Hospital de campanha do Maracanã - Luciano Belford
Hospital de campanha do MaracanãLuciano Belford
Por O Dia

Funcionários da saúde fazem, na manhã de hoje, uma manifestação em frente à Alerj para cobrar do governo do estado melhorias para a categoria. Seis meses após o início da pandemia da covid-19, os sindicatos laborais alegam que cerca de oito mil profissionais de diversas unidades estaduais estão com salários atrasados. Muitos foram demitidos e não receberam sequer a rescisão do contrato. E quem ainda está na frente de combate à doença sofre com condições de trabalho precárias e sobrecarga de serviço.

Segundo o Sindicato dos Enfermeiros (SindEnfRJ), oito unidades de saúde do estado estão com os pagamentos em atraso, além do Samu e dos hospitais de campanha.

"Os servidores estão desvalorizados, com os piores salários já vistos. Tivemos que entrar na Justiça contra a Fundação Estadual de Saúde para que fosse pago o piso salarial. Muitos trabalhadores não têm carteira assinada, direito de férias, direito de licença maternidade e décimo terceiro", afirma Líbia Bellusci, vice-presidente do SindEnfRJ.

Para Líbia, a pandemia da covid-19 só agravou a situação dos profissionais de saúde: "O governo viu mais de 40 trabalhadores morrerem, sem condições básicas de serviço, sem insumos, com equipe reduzida, com esgotamento profissional e sem equipamento de proteção individual. Esses, quando chegavam, eram em quantidade insuficiente. O Sindicato dos Enfermeiros precisou de uma liminar para afastar os trabalhadores do grupo de risco. Mas o estado recorreu, e tivemos mais mortes".

Ela chama atenção para a situação dos que atuaram nos hospitais de campanha. "Eram péssimas as acomodações e condições de trabalho. Antes de os hospitais fecharem, vieram os atrasos salariais e demissões em massa. Os trabalhadores foram jogados fora como lixo, pois não serviam mais para o estado. Mas eles têm famílias para alimentar, aluguel para pagar, entre outros compromissos", diz Líbia. 

Um enfermeiro que trabalhou no Hospital de Campanha do Maracanã conta que os problemas começaram com o atraso nas passagens e falta de medicamentos. Com a saída da Iabas, em junho, a Fundação Saúde assumiu a administração, e teve início o imbróglio para o pagamento dos salários.

"Eles começaram a não pagar o valor total, algumas pessoas não recebiam o dinheiro da passagem e mesmo assim eram descontadas se faltassem. Não havia medicações, principalmente sedativos, antibióticos e remédios para relaxamento muscular, usados na intubação. Em junho, as coisas pioraram, as escalas mudaram e o nosso pagamento atrasou. E começou o jogo de empurra entre Iabas e Fundação Saúde sobre a responsabilidade dos atrasados. Ficamos sem receber em julho e sem rescisão", diz Anderson Pereira.

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