Nova liminar determina retorno presencial nas escolas do Rio
Documento assinado pelo desembargador Henrique Carlos de Andrade Figueira acolheu recurso da Prefeitura do Rio. SME garante retorno imediato
Especialistas defendem que o momento ainda não é para retornarReginaldo Pimenta/Agência O Dia
Por Anderson Justino
Rio - A Justiça do Rio, por intermédio do Plantão Judiciário, acatou o recurso da Prefeitura do Rio e decidiu liberar o retorno das aulas presenciais nas creches e escolas públicas e particulares do município. A nova liminar é assinado pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), desembargador Henrique Carlos de Andrade Figueira.
A Secretaria Municipal de Educação disse que a retomada presencial pode ser feita de forma imediata e autorizou que os colégios particulares pudessem abrir já na tarde desta terça. As 419 escolas e creches da prefeitura terão retomam as atividades presenciais nesta quarta (7).
O retorno presencial deveria ter acontecido na segunda-feira (5), mas uma decisão da justiça, publicada na noite anterior, suspendeu o decreto da prefeito Eduardo Paes. A liminar provisória foi assinada pelo juiz Roberto Câmara Lace Brandão, também do Plantão Judiciário. Ele acolheu uma ação popular assinada por vereadores e deputados estaduais.
Na segunda-feira, a juíza Georgia Vasconcellos da Cruz manteve a liminar provisória.
Publicidade
Figueira pontuou que “todas as escolas seguem o sistema de rodízio (...), mantendo distanciamento e os devidos cuidados pertinentes, também continuando com aulas através da via remota”.
“O que prevalece é o respeito aos critérios utilizados pelo Poder Executivo, a quem, por preceito de índole constitucional, cabe definir seus planos de ação no combate à pandemia. A separação dos poderes deve ser respeitada, diante da necessidade de se observar as escolhas administrativas tomadas com base em orientações técnicas, não competindo ao julgador substituir o administrador nas decisões tomadas”, avaliou o presidente do TJ.
Publicidade
O Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe) reafirmou que os professores da cidade do Rio estão em greve e disse que nunca foi consultado pela Secretaria Municipal de Educação para discutir o retorno presencial nas salas de aulas.
"Eles falam que o retorno é para preservar a saúde mental das crianças. Como fica a saúde mental dos profissionais da área da educação? Muitos pegam condução lotadas até chegar no local de trabalho. Tem muita gente assustada com o número de mortes que só aumenta. A vacina já está aí, não custa aguardar mais um pouco", dez a coordenadora geral do Sepe Dione Lins.
Publicidade
Em uma nota publicada nas redes sociais, o Sindicato dos Professores do Município do Rio criticou a volta às aulas. “O Sinpro-Rio lamenta que, mais uma vez, a preservação da vida tenha ficado em segundo plano em detrimento do lucro, manifestada na decisão do presidente do Tribunal de Justiça que, de forma rápida e oportuna, atuou em derrubar a liminar que proibia a reabertura das escolas no momento mais crítico da pandemia no Rio de Janeiro”.
O Sinpro também afirmou que continua com a Ação que questiona o decreto estadual que libera abertura de escolas na bandeira roxa e que “coaduna com o desprezo à preservação da vida”. Segundo o sindicato, várias escolas, mesmo antes da liminar, já haviam sinalizado a manutenção das atividades remotas.
Publicidade
Aulas na rede estadual permanecem suspensas
A Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) informou que entre os dias 5 e 12 de abril, estão suspensas as aulas presenciais em toda a rede estadual de ensino. A pasta explicou que as unidades escolares permanecerão abertas, para expedição de documentos, matrículas, retirada de material didático, além do kit alimentação.
Publicidade
"As aulas seguirão remotas (on-line), pela plataforma do Google Classroom, dentro do aplicativo de navegação gratuita Applique-se. As escolas vinculadas ao Sistema Estadual de Ensino do Rio de Janeiro, como grande parte das unidades particulares que oferecem Ensino Médio, podem funcionar com até 50% da capacidade, se a situação epidemiológica e o regramento municipal permitirem", completa a nota. Segundo a Seeduc, a legislação municipal sempre prevalecerá se for mais rígida do que a estadual.
Entidades médicas se posicionam em relação ao retorno das aulas presenciais
Publicidade
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou uma nota, no dia 26 de março, em que se manifesta contra a abertura de escolas neste momento de agravamento da pandemia. A instituição recomenda que o o retorno presencial às escolas seja o "mais precoce possível", mas recomenda que se leve em consideração os indicadores epidemiológicos. Nas últimas 24 horas, o estado do Rio registrou 347 mortes e 1.670 novos casos, enquanto a taxa de ocupação de leitos de UTI é de 89,7%.
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou, em janeiro deste ano, a Nota Complementar "Retorno Seguro às Aulas", válido para todos os estados brasileiros. No documento, a SBP pede mais agilidade por parte dos gestores públicos e privados na busca por soluções das questões estruturais. A sociedade ainda sugere que se realizem treinamentos para os professores e que se avalie adequadamente a infraestrutura técnológica, além da disponibilidade de água e sanitários, para um retorno seguro às aulas.
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.