PF diz que esquema de desvios na Saúde em Magé existia desde 2016
Deflagrada nesta quinta-feira, operação Garrote prendeu a secretária de Saúde do município e mais uma pessoa. Gabinete de vereador também é alvo de busca e apreensão
Apreensão foi levada para a Delegacia da PF de NiteróiEstefan Radovicz
Por Lucas Cardoso e Thuany Dossares
Rio - Após prender a secretária de Saúde de Magé e mais uma pessoa na operação Garrote, a Polícia Federal revelou que o esquema de desvios no SUS do município existia desde 2016. A informação foi passada pelo coordenador da operação, Pedro Bloomfield, nesta quinta-feira, durante entrevista coletiva na delegacia da PF, em Niterói, na Região Metropolitana. A investigação apura desvios de mais de R$ 9 milhões no município da baixada.
Segundo Bloomfield, a PF tem convicção de que, além da secretária, Carine Tavares, outros servidores da pasta também tinham participação efetiva no esquema de propinas. A negociata promovida pelo grupo teria favorecido o laboratório Cmelab, que seria do vereador Cleverson Vidal Ribeiro (PRTB), conhecido como Clevinho Vidal, outro alvo da operação.
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"Nossa convicção é que servidores da Secretaria de Saúde tinham participação efetiva no esquema, porque ele acontece desde 2016 e são fraudes muito claras, e qualquer tipo de diligência razoável identificaria e impediria essas ações. Pelo menos poderiam pedir mais comprovações desses exames", disse Bloomfield.
De acordo com as investigações, a empresa de diagnósticos, supostamente do vereador, foi contratada pela Prefeitura de Magé em licitações fraudulentas que teriam começado em 2016. O processo, ainda segundo o delegado da PF, tinha aspecto de legal porque era feito o chamamento público para concorrência, mas o Cmelab era o escolhido pelos envolvidos no esquema para vencer sempre.
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Além da irregularidade na licitação, o laboratório recebia valores superiores a quantidade de exames realizados durante o período de contrato. Tudo sem a cobrança da secretaria de Saúde, afirma o delegado. "Eram feitos 100 exames, mas pagavam 200", comentou Bloomfield.
Na operação, foram cumpridos dois mandados de prisão, um contra a secretária de Saúde de Magé, Carine Tavares, e para uma segunda pessoa que seria a proprietária de uma empresa laranja usada no esquema.
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A ação incluiu, ainda, sete mandados de busca e apreensão na Secretaria Municipal de Saúde, na Câmara de Vereadores e em outros endereços ligados aos investigados. O gabinete do vereador Clevinho Vidal estava entre os alvos de busca e apreensão. Nos endereços foram apreendidos celulares, computadores e documentos.
Em nota, a Prefeitura de Magé informou que ficou sabendo da operação na manhã desta quinta-feira e que, por isso, ainda apura os fatos divulgados. Os demais citados na matéria foram procurados, mas, até o momento, não se pronunciaram.