Secretário Estadual de Educação, Comte Bitencourt, na posse dos eleitos de Itaocara, no Noroeste Fluminense. - Foto: reprodução internet
Secretário Estadual de Educação, Comte Bitencourt, na posse dos eleitos de Itaocara, no Noroeste Fluminense.Foto: reprodução internet
Por Gabriel Sobreira
Rio - A semanas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o titular da Secretaria de Estado de Educação (Seeduc), Comte Bittencourt (Cidadania), não concorda que o exame seja realizado nos dias 31 de janeiro e 7 de fevereiro deste ano. "Estou no grupo que, se pudesse decidir, o Enem não seria agora em janeiro. Seria mais para o meio do ano. Mas está marcado, os alunos farão essa prova", afirma Bittencourt.
O secretário estadual de Educação garante que a rede estadual estará preparada para o ensino híbrido remoto, que inicia em 1º de março. Antes, em 8 de fevereiro, começa o período letivo com avaliação diagnóstica, de ambientação e acolhimento dos 700 mil alunos em 1.200 escolas.
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"A rede estadual estará preparada para o ensino híbrido. Tanto no aspecto de protocolos sanitários, quanto no aspecto tecnológico", atesta ele, que está no cargo desde 25 de setembro de 2020. "A rede estadual começa 2021 em um cenário infinitamente melhor do que foi 2020, mas ainda muito desafiador", completa.
Para melhorar a conectividade nas unidades escolares – que atendem do 6º ano do fundamental ao 3º ano do ensino médio -, elas ganharão uma maior velocidade. Para se ter uma ideia, até o fim de 2020, era 1 mega de velocidade para cada unidade. Neste ano, o salto da velocidade será de 20 megas até 100 megas, dependendo do tamanho da unidade escolar. Um investimento de R$ 4 milhões, de acordo com a Secretaria de Estado de Educação (Seeduc).
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"É inadmissível o Rio de Janeiro ter uma conexão de 1 mega por escola. Imagina 2 mil alunos tentando usar o wi-fi com uma conexão de 1 mega. Imagina a tragédia que tem sido a conectividade das escolas do Rio de Janeiro. Esse primeiro movimento que fizemos, as escolas estão contratando a conexão, vamos ter no mínimo 20 megas de conexão e vamos ter escolas com 100 megas. Vamos passar a ter uma conectividade que permita a escola nesse retorno híbrido a ela ter uma velocidade na sua conexão o que não existia na rede estadual", afirma Comte.
Ainda na intenção de reforçar a estrutura tecnológica escolar, o secretário conta ainda a compra de aproximadamente 100 mil novos computadores. "Todos escolhidos por professores representantes dos sindicatos, onde escolheram o tipo de hardware que acham que a escola tem que ter para embarcar nessa nova tecnologia usada pelos alunos e professores", pontua ele, que é professor.
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ALUNOS COM DIFICULDADE DE ACESSO
Nos números do secretário, 85% dos alunos tem algum dispositivo para navegar na internet, como celular, mas ele pondera que a conexão é por tempo limitado já que as famílias não têm renda para contratar uma conexão 24h. Para resolver esse problema, ele já enxerga uma solução. "O estado já está contratando uma plataforma que vai embarcar tudo isso de ensino remoto, videoaulas, material impresso em PDF, e vamos ter aula ao vivo no Google Classroom. Coisa que não aconteceu no ano passado. Alunos e profissionais vão poder navegar sete dias da semana 24h naquele ambiente sem usar a conectividade dele", ressalta.
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Mas quando se tratam dos 15% de alunos que não tem qualquer dispositivo, o secretário não escolhe meias palavras. "Essa solução ainda não tenho. Caso não volte o presencial no formato hibrido, vamos trabalhar esse material impresso mensal. Não vou sair anunciando que vou comprar tablet, dispositivo, porque o dinheiro público precisa ser bem aplicado. Vou aguardar um pouco mais, vamos trabalhar esses meninos caso o plano seja só ensino remoto com material impresso e estamos tentando criar um dispositivo de tutoria dentro das escolas com horário marcado para tirar dúvidas do material", avalia Bittencourt.
PROTEÇÃO TAMBÉM FORA DAS ESCOLAS
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O secretário explica ainda que a Seeduc planeja duas possibilidades de retorno das aulas. A primeira é com o formato híbrido, com parte presencial e parte remota, seguindo protocolos sanitários com afastamento dentro das escolas, uma parte da turma presencial e outra remota em casa funcionando no rodizio. O segundo é só remoto.
"Estou com os protocolos sanitários do meu ambiente físico já adotados dentro da minha escola, mas e o aluno que vai pegar o transporte público para se deslocar até a minha escola, como fica a proteção sanitária dele?", questiona o secretário.
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Para Bittencourt, a tecnologia chegou para ficar. "Mesmo voltando presencial, a tecnologia embarcou definitivamente na escola”, afirma. "Avançamos em dez meses o que eu esperava há 20 anos para avançar. Havia muita resistência da área acadêmica no embarque da tecnologia especialmente na educação básica. Se olhar todas as pesquisas feitas durante a quarentena escolar, 80% dos professores brasileiros da educação básica antes da pandemia nunca tinham dado aula remota. Não tinham essa pratica, diferente do ensino superior, como ensino superior a distância, tinha uma pratica do cotidiano dos docentes. Na educação básica isso não era lugar comum", acrescenta.
ENEM SERIA EM DATA DIFERENTE, DIZ SECRETÁRIO
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Quando o assunto é o Enem, Comte lembra que, em outubro de 2020, chegou a retornar as aulas dos alunos da terminalidade por um mês e meio. “Mas depois trocou a bandeira amarela para laranja, tínhamos em algumas regiões vermelho e tínhamos estabelecido que o funcionamento presencial seria até a bandeira amarela. Tivemos que fechar. O que a gente tentou fazer nesse período foi mediar alguma coisa para que pudessem sentir mais preparados, nem que fosse do ponto de vista socio-emocional”, destaca ele.
 
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"O que passamos a perceber de forma concreta é que o país ficou mais desigual com essa pandemia porque negou acesso à informação a uma geração inteira durante esse ano e o nosso grande desafio é começar a recuperar isso em 2021. Não olhar 2020 como um ano perdido, mas aproveitar essas experiências todas exitosas, esse embarque definitivo da tecnologia como instrumento da prática pedagógica dos professores e das escolas e a gente tirar proveito disso incrementando a recuperação nos próximos anos", salienta Comte.