção ao emprego; acesso a água e saneamento; apoio e reforço à medidas de limpeza e higiene; e ações específicas de vigilância e controle da propagação da doença nas prisões.

A expressão lockdown, em inglês, significa confinamento e, no contexto de medidas de isolamento social, envolve um conjunto de medidas restritivas para reduzir ao essencial o trânsito de pessoas nas ruas das cidades. Os contornos que delimitam tais medidas para um local determinado, como o Rio de Janeiro, devem ser pautados a partir da análise de dados e peculiaridades econômicas, sociais, geográficas, políticas e culturais da região, que devem servir de parâmetro para o eventual decreto do confinamento por parte do Executivo.

Na segunda-feira a força-tarefa do Ministério Público do Rio recomendou ao governador do Rio a apresentação de um estudo técnico embasado em evidências científicas e em análise de informações estratégicas para justificar a adoção ou não do bloqueio total no estado.

De acordo com o MPRJ, tanto o estudo objeto da recomendação, como o material hoje recebido da Fiocruz revelam que é imprescindível um planejamento prévio e célere para qualquer medida de "encrudescimento" do isolamento social, levando em consideração não só diretrizes como de saúde pública, vigilância epidemiológica e assistência social, como também a realidade do Rio de Janeiro.

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