Polícia conclui inquérito de agressões a médica no Grajaú e indicia 14 pessoas

Ticyana D'Azambuja foi espancada após reclamar do barulho de uma festa próximo de sua casa, no fim de maio

Por O Dia

Médica ficou com marcas das agressões espalhadas pelo corpo
Médica ficou com marcas das agressões espalhadas pelo corpo -
Rio - A Polícia Civil concluiu, nesta terça-feira, o inquérito e indiciou 14 pessoas no caso da médica Ticyana D'Azambuja, que foi agredida no dia 30 de maio, após reclamar do barulho de uma festa próximo de sua casa, na Rua Marechal Jofre, no Grajaú, Zona Norte do Rio. 
Segundo o delegado André Neves, titular da 20ª DP (Vila Isabel) e responsável pela investigação do caso, todos os indiciados vão responder por infração sanitária preventiva – por participar de uma aglomeração em meio à pandemia. A pena pode chegar a 1 ano de prisão.

Já os dois envolvidos nas agressões a médica, Rafael Presta e Rafael Pereira, vão responder pelo crime de lesão corporal grave, com pena de até cinco anos de prisão. Os outros três agressores responderão por lesão corporal leve. 

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Ticyana D'Azambuja passou por cirurgia para colocar parafusos no joelho. Ela sofreu fraturas após ser agredida por reclamar de festa durante isolamento social Dvulgação
Médica é carregada por um homem e agredia por outro e uma mulher Reprodução / Internet
Ticyana é agredida por policial e mulher Reprodução
Médica ficou com marcas das agressões espalhadas pelo corpo Aquivo Pessoal
Em entrevista ao RJ1, da TV Globo, o delegado disse que como Ticyana estava na linha de frente no combate à covid-19 antes de ser espancada pelos vizinhos e após as agressões ela precisou ser afastada por 30 dias já caracterizou lesão grave. "Dependendo do caso, isso vai demorar alguns meses pelo laudo pericial, alguns meses se comprovada a incapacidade permanente pro trabalho, pode ser aditada a denúncia para lesão gravíssima”, afirmou André Neves ao RJ1.
O inquérito foi concluído após a análise de imagens de câmeras de segurança e mais de 30 depoimentos. As corregedorias da Polícia Civil, da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros foram notificadas, para abertura de procedimento disciplinar. Os agentes públicos que participaram da ação responderão ainda pelo crime de prevaricação. 
Relembre o caso
A médica anestesista Ticyana Azambuja, de 35 anos, foi rendida por frequentadores de uma festa no bairro da Zona Norte do Rio no último dia 30 de maio. A profissional de saúde disse que na ocasião foi agredida por pelo menos cinco pessoas, dentre elas o PM do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq) Luiz Eduardo dos Santos Salgueiro, 43.
Imagens de câmeras de segurança, que circulam nas redes sociais, mostram médica correndo pela rua para fugir dos agressores. Ela para um motociclista no meio da via, tenta subir no veículo, mas dois homens a impedem.
Ticyana segura a moto, em busca de proteção, mas é agarrada pelos dois homens, arrastada e um deles lhe aplica o golpe "mata-leão". Várias pessoas observam a cena, mas não interferem.
Em entrevista ao DIA, a médica contou que o barulho da festa que estava acontecendo em sua vizinhança não a deixava dormir. Após ser ignorada pelos frequentadores para diminuir o volume do som, ela quebrou o retrovisor e o para-brisas traseiro do carro do PM para chamar a atenção deles.
Os frequentadores, no entanto, partiram para cima da anestesista, que correu por cerca de 150 metros para não ser pega. Ela disse que foi agredida violentamente, ficando com várias manchas pelo corpo, além de ter braços e perna imobilizados.

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