Saúde estadual pode ter atendimento às vítimas de depressão durante a pandemia

Proposta de contratação de profissionais de saúde mental foi aprovada na Alerj e precisa ser sancionada por Witzel em até 15 dias

Por Rachel Siston*

Rio de Janeiro - RJ  - 16/04/2020 - COVID 19 - Coronavirus na cidade do Rio - Na foto, Senhora em isolamento social, observa da janela de casa o movimentaçao na rua, proximo a Praça do Chafariz, em Madureira, zona norte do Rio - Foto Reginaldo Pimenta / Agencia O Dia
Rio de Janeiro - RJ - 16/04/2020 - COVID 19 - Coronavirus na cidade do Rio - Na foto, Senhora em isolamento social, observa da janela de casa o movimentaçao na rua, proximo a Praça do Chafariz, em Madureira, zona norte do Rio - Foto Reginaldo Pimenta / Agencia O Dia -
Uma pesquisa do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio (Uerj) apontou que os casos de depressão praticamente dobraram e as ocorrências de ansiedade aumentaram 80% durante o período de isolamento social por conta da Covid-19. O levantamento se baseou nas respostas de 1.460 pessoas de 23 estados em um questionário online com mais de 200 perguntas, entre os dias 20 e 25 de março, e 15 a 20 de abril.

Nesta quarta-feira, a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) aprovou o projeto de lei que autoriza o governo estadual a contratar psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais e terapeutas ocupacionais, em caráter emergencial, para garantir atendimento às vítimas de depressão e tendências suicidas ocasionadas pela pandemia do novo coronavírus.
De acordo com a proposta, a contratação dos profissionais, dentro da estrutura da Secretaria de Estado de Saúde, será feita por seis meses e pode ser prorrogada por mais seis. A pasta vai ser responsável por definir a quantidade de profissionais, meios e unidades de saúdes que vão oferecer o atendimento a adultos, crianças e idosos, que também poderá ser feito à distância.
“Ninguém sabe muito bem como vai ser o futuro. Um profissional que trabalha a saúde psíquica da população é um profissional que não tem como ficar de fora desse aporte nesse momento tão difícil que as pessoas estão passando. Esses profissionais já são essenciais para o dia a dia e, principalmente agora no momento que estamos”, afirmou a terapeuta ocupacional Patrícia Brito.

A proposta teve como base relatos de pessoas deprimidas e um estudo da revista científica The Lancet, sobre o impacto psicológico da quarentena, apoiado em quarentenas de grupos pequenos. Segundo o estudo, cerca de três anos após o isolamento, houve aumento de risco para o aparecimento de abuso de álcool, sintomas de perturbação de stress pós-traumático e depressão.

“Propusemos o projeto para que o estado possa ampliar o atendimento psicológico e diminuir o abalo emocional no período. O Conselho Federal de Psicologia já regulamentou o atendimento psicológico online. Através da tecnologia da comunicação, é possível estar mais perto e dar suporte a quem está precisando no momento", explicou um dos autores do projeto, o deputado Capitão Paulo Teixeira (Republicanos).

O levantamento da Uerj também mostra que pessoas que recorreram à psicoterapia pela internet ou praticaram exercícios nesse período apresentaram índices menores de estresse e ansiedade. Agora, a proposta tem 15 dias para ser sancionada pelo governador do Rio, Wilson Witzel (PSC).
* Estagiária sob supervisão de Bete Nogueira

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