Fila de espera por leito de UTI atinge redes pública e privada
Fila de espera por leito de UTI atinge redes pública e privadaMiguel SCHINCARIOL / AFP
Por Beatriz Perez
Rio - Quem conta com um plano de Saúde no Rio também enfrenta filas e falta de leitos para internação em UTIs para covid-19. Algumas regiões já operam na capacidade máxima também na rede privada. É o caso da Região dos Lagos, do Centro Sul Fluminense e do Norte Fluminense. A ocupação em CTIs na rede privada chegou a 95% no Estado. A taxa supera a da rede pública do Estado, que está em 87,5% segundo divulgação da Secretaria Estadual de Saúde do Rio. 
O principal gargalo para a abertura de novos leitos é a falta de medicamentos, como anestésicos, bloqueadores neuromusculares e drogas para manutenção do coma induzido, o chamado "Kit intubação". As informações são da Associação dos Hospitais do Estado do Rio. 
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O diretor da Asherj, Graccho Alvim, diz que a situação é preocupante e que praticamente só a capital ainda dispõe de leitos na rede particular. "Difícil momento. A rede privada da capital é a única que ainda tem vagas. Além dela, restam alguns leitos disponíveis na Baixada e em Campos", conta. A ocupação de UTIs na rede privada da cidade do Rio também está alta, em 90%. No hospital São Lucas, em Copacabana, Zona Sul do Rio, por exemplo quatro pacientes aguardavam para conseguirem ser intubados na manhã desta segunda-feira.
Já a Casa de Saúde São José disse que prefere não abrir os números de internações, mas segue monitorando diariamente a evolução da pandemia no país e buscando adequar os leitos de acordo com a demanda, de forma a receber os pacientes com toda segurança. O hospital informou que não há desabastecimento de suprimentos utilizados em pacientes internados com covid-19 e que, atualmente, a média da faixa etária dos pacientes está entre 45 e 63 anos.
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Cremerj expressa preocupação com possível falta do “kit intubação” no estado do Rio de Janeiro
O Conselho de Medicina do Rio (Cremerj) divulgou nota técnica expressando preocupação com uma possível falta de medicamentos no estado do Rio de Janeiro de fármacos usados em procedimentos recomendados para alguns pacientes com Covid-19, como a intubação traqueal e ventilação mecânica, também conhecidos como “kit intubação”. Considerando o alto índice de pacientes que necessitam atualmente desse tipo de terapêutica e o aumento da fila de espera por UTIs, que, nesta segunda-feira, ultrapassava o número de 700 pessoas aguardando, o Conselho recomenda aos médicos cautela na hora de usar esses medicamentos.
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Na última terça-feira, 23, o Cremerj já havia publicado uma nota técnica com recomendações a respeito. No entanto, devido ao agravamento do cenário da saúde pública do Rio de Janeiro nos últimos dias, o Conselho reforça algumas orientações aos médicos, principalmente os anestesiologistas, que, priorizem, em procedimentos anestésico-cirúrgicos, a utilização de fármacos que não estejam sendo usados nas UTIs, como os anestésicos inalatórios e bloqueios regionais, desde que a alteração não comprometa a segurança do ato anestésico-cirúrgico.

Além disso, o Cremerj orienta a interrupção provisória no agendamento de procedimentos anestésico-cirúrgicos eletivos não tempo-sensíveis (que a espera pode agravar), nos quais venham a ser utilizados quaisquer desses medicamentos, com a finalidade de poupá-los para as UTIs

“Estamos agindo por precaução. Não existe uma falta, mas a demanda está alta por esses medicamentos, muito maior do que a habitual. Isso é um fato. Precisamos nos prevenir em prol da qualidade da assistência médica no nosso estado e para garantir o melhor tratamento para os nossos pacientes”, explica Walter Palis, presidente do Cremerj.

A nota técnica também chama a atenção para a importância de os gestores públicos providenciarem, com urgência, vacinação para todos os médicos e demais profissionais de saúde, além de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) em larga escala para o uso deles. O documento pede, ainda, que as autoridades sejam provedoras de leitos de qualidade para a assistência da população, sejam eles de enfermaria ou de UTI para tratar casos de Covid-19 ou outras doenças.
Rede Pública
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O sistema hospitalar no estado e no município do Rio enfrenta um dos períodos mais duros desde o início da pandemia. Na capital, o tempo médio registrado na manhã desta segunda-feira (29) para pacientes com covid-19 que aguardam uma vaga na UTI é de 20 horas na rede pública, e durante a tarde 178 pessoas aguardavam na fila de espera em busca de conseguir o tratamento contra a doença. A Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que até a próxima semana, em ação conjunta com o Ministério da Saúde, será feita a abertura de 557 leitos, sendo 324 de UTI no estado para diminuir a lotação na rede hospitalar.

A taxa de ocupação de UTIs divulgada pelo estado nesta segunda-feira foi de 87,5%. Na capital, a ocupação dos leitos disponíveis estava em 89% no fim da tarde desta segunda-feira.
Autoridades tentam compra de medicamentos
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No estado, a SES afirmou que nesta segunda foi realizada a entrega dos medicamentos do “kit intubação” para 22 municípios do estado. A Secretaria também informou que espera receber ainda na próxima semana uma nova remessa do Ministério da Saúde, órgão responsável pelo fornecimento aos estados.

Em relação ao município do Rio de Janeiro, a SMS informou que a preocupação com a escassez desses remédios é nacional e que os estoques do medicamento estão equilibrados nas unidades hospitalares da rede municipal.

A Secretaria também disse que cabe ao Ministério da Saúde a responsabilidade pela compra e entrega aos municípios, e que há negociações em andamento para que o abastecimento dos fármacos permaneça de forma contínua.
Em nota, o Ministério da Saúde disse que o secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, Luiz Otávio Franco Duarte, esteve em São Paulo na sexta-feira (26) fechando acordos para envio de mais sedativos. A empresa MSD se comprometeu em enviar mais 545 mil ampolas. Desse total, 470 mil unidades são para os próximos 7 dias e outras 75 mil para os próximos 15 dias. Em outra reunião, ficou acordado com a empresa Achè 129 mil unidades de medicamentos para intubação. A pasta diz que a medida respeita as realidades de cada fabricante, contratos prévios e a necessidade do cidadão brasileiro.
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Os medicamentos da MSD terão entrega imediata e acontecerão até o dia 1º de abril. Todos os acordos firmados até agora contemplam hospitais públicos e privados nas regiões de maior criticidade. Outra indústria, a União Química começou, na quinta-feira (25), o envio dos medicamentos para intubação acordados com o Ministério da Saúde em comitiva técnica realizada, também em São Paulo, nos dias 22 e 23/03. O primeiro lote, com 165 mil de sedativos, de um total de 1,4 milhão de unidades, chegou no depósito de Guarulhos. Assim que todas as entregas desses acordos com as indústrias chegarem aos estados, caberá aos gestores locais organizarem e distribuírem os medicamentos aos municípios e estabelecimentos de saúde, conforme demandas e realidades.

O Ministério da Saúde também firmou acordo com outras duas indústrias, a Cristália, que firmou acordo de 1,2 milhão de unidades de medicamentos para intubação, e com a Eurofarma, que acordou o envio de 212 mil unidades dos sedativos. No total, a missão da garantiu mais de 2 milhões de unidades de medicamentos que integram o chamado kit intubação para os pacientes graves e gravíssimos da Covid-19.
Procurada, a Federação Nacional de Saúde Suplementar informou que ainda não foi notificada diretamente por hospitais sobre a falta de insumos ou leitos. Confira a nota na íntegra:
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"A FenaSaúde (Federação Nacional de Saúde Suplementar) trabalha em conjunto com outras organizações do setor de saúde para buscar soluções que garantam o enfrentamento ao atual quadro da pandemia, com oferta de leitos e de insumos.
Dado o agravamento da situação, neste momento todos os recursos devem ser direcionados para o atendimento aos pacientes de Covid-19 e a urgências que impliquem risco para a vida para os pacientes. A evolução da pandemia aproxima o sistema de saúde privado do colapso, o que exige uso racional dos recursos com foco total em salvar vidas.
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A entidade informa ainda que não foi notificada diretamente por hospitais sobre a falta de insumos ou leitos".
Já a Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) informou que apoia a iniciativa de suspensão imediata da realização de procedimentos eletivos adiáveis, nas regiões críticas do país, onde os insumos necessários para o correto atendimento estão escassos e a rede hospitalar sobrecarregada. Veja também na íntegra:
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"Frente à gravidade do atual cenário da pandemia da Covid-19 no Brasil e aos desafios impostos ao sistema de saúde nacional, a Abramge – Associação Brasileira de Planos de Saúde – até mesmo em atenção ao exposto pelo CONASS (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) e CONASEMS (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde), apoia a iniciativa de suspensão imediata da realização de procedimentos eletivos adiáveis, nas regiões críticas do país, onde os insumos necessários para o correto atendimento estão escassos e a rede hospitalar sobrecarregada.
A suspensão dos procedimentos eletivos visa à segurança dos próprios beneficiários de planos de saúde e da sociedade devido ao altíssimo risco de contaminação. Além disso, a medida preza pela otimização do uso de leitos, de medicamentos, de anestésicos e até dos estoques de sangue, com propósito de priorizar quem realmente necessita neste momento tão crítico.
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A Abramge reforça que todos os atendimentos de urgência e emergência, cuja não realização possa causar dano ao paciente, tais como as oncológicas e cardíacas, e de suspeitas de Covid-19 devem ocorrer normalmente.
Infelizmente, a abertura de leitos hospitalares e a contratação de profissionais de saúde não conseguem acompanhar o ritmo do contágio, e a falta de medicamentos tem demandado esforços tanto da iniciativa privada como de associações e do próprio governo para agilizar o abastecimento dos insumos utilizados para manter os pacientes anestesiados e intubados.
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A Abramge enfatiza que é fundamental a população estar atenta e seguir as orientações das autoridades de saúde. Em caso de haver sintomas, o associado deve entrar em contato com a sua operadora para obter o melhor direcionamento para atendimento e não esperar o agravamento do quadro. Cerca de 90% dos casos são resolvidos pelo acesso à telessaúde, sem risco de exposição do paciente ou dos prestadores de saúde.
O distanciamento social e as demais medidas preventivas já tão divulgadas – uso correto de máscara, higienização frequente das mãos com água e sabão ou com álcool em gel, manutenção do ambiente bem ventilado e limpo – continuam apresentando os melhores resultados no combate ao coronavírus. Assim que houver suspeita de Covid-19, o paciente deve ficar em isolamento e identificar as pessoas com as quais teve contato, para barrar a cadeia de transmissão do vírus".