
Pais e mães de alunos da rede municipal de ensino do Rio realizaram uma manifestação ontem, em frente à prefeitura, para reivindicar o pagamento do Cartão Alimentação no lugar das cestas básicas oferecidas no Kit Merenda da Secretaria Municipal de Educação (SME). Os responsáveis alegam que faltam alimentos e que produtos vêm abertos, fora da validade ou estragados.
Os benefícios foram anunciados depois da paralisação das aulas, por conta da pandemia do novo coronavírus, já que para alguns estudantes, a refeição oferecida na escola era a única do dia. Antes, o Cartão Alimentação, no valor de R$100, seria pago apenas para beneficiários do Bolsa Família, mas no último dia 7, o prefeito Marcelo Crivella estendeu o auxílio aos 641 mil alunos da rede, reduzindo o valor do cartão para R$50, para atender a todos, segundo Crivella.
Mas, de acordo com os movimentos Brigadas Populares e Passeata das Mães, em quatro meses sem aulas, foram distribuídas apenas 210 mil cestas e 240 mil cartões. Mãe de uma aluna de 2 anos do município e moradora de uma ocupação entre a Pavuna e o Jardim América, Zona Norte, a estudante Talita da Silva, de 22 anos, conta que recebeu o pagamento do cartão em abril, no valor de R$100, mas outras recargas não foram feitas.
“O cartão recarregou em abril e depois nunca mais. Também não recebi nenhuma cesta, a direção entrou em contato só com algumas mães, e quem recebeu disse que a comida não dá para um mês e que alguns produtos vieram estragados. Estou à base de doação, às vezes consigo, às vezes não”, lamentou a estudante.
Morando na mesma ocupação e desempregada depois do falecimento da patroa por covid-19, Adriana Furtado, 40, tem pedido doações e ajuda nas ruas para alimentar os filhos. Mesmo com uma filha de 9 anos matriculada na rede municipal, a família não recebeu cesta básica ou o cartão alimentação.
“Não consegui cesta, nem cartão. Tenho um bebê que depende de complemento alimentar, que é caro. Eu vejo outras mães pegando cestas ruins, com alimentos estragados, faltando. Peço ajuda nas ruas, mas nem sempre consigo. Está sendo muito difícil.”
Em nota, a SME afirmou que já foram entregues 350 mil Kits Merenda, entre cartões e cestas básicas, e que outras 50 mil cestas estão sendo entregues esta semana. A pasta diz ainda que, no momento, está distribuindo apenas a cesta básicas e que os cartões já repassados tinham R$100 com validade para dois meses.
Também desempregada, Patrícia Custódio, de 43 anos, relatou que não recebeu novas recargas do Cartão Alimentação e que em sua última cesta básica, faltaram arroz e feijão, e vieram duas caixas de ovos podres. “Quando eu disse que estava faltando arroz e feijão, a coordenadora do CRE me disse que não podia fazer nada. Eu estou muito triste, muito sentida com tudo isso. Eu estou desempregada e hoje não tenho nem arroz para dar para o meu filho comer”, desabafou Patrícia, que vive em uma ocupação em São Cristóvão.
Questionada sobre a qualidade e a quantidade de produtos das cestas básicas, a Secretaria Municipal de Educação (SME) disse que os responsáveis precisam levar o alimento à Coordenadoria Regional de Educação (CRE) onde pegou a cesta para ser trocada. "Vale ressaltar que os alimentos são para os alunos. Os Kits Merenda foram calculados para o que aluno consome nas escolas durante os 22 dias letivos do mês. Lembrando que este é um período de férias escolares, que teria metade dos dias normais de aula. Mesmo assim, a Secretaria está distribuindo as cestas integralmente”, diz a nota.
Representantes dos dois movimentos foram recebidos pelo subsecretário de gestão da SME, Luiz Antônio Silva Santos, e na reunião foi determinado que as cestas básicas seriam substituídas pelos cartões, no valor de R$50, a partir do dia 23 de agosto. Além disso, foi estabelecido um cardápio para as cestas, já que as famílias não estavam recebendo os mesmos produtos.
“Essa já é uma vitória, porque as cestas básicas estavam vindo muito ruins, não dava para ser utilizada. Nós reivindicamos o cartão de R$100, mas já tivemos um avanço. Enquanto não pagam, a orientação é conferir os alimentas e, se tiver algo estragado, trocar na hora. A luta continua, para que a gente consiga aumentar o valor do cartão”, disse Michelle Xavier, do movimento Brigadas Populares.
Os benefícios foram anunciados depois da paralisação das aulas, por conta da pandemia do novo coronavírus, já que para alguns estudantes, a refeição oferecida na escola era a única do dia. Antes, o Cartão Alimentação, no valor de R$100, seria pago apenas para beneficiários do Bolsa Família, mas no último dia 7, o prefeito Marcelo Crivella estendeu o auxílio aos 641 mil alunos da rede, reduzindo o valor do cartão para R$50, para atender a todos, segundo Crivella.
Mas, de acordo com os movimentos Brigadas Populares e Passeata das Mães, em quatro meses sem aulas, foram distribuídas apenas 210 mil cestas e 240 mil cartões. Mãe de uma aluna de 2 anos do município e moradora de uma ocupação entre a Pavuna e o Jardim América, Zona Norte, a estudante Talita da Silva, de 22 anos, conta que recebeu o pagamento do cartão em abril, no valor de R$100, mas outras recargas não foram feitas.
“O cartão recarregou em abril e depois nunca mais. Também não recebi nenhuma cesta, a direção entrou em contato só com algumas mães, e quem recebeu disse que a comida não dá para um mês e que alguns produtos vieram estragados. Estou à base de doação, às vezes consigo, às vezes não”, lamentou a estudante.
Morando na mesma ocupação e desempregada depois do falecimento da patroa por covid-19, Adriana Furtado, 40, tem pedido doações e ajuda nas ruas para alimentar os filhos. Mesmo com uma filha de 9 anos matriculada na rede municipal, a família não recebeu cesta básica ou o cartão alimentação.
“Não consegui cesta, nem cartão. Tenho um bebê que depende de complemento alimentar, que é caro. Eu vejo outras mães pegando cestas ruins, com alimentos estragados, faltando. Peço ajuda nas ruas, mas nem sempre consigo. Está sendo muito difícil.”
Em nota, a SME afirmou que já foram entregues 350 mil Kits Merenda, entre cartões e cestas básicas, e que outras 50 mil cestas estão sendo entregues esta semana. A pasta diz ainda que, no momento, está distribuindo apenas a cesta básicas e que os cartões já repassados tinham R$100 com validade para dois meses.
Também desempregada, Patrícia Custódio, de 43 anos, relatou que não recebeu novas recargas do Cartão Alimentação e que em sua última cesta básica, faltaram arroz e feijão, e vieram duas caixas de ovos podres. “Quando eu disse que estava faltando arroz e feijão, a coordenadora do CRE me disse que não podia fazer nada. Eu estou muito triste, muito sentida com tudo isso. Eu estou desempregada e hoje não tenho nem arroz para dar para o meu filho comer”, desabafou Patrícia, que vive em uma ocupação em São Cristóvão.
Questionada sobre a qualidade e a quantidade de produtos das cestas básicas, a Secretaria Municipal de Educação (SME) disse que os responsáveis precisam levar o alimento à Coordenadoria Regional de Educação (CRE) onde pegou a cesta para ser trocada. "Vale ressaltar que os alimentos são para os alunos. Os Kits Merenda foram calculados para o que aluno consome nas escolas durante os 22 dias letivos do mês. Lembrando que este é um período de férias escolares, que teria metade dos dias normais de aula. Mesmo assim, a Secretaria está distribuindo as cestas integralmente”, diz a nota.
Representantes dos dois movimentos foram recebidos pelo subsecretário de gestão da SME, Luiz Antônio Silva Santos, e na reunião foi determinado que as cestas básicas seriam substituídas pelos cartões, no valor de R$50, a partir do dia 23 de agosto. Além disso, foi estabelecido um cardápio para as cestas, já que as famílias não estavam recebendo os mesmos produtos.
“Essa já é uma vitória, porque as cestas básicas estavam vindo muito ruins, não dava para ser utilizada. Nós reivindicamos o cartão de R$100, mas já tivemos um avanço. Enquanto não pagam, a orientação é conferir os alimentas e, se tiver algo estragado, trocar na hora. A luta continua, para que a gente consiga aumentar o valor do cartão”, disse Michelle Xavier, do movimento Brigadas Populares.
* Estagiária sob supervisão de Gustavo Ribeiro




