Projeto gera empregos a costureiros de Santa Cruz

Parceria entre siderúrgica, ONG e escola de samba vai produzir 40 mil máscaras até o dia 18 de maio e gerar renda para 21 trabalhadores

Por Danillo Pedrosa

Rosineia Pontes, 59 anos, costuma costurar fantasias para a GRES Acadêmicos de Santa Cruz desde 1989
Rosineia Pontes, 59 anos, costuma costurar fantasias para a GRES Acadêmicos de Santa Cruz desde 1989 -

Em tempos de crise, principalmente para trabalhadores informais e profissionais liberais, uma parceria da a siderúrgica Ternium com a ONG Coosturart e a Escola de Samba Acadêmicos de Santa Cruz gera renda para dezenas de moradores do bairro. A ação contratou 21 costureiros e costureiras da região, que produzirão 40 mil máscaras de tecido até o dia 18 de maio. Os produtos serão doados a funcionários da empresa - um kit com cinco para cada um.

Morador há cinco anos do sub-bairro Guandu Velho, William Thompsom, de 38 anos, estaria sem renda nenhuma se não fosse um dos contratados, já que foi dispensado por causa da pandemia.

"Antes da pandemia, eu também era garçom freelancer em um restaurante em Copacabana. Mas com o fechamento dos restaurantes, fui dispensado, e não sei como vai ficar depois. Minha esposa também está sem trabalhar por conta do lockdown parcial na região, e eu tenho uma filha de três anos para sustentar", falou o costureiro que exerce a profissão desde os 14 anos.

Além da renda que garantiu durante a pandemia, Willian destacou o fato de fazer parte de uma rede de solidariedade. "É super importante confeccionar as máscaras porque além de ajudar outras pessoas a evitar o contágio pelo coronavírus com o uso desse item de proteção, também é uma forma de conscientizar outras pessoas. Elas enxergarem que o uso da máscara é essencial em um momento como o que estamos vivendo", completou.

Já Rosineia Pontes, 59 anos, faz fantasias para a GRES Acadêmicos de Santa Cruz desde 1989. Há mais de 30 anos trabalhando com o carnaval, a costureira, que tem uma confecção própria e chegou a empregar sete pessoas, disse que o pedido para confeccionar máscaras veio em boa hora.

"Antes da pandemia, meu 'carro-chefe' sempre foi confeccionar uniformes para empresas, escolas e igrejas, e estava para chegar o pedido para fazer os uniformes de frio das escolas quando começou o distanciamento social. A confecção das máscaras é o que está segurando as dívidas, ajudando a pagar as contas", contou.

Comentários