Neilton da Costa Pinto veste camiseta com o rosto do filho estampando nela e a frase 'Eterno João Pedro' - Acervo Pessoal
Neilton da Costa Pinto veste camiseta com o rosto do filho estampando nela e a frase 'Eterno João Pedro'Acervo Pessoal
Por Gabriel Sobreira
Publicado 29/10/2020 16:41 | Atualizado 29/10/2020 19:48
Rio - Durou aproximadamente seis horas, a reprodução simulada da morte do menino João Pedro Mattos Pinto, 14 anos, morto em maio desse ano, com um tiro de fuzil durante uma operação policial no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo.
“É o cumprimento daquilo que esperamos, que é a justiça. Eles (os policiais) falaram que fizeram a pericia, mas deixaram muito rastro, que os peritos estão encontrando com o Ministério Público. Estou com sede de justiça. Eu e minha família estávamos esperando essa reprodução. E chegou o grande dia. Sei que muitas lutas ainda virão, mas estamos no caminho certo”, desabafa Neilton da Costa Pinto, que durante toda a ação está com uma camiseta com o rosto do filho estampado e a frase ‘Eterno João Pedro’.
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Neilton conta cada dia sem a companhia do filho a dor só aumenta, a saudade também. “É muito difícil você passar tudo que estou passando sem poder fazer nada. É buscando a força em Deus. É o que eu tenho feito, eu e a minha família, creio que no final tudo vai dar certo. É o que a bíblia fala: ‘o choro dura uma noite, mas tenho certeza que a minha alegria vai chegar’. Um dia ainda vou voltar a sorrir, eu e minha família”, espera ele.
Amigos de João Pedro aproveitaram a reprodução simulada para fazer um protesto pacífico com cartazes em homenagem ao garoto. “Isso é muito gratificante. Meu filho deixou uma amizade, um legado, e isso é algo muito bom. Isso que eu vou querer guardar dentro de mim, a alegria, a amizade dele, o quanto ele era querido, só coisas boas. Isso que vou guardar dentro de mim”, diz Neilton.
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“Meu sonho é que a justiça venha ser feita, da melhor forma, para que os verdadeiros culpados venham ser punidos de acordo com a lei”, torce ele.
Para Fábio Amado, coordenador de Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ), é importante uma atuação em conjunto tanto da Polícia Federal quanto da Polícia Civil para que se possa chegar à verdade dos fatos. “A pessoa que disparou e os responsáveis precisam ser identificados e responsabilizados por essa morte tão cruel. É fundamental que haja uma integração entre as policias e uma cooperação para a família do João Pedro e a sociedade saibam o que realmente aconteceu”, defende Amado.
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Segundo o coordenador de Direitos Humanos da DPRJ, essa reprodução simulada dos fatos traz a possibilidade de avaliação de todas as versões que foram apresentadas. “Afastando as que não têm possibilidade de serem verdadeiras e trazendo maior luz para que o inquérito seja encerrado e seja oferecida denuncia para o ou os responsáveis”, afirma ele.