Por O Dia
Rio - A violência armada no Grande Rio vem interrompendo e afetando vidas ainda no ventre, segundo levantamento feito pela plataforma Fogo Cruzado. Nos últimos três anos, a plataforma mapeou 14 mulheres grávidas baleadas na região metropolitana do Rio: sete delas morreram. Desses 14 casos, oito bebês não resistiram.

Este ano, uma grávida foi baleada no Grande Rio: uma mulher de 25 anos foi atingida no pé por bala perdida durante uma briga em um bar no bairro Amendoeira, em São Gonçalo. Ela foi socorrida no Pronto Socorro de São Gonçalo, no bairro Zé Garoto.

Já no ano passado, quatro grávidas foram baleadas - três delas não resistiram aos ferimentos. No mês de abril de 2019, num intervalo de três dias, duas mulheres foram baleadas: Inara Júlio, grávida de oito meses, foi atingida por bala perdida quando estava em uma festa na Terra Nostra, em Costa Barros, no dia 6 de abril. Inara foi atingida por três tiros e um deles atingiu a cabeça do bebê ainda no útero, mas não chegou a perfurar o cérebro. Eles sobreviveram. Dias depois, Gabriele Rodrigues Dias, também grávida de oito meses, foi morta a tiros em Bangu. De acordo com a família de Gabriele, ela foi executada pelo ex-companheiro que, segundo o irmão da vítima, teria oferecido uma rosa para ela antes de atirar. Gabriele e o Anthony não resistiram.

O ano de 2018 foi o mais letal para mães grávidas: cinco gestantes foram baleadas - duas delas não resistiram. Uma dessas vítimas foi Dandara Helena Damasceno de Souza, que aos 21 anos e grávida de seis meses, foi morta a tiros dentro de casa na Vila Vintém, em Padre Miguel, em março daquele ano. Apesar da morte da mãe, o bebê sobreviveu.

Em 2017 houve o mesmo número de baleadas: quatro, sendo que duas delas morreram. Naquele ano, Claudinéia dos Santos Melo, grávida de 9 meses do bebê Arthur Cosme de Melo, foi atingida por bala perdida durante um tiroteio na Favela do Lixão, em Duque de Caxias, Baixada Fluminense. Claudinéia sobreviveu e Arthur ficou internado em estado grave durante dias, mas não resistiu.

A metade de todas as vítimas (sete) foi baleada na capital do Rio. Cinco delas não resistiram aos ferimentos. Em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, três gestantes foram baleadas (duas delas morreram). Em São Gonçalo, no Leste Metropolitano, houve 2 feridas. Nos municípios de Nova Iguaçu e Belford Roxo, também na Baixada, houve 1 ferida cada.

De bala perdida a tortura

Apesar de todas terem sido vítimas da violência armada, as 14 grávidas baleadas no Grande Rio foram vitimadas de diferentes formas: cinco delas foram vítimas de balas perdidas, quatro foram vítimas de execução/homicídio, três foram baleadas durante roubo ou tentativa de roubo, uma foi baleada com indícios de tortura e uma não teve motivação identificada.

Final Feliz

Mesmo passando pelo trauma de ter a sua vida e a de seu bebê em risco, a história de Michelle Ramos da Silva Nascimento Araújo teve final feliz. Ela foi baleada durante uma tentativa de assalto no bairro Piam, em Belford Roxo, quanto estava com 8 meses de gestação, em janeiro de 2018. Foi feita uma cesariana, Michelle foi submetida a uma cirurgia para a descompressão craniana e saiu da maternidade 10 dias depois, sem o filho nos braços. Ela esperou mais 12 dias até poder poder ter Antonio Esdras em casa. Um ano após a tragédia, ela pôde comemorar o aniversário do filho, com quem ficou dias internada em estado grave após o caso.