Draco prende no Recreio casal que lidera milícia de Itaboraí

Carlos Eduardo Cirino Santanna e Rosane Moreira da Silva da Conceição foram capturados a mais de 80 km de distância de onde atuam

Por RAI AQUINO

Rosane Moreira da Silva da Conceição, a Tia
Rosane Moreira da Silva da Conceição, a Tia -
Rio - Policiais da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) prenderam em flagrante, na manhã desta quinta-feira, o casal de milicianos Carlos Eduardo Cirino Santanna, conhecido como Negão, de 43 anos, e Rosane Moreira da Silva da Conceição, a Tia, 38. Os dois são apontados como chefes de um grupo paramilitar que age em Porto das Caixas, Itaboraí, na Região Metropolitana do estado.
Os dois foram capturados no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste da capital, a mais de 80 km de onde atuam. Eles foram acordados e tiveram que sair da cama e se jogar no chão quando foram abordados pelos agentes. Tia já havia sido presa durante uma megaoperação contra a milícia da região há um ano.

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Carlos Eduardo Cirino Santanna, o Negão Reprodução
Tia e Negão foram presos na manhã desta quinta-feira Reprodução
Recompensa para a prisão deles era de R$ 1 mil por cada Divulgação / Disque Denúncia
Recompensa para a prisão deles era de R$ 1 mil por cada Divulgação / Disque Denúncia
Rosane Moreira da Silva da Conceição, a Tia Reprodução
De acordo com o delegado William Pena Jr., titular da Draco, Negão e Tia controlam com "mãos de ferro" a milícia de Porto das Caixas, praticando diversos homicídios para impor suas regras, inclusive com sessões públicas de tortura. Rosane gerencia a parte financeira do bando e controla as armas da quadrilha, comandando cerca de sete mulheres, que são responsáveis por percorrer as ruas atrás do "recolhe".
O bando consegue arrecadar até R$ 200 mil por mês, cobrando taxas de moradores, comerciantes, mototaxistas, empresas de telefonia e Internet e até escolas. De 10 mil a R$ 15 mil são reservados todo mês para integrantes do grupo que estão presos.
DENÚNCIA
O casal de milicianos foi encontrado após informações repassadas pelo Disque Denúncia (21-2253-1177) à Draco. A entidade oferecia R$ 1 mil para quem desse notícias que levassem a prisão de cada um deles.
Carlos Eduardo tinha dois mandados de prisão preventiva em aberto contra ele, pelos crimes de homicídio e organização criminosa. Já Rosane tinha quatro mandados de prisão pendentes, por organização criminosa, homicídio e milícia privada. Além disso, os dois ainda respondem por outros crimes como roubo, lesão corporal e ocultação de cadáver.
"Tal prisão tem cunho extremamente relevante no combate às milícias no Estado do Rio de Janeiro. A Draco informa que todos aqueles que, direta e indiretamente participem da milícia, serão responsabilizados", destaca o delegado.
ANTECESSOR
Carlos Eduardo controla a milícia de Porto das Caixas do bairro de Visconde, distantes a cerca de 6 km. Ele assumiu o grupo paramilitar após a prisão de Renato Nascimento dos Santos, o Renatinho Problema, em dezembro de 2018. Ele era comparsa do antigo chefe do bando.
Quando Renatinho Problema liderava o grupo, a mãe dele, Maria do Socorro do Nascimento dos Santos, era a responsável por recolher sua parte financeira na quadrilha. Na época, o bando era ligado a Orlando Oliveira de Araujo, o Orlando de Curicicapreso desde outubro de 2017.
Em uma das sessões de tortura do bando, em outubro de 2018, uma mulher grávida de dois meses perdeu o bebê, quando ela e o marido foram espancados na frente das duas filhas porque milicianos suspeitavam que eles passavam informações do bando para traficantes. As vítimas tiveram que fugir de Itaboraí após o crime.
A mulher contou à polícia que recebeu chutes na barriga, enquanto o marido teve um cano de pistola colocado na boca e foi agredido com um taco de sinuca. Depois das agressões, um dos milicianos obrigou o casal a se ajoelhar no chão e urinou no rosto dos dois. Eles foram obrigados a deixar a casa só com a roupa do corpo.

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