Por O Dia
Publicado 19/09/2020 13:31 | Atualizado 19/09/2020 14:47
O Sistema Único de Saúde (SUS), que na teoria proporciona serviços gratuitos e de qualidade para toda a população, passam por esvaziamento. Nos últimos anos, cariocas que dependem do SUS vêm enfrentando grandes perdas em Clínicas da Família (CF) e Centros Municipais de Saúde (CMS), e a conta não fecha para quem fica horas, dias e meses esperando por um atendimento. Dados do Painel de Indicadores de Atenção
Primária em Saúde, do Ministério da Saúde, apontam queda de 35% na quantidade de Equipes de Saúde da Família entre junho de 2018 e junho de 2020 - de 1.170 para 772.
Na esperança de conseguir agendar atendimento oftalmológico para sua sogra, Gardênia Sardinha Ribeiro foi ao CMS Manoel José Ferreira, no Catete, mas saiu desolada. De cara, o agente comunitário informou que ela deveria retornar ao final do mês para o agendamento, sem previsão definida de quando seria. 
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“Saúde acaba sendo urgente, porque é uma senhora de idade, que está com um problema na vista e precisa de atendimento. Hoje é dia 18, então ainda tenho praticamente duas semanas para marcar para sabe se lá para quando”, afirma.
Deserto
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O cenário encontrado por Gardênia no CMS foi desolador. Nos corredores, um completo deserto - tanto de pacientes, quanto de funcionários.
“Várias meninas que trabalhavam no CMS e que moram aqui na área foram desligadas. Antigamente, traziam os exames das pessoas de idade ou para coleta de exame, e traziam remédios. Hoje em dia, não tem mais isso”, aponta. Segundo ela, os únicos setores que viu funcionando corretamente eram a  imunização e a farmácia.
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Carlos Vasconcellos, do Nenhum Serviço de Saúde a Menos, explica que, com a deficiência nas equipes de
Saúde da Família - unidades que deveriam ter 10 equipes completas, tem apenas 2 ou 3 -, os pacientes começam a sobrecarregar emergências hospitalares.
“A partir do momento que a pessoa fica fora do Sisreg, acaba procurando emergência para resolver um problema simples, e lá não tem o perfil de resolver esse tipo de caso. Daí, esses pacientes ficam, muitas vezes, perambulando e tentando outros tipos de acesso”, destaca.
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Repercussão dos Guardiões
O impacto do escândalo dos Guardiões do Crivella continua a interferir na saúde do Rio. Funcionários da rede municipal informaram que a exoneração do coordenador geral da Atenção Básica da AP 5.3, José Carlos Dia Bicaco, se deu porque o vereador que o indicou ao cargo, William Coelho (DC), votou em favor da abertura do processo de impeachment contra Crivella, em 3 de setembro.
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A Secretaria Municipal de Saúde nega que haja redução na cobertura, dado que atendem, atualmente, mais de 4,6 milhões de pessoas, e que opera com 1.080 equipes - número bem superior ao apresentado em portal oficial do Ministério da Saúde. A SMS afirma, ainda, que a exoneração de José Carlos Dias Bicaco faz parte das renovações do quadro de gestores, e foi substituído por outra gestora de carreira.
Sobre o atendimento da sogra de Gardênia, dona Maria Nazaré Santos da Silva, a RioSaúde aponta que a paciente deve ser avaliada antes pelo médico clínico geral da unidade de Atenção Primária e que, ao retornar para a avaliação ao final do mês, a consulta será marcada no SISREG para a data mais próxima no sistema. Atualmente, há mais de 13 mil pessoas na lista de espera do sistema para Consultas de Oftalmologia Gerais, como é o caso de dona Maria Nazaré.
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