'Não vamos tolerar abuso de poder', diz presidente do TRE do Rio

Primeiro entrevistado da série de O DIA, presidente do TRE do Rio garante que haverá rigor nas punições

Por Felipe Gavinho*

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Rio - O primeiro entrevistado da série de lives de O DIA, desembargador Cláudio Brandão, presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio, esclareceu dúvidas sobre eleições municipais do Rio e de que forma a pandemia do coronavírus pode impactar no período eleitoral. No encontro ao vivo ontem pelo YouTube e Facebook do jornal, o desembargador afirmou que uma das maiores preocupações do TRE nas eleições é em relação ao abuso do poder religioso para fins eleitoreiros. Brandão garantiu que o TRE vai punir com muito rigor se a prática for identificada. Hoje será a vez do ex-prefeito Eduardo Paes participar da entrevista.

"Qualquer abuso vai ser coibido, seja ele econômico, religioso ou o uso da força. Abusos significam desonestidade, então isso não vai ser admitido. Não sou contra nenhuma religião, respeito todas. Mas se algumas pessoas que representam religiões tentarem usar de alguma forma o poder de influência que um líder religioso sobre o eleitor, vamos punir com muito rigor se identificarmos", garantiu.

Além do abuso de poder religioso, outra preocupação é a atuação das milícias e traficantes que aumenta no período eleitoral. Apesar da Justiça Eleitoral não ter o papel institucional de combater milícias, o desembargador afirmou que os processos penais dentro da sua área de atuação serão desempenhados com rapidez. "As pessoas que acreditavam que a remessa de processos criminais à Justiça Eleitoral fosse indicativo de impunidade vão se enganar. Nossas respostas vão ser muito rápidas, os processos criminais de competência da Justiça Eleitoral serão julgados com rapidez maior do que normalmente seria decidido por outro segmento do Judiciário", disse.

O presidente garantiu que se for constatado que se um candidato for eleito com base nesse tipo de opressão, não tomará posse ou terá o mandato cassado. "Não vai compensar o investimento por parte da milícia, ou seja, vão investir muito e vão perder dinheiro. O voto é secreto. Não precisa ficar falando. Se o eleitor se sentir ameaçado, diz que vota em alguém e chega lá e vota outro".

 

 

 

Desembargador defende segurança das urnas eletrônicas

O desembargador Cláudio Brandão abordou as urnas eletrônicas, tema que o presidente Bolsonaro questiona. "A urna eletrônica trouxe ganho para lisura do processo eleitoral. Quem já participou de eleição manual sabe que era foco de desonestidade. Eu nunca, durante todo esse período, identifiquei falha, erro nas urnas eletrônicas. Elas não são ligadas pela internet. Existem processos de auditoria intensos, inclusive disponibilizado para os partidos. Pouco antes das eleições, algumas urnas são sorteadas aleatoriamente. É um equipamento que o Brasil pode se orgulhar. Lamento que o presidente da República tenha feito essa afirmação e não tenha apresentado provas", disse.

O presidente do TRE garantiu que junho é o mês decisivo para saber se as eleições serão mantidas ou adiadas. Ele afirmou que a mudança da data envolve a alteração da Constituição e que a proposta de emenda tem que ser apresentada por um terço da Câmara ou um terço do Senado. "Os senadores e os deputados já estão conversando, têm pleno conhecimento e responsabilidade e competência", apontou.

O Rio tem 35 mil pessoas que são convocadas para trabalhar no dia da eleição. Conforme o presidente, o TRE já se mobiliza para que elas tenham proteção natural quanto ao manuseio dos equipamentos.

Medidas de prevenção serão tomadas em relação à pandemia da covid-19: orientação para eleitores não ficarem muito próximos, será pedido que seja feita distribuição de eleitores ao longo do dia para evitar aglomerações e cogita-se dar prioridade a idosos que são consideradas grupo de risco na votação.

*Estagiário sob supervisão de Max Leone

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