André Antônio Lopes, o Sargento Lopes (PSD), é suspeito de envolvimento com milícia: candidato a prefeito usa foto abraçado ao senador Flávio Bolsonaro em  perfil nas redes  - Facebook/Reprodução
André Antônio Lopes, o Sargento Lopes (PSD), é suspeito de envolvimento com milícia: candidato a prefeito usa foto abraçado ao senador Flávio Bolsonaro em perfil nas redes Facebook/Reprodução
Por Yuri Eiras e Anderson Justino
Rio - O vereador e policial militar reformado André Antônio Lopes, conhecido como Sargento Lopes (PSD), foi alvo de busca e apreensão da Polícia Civil na manhã desta segunda-feira, em Magé. A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) investiga se Sargento Lopes, que é candidato a prefeito no município da Baixada Fluminense, usava a força política e seu cargo de policial para facilitar a ação de uma milícia que atua há mais de três anos no bairro Suruí.
Lopes usou as redes sociais para se defender. Ele negou fazer parte de milícia e disse correr risco de vida. "Há duas formas de parar o Sargento Lopes: uma é a bala, que já estamos esperando por um atentado a qualquer momento. A outra é usando a justiça, como fizeram hoje. Colocaram minha família dentro da política", afirmou em vídeo. No fim de outubro, Renata Castro, cabo eleitoral da da família Cozzolino foi morta a tiros em Magé, dias após denunciar ameaças. A ação desta segunda-feira, no entanto, não tem relação com o assassinato.
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O filho de Lopes, conhecido como Andrezinho, é policial militar da ativa e também foi alvo de buscas. Ele é suspeito de agir dentro da corporação para apoiar as atividades do grupo criminoso. Celulares particulares foram apreendidos para que a Polícia Civil esclareça quais eram exatamente as funções de pai e filho.
"As investigações continuam em relação ao Sargento Lopes e dos demais alvos de busca. A gente sabe existe forte vínculo entre o Sargento Lopes e o grupo criminoso. E o Andrezinho facilitava algumas ações do grupo usando sua função", explicou o delegado Moysés Santana, titular da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). Ele investiga a atuação dos milicianos de Magé há mais um ano, desde que era da DH da Baixada Fluminense.
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Milícia investia em prostíbulo; chefe tentou esconder arma
Além dos 29 mandados de busca e apreensão, dez mandados de prisão foram expedidos e nove deles foram cumpridos. O principal contra André Cosme da Costa, o André Careca, apontado como líder da milícia de Magé. Ele foi encontrado em casa, uma residência de certo luxo, com piscina e carro novo na garagem. Careca também tinha uma miniatura de uma viatura da PM. Na chegada da polícia, o miliciano chegou a jogar uma arma em cima do telhado para despistar. Pistola, um taco de basebol, roupas camufladas e dinheiro foram encontrados com André Careca.
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Polícia Civil e Ministério Público fazem operação contra a milícia de Magé. Na foto sendo preso em sua casa o  André Cosme da Costa Franco, vulgo André Careca, apontado como líder do grupo paramilitar. - Daniel Castelo Branco
Polícia Civil e Ministério Público fazem operação contra a milícia de Magé. Na foto sendo preso em sua casa o André Cosme da Costa Franco, vulgo André Careca, apontado como líder do grupo paramilitar.Daniel Castelo Branco


O delegado Moysés Santana afirmou que aproximadamente 15 homicídios ocorreram a mando da milícia de André Careca nos últimos meses. "A investigação levou cerca de oito meses. É uma organização criminosa muito violenta. A investigação começou após muitos homicídios. A gente estima que foram de dez a 15 nesses oito meses". Segundo o delegado, muitos assassinatos e torturas, principalmente contra usuários de drogas e traficantes, aconteceram em plena luz do dia. "Os homicídios eram cometidos contra pessoas que não pagavam taxas, mas também contra traficantes, pessoas que fazem uso de drogas na região. Era uma espécie de 'limpa'. Muitos dos crimes eram praticados à luz do dia", afirmou.
Segundo Fábio Corrêa, promotor do Ministério Público do Rio (MPRJ), o grupo de André Careca praticava "atividades típicas de milícia" em alguns bairros de Magé, principalmente em Suruí. Faziam parte do controle a venda de água, gás, cestas básicas, TV a cabo clandestina e cigarro. Segundo Corrêa, foi encontrado até "a existência de um possível prostíbulo de administração do grupo".
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Na ação que prendeu nove pessoas, agentes apreenderam quatro pistolas e um revólver, além de facas, celulares, dinheiro e um carro de luxo. 
Quatro PMs são suspeitos de envolvimento
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Equipes da Corregedoria da Polícia Militar também participaram da operação da Polícia Civil em Magé. Segundo a corporação, "foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra quatro policiais militares" até o momento. Os nomes e os batalhões não foram divulgados, mas um deles é Andrezinho, filho do Sargento Lopes.
Milícia matava para 'manter a ordem'
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O Ministério Público do Rio (MPRJ), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ), também foi responsável pela operação. O MP afirmou que a milícia "possui dimensões consideráveis, atuando de forma setorizada, e instalando verdadeiro regime de terror em alguns bairros do município de Magé". "As investigações apontam que os integrantes figuram como autores de homicídios e torturas ocorridos na região, com o intuito de 'manter a ordem' e impor seu domínio territorial".