Covid-19: Zona Oeste já tem mais de 500 mortes

Região tem um terço dos óbitos do município

Por Gustavo Monteiro

Vera Lucia perdeu o marido, José, aos 60 anos, para a covid-19
Vera Lucia perdeu o marido, José, aos 60 anos, para a covid-19 -
"Ele era muito festeiro, alegre, amava agregar. Adorava fazer churrasco, aquela bagunça na piscina, cervejinha gelada o dia todo. Era apaixonado pelo mar". Dessa maneira esposa, amigos e familiares do empresário José Correa Filho, morador de Campo Grande, que morreu no dia 26 de abril, vítima da covid-19, aos 60 anos, o enxergavam.
Vera Lucia Gonçalves de Oliveira Correa, de 60 anos, conta que ele começou a se sentir mal no dia 5 de abril, mas a impressão era de que não fosse nada sério. "Uma tossezinha, mas que já era crônica por conta dos remédios para controlar a pressão, e também uma febre não muito alta". Como a febre não baixava, foi levado ao hospital, quando se confirmou que estava com 75% dos pulmões comprometidos. Foi internado e não saiu mais.
José entrou para uma triste estatística: a Zona Oeste concentra 36% dos óbitos da cidade. Já são 542 mortes e 2.499 casos confirmados (22% do total). "Ele não demonstrava medo, mas frisava que se pegasse o coronavírus não ia aguentar", comenta Vera, acrescentando que ele só saía para ir na empresa de transporte e distribuição de alimentos, três vezes por semana, e esteve uma vez em um supermercado e no caixa eletrônico.
"Não sabemos onde pode ter pegado. Ele usava máscara quando saía, andava com álcool em gel no carro, e, ao chegar em casa, deixava roupa e sapatos do lado de fora e já ia direto para o banho", completa a esposa, que também adoeceu e permaneceu nove dias debilitada, mas não fez o teste.

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