Segundo a prefeitura, a explicação para o aumento da taxa de ocupação de leitos de UTI é o fechamento de unidades de referência na cidade - Reprodução
Segundo a prefeitura, a explicação para o aumento da taxa de ocupação de leitos de UTI é o fechamento de unidades de referência na cidadeReprodução
Por Bernardo Costa
Publicado 19/09/2020 00:00 | Atualizado 19/09/2020 08:27

Mesmo diante do número estável de pessoas internadas por covid-19 na Rede SUS da Cidade do Rio, que engloba leitos municipais, estaduais e federais, a taxa de ocupação de UTIs — o termômetro mais grave da pandemia, segundo autoridades de Saúde —, vem aumentando neste mês. De acordo com dados da Rede SUS, divulgados pela Prefeitura do Rio, a taxa está na casa dos 80%, com pequenas variações. No mês anterior, chegou a 61%, no dia 8. Ontem, estava em 81%. Mas neste mês já atingiu o patamar de 87%, dia 14.

Segundo a prefeitura, a explicação para o aumento da taxa de ocupação de leitos de UTI é o fechamento de unidades de referência na cidade, como os hospitais de campanha do Parque dos Atletas, que ontem estava sendo desmontado na Barra, e o da Lagoa-Barra, diante de queda da curva epidemiológica verifica após o pico do contágio, entre abril e maio.

Porém, segundo Margareth Portela, pesquisadora sênior da Fiocruz, a taxa de ocupação de UTI acima dos 80% é crítica, e acende o alerta vermelho de acordo com parâmetros estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Para ela, mesmo com a queda de números de casos, a situação ainda não é confortável no Rio.

"Fico me perguntando se essas desativações de hospitais de campanha não estão sendo precoces. A taxa de ocupação de UTI na casa dos 80% é alarmante, e configura uma zona crítica. Em alguns poucos dias, é possível que ela dê um salto enorme. Para se falar em relaxamento, é necessário que essa taxa esteja abaixo dos 60%, o que seria o sinal verde. Depois do pico da doença, atingimos uma estabilidade, mas ela ainda não é confortável", afirma.

Outro dado que mostra uma situação ainda delicada, segundo Margareth, é a taxa de transmissão da doença no Rio: "Já chegamos a ter um índice de uma pessoa com potencial para infectar outras três. Atualmente, o nível está de um para um. Mas, para ser confortável, é preciso termos algo em torno de uma pessoa infectando 0.2".

Na avaliação de Tânia Vergara, presidente da Sociedade de Infectologia do Rio, as cenas de desrespeito às regras de isolamento social verificadas atualmente na cidade, irão se refletir em aumento do número de casos: "As pessoas tem que entender que o vírus ainda está circulando. Haja vista que os casos na Europa estão voltando com força total".

Na cidade, o maior número de mortes é registrado em Campo Grande: 563. Ontem, havia aglomeração no calçadão do bairro, com pessoas sem máscara. "Por aqui, parece que banalizaram a morte. Vejo muito desrespeito e fico insegura de sair de casa", diz a estudante Catarina Andrade, de 23 anos, moradora do bairro.

 

Alternativas aos hospitais de campanha
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Diante da alta da taxa de ocupação dos leitos de UTI na Rede SUS, a prefeitura anunciou, ontem, que busca um convênio com o governo federal, que permitirá a abertura de 95 leitos de UTI nos hospitais Ronaldo Gazolla e no de Campanha do Riocentro. Segundo o órgão, a iniciativa pretende suprir os leitos fechados pelo governo estadual e pela rede privada de Saúde.
Já a Secretaria estadual de Saúde informou que, na hipótese de os casos de covid-19 voltarem a subir vertiginosamente no Rio, será adotada estratégia de abertura de leitos nos municípios, com envio de profissionais e insumos, e contratação de leitos particulares. A SES disse que o Hospital de Campanha do Maracanã, com 400 leitos, e o Hospital Modular de Nova Iguaçu, com 300, também poderão ser usados.
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