Luta e resistência na pandemia

Mesmo diante de tanta dificuldade e poucos recursos, integrantes da Aldeia Maracanã não registraram nenhum caso de coronavírus. Mas precisam de ajuda

Por Gabriel Sobreira

Em tempo de covid-19, a Aldeia Maracanã - aldeamento urbano ao lado do estádio de futebol - tem enfrentado a pandemia de coronavírus com poucos recursos, recebendo doações esporádicas e uma significativa conquista: "Não tivemos nenhum infectado", comemora Júlia Xavante, promotora de eventos da Universidade Indígena Aldeia Maracanã.

Mas para continuar a luta, eles necessitam de ajuda. "No momento, estamos precisando de material de higiene pessoal e limpeza, caminhão pipa, água mineral, e, se possível, uma bateria de carro para usarmos como placa solar. Não temos nada. Nem água, nem luz, nem esgoto. Só resistência", explica ela.

"Desde que reassumimos a aldeia em 2016, estamos sem água, sem luz, sem sistema de esgoto. São 520 anos de 'rexistência', estamos acostumados a todos os tipos de ataques, racistas, genocida e de ódio, e, principalmente nesse atual 'desgoverno', sempre nos atacando de todas as formas", critica Urutau Guajajara, cacique da aldeia.

Segundo a promotora, a aldeia conta com diversos povos, entre eles, os Guajajara, Xavante, Puri, Ashaninka, Krikati, Guarani, Tupinambá e Ticuna, entre outros. "Temos povos que falam suas línguas maternas e outros e tiveram a língua dizimada", detalha. "Infelizmente não posso dar o número de pessoas que estão na aldeia no momento por questão de segurança", acrescenta a indígena.

Espalhando conhecimento e cultura indígena

Por conta do isolamento, o espaço está impossibilitado de fazer as atividades culturais e educacionais presenciais. Mas isso não é um impeditivo para espalhar conhecimento e cultura. "Estamos vendendo artesanato pelo Instagram (@marakana.acessorios). Fazemos rifas para conseguir verba para diversas outras necessidades e estamos com um curso online de Língua e Cultura Tupi Guarani", conta Julia Xavante.

As aulas acontecem às terças e quintas-feiras, às 16h e às 18h. A mensalidade custa R$ 100 e a apostila R$ 50. O curso tem duração de quatro meses, possui quatro módulos, sendo 16 aulas no total. Mais informações no número: (21) 9.7524-7471, falar com Júlia Xavante.

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