Verador Dr. Jairinho no dia em que foi preso pela morte do menino Henry
Verador Dr. Jairinho no dia em que foi preso pela morte do menino HenryReginaldo Pimenta - 08/04/2021
Por Anderson Justino
Rio - Traços de um psicopata, manipulador, mentiroso e um homem muito agressivo. É assim que a assistente social Debora Saraiva, de 34 anos, ex-namorada do vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, o enxerga hoje, após a morte do menino Henry Borel. A mulher, que tem um casal de filhos de um relacionamento antigo, viveu com o político, entre idas e vindas, segundo ela, por seis anos. "Ele aparenta ser uma pessoa dócil e educada, mas quando passa a agredir, o rosto dele muda assustadoramente. Vai pra cima, não mede a força, do nada para de bater e muda completamente. Na maioria das vezes falava que não tinha feito nada", revela a moça, sobre as agressões sofridas por ela.
Para a Polícia Civil, Debora pode ser testemunha chave para conclusão do perfil de Jarinho. Ela, que prestou depoimento no início das investigações, retorna à 16ª DP (Barra da Tijuca) nesta sexta-feira (16) para nova declaração.
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Em entrevista ao jornalista Roberto Cabrini, da TV Record, a moça disse que irá contar toda a verdade sobre seu relacionamento com o vereador. Ele revelou que Monique foi alertada sobre quem era Jairinho.
"Eu não falei tudo no início porque tive muito medo. Me senti intimidada porque ele me ligou quando soube que fui intimada. Ele (Jairinho) disse que eu deveria contar toda a verdade sobre o que vivemos. Senti isso como uma ameaça, porque se contasse tudo, todos saberiam quem era esse homem".
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Segundo Débora, Jairinho era um homem muito ciumento. Em um dos episódios de violência ele a aplicou um "mata leão" (golpe usado por lutadores de artes marciais), mordeu três vezes sua cabeça e ainda quebrou um dedo do pé.
Ela conta que a primeira agressão foi quando descobriu no celular dele uma conversa entre o vereador e a ex-mulher. "Eu fui questionar porque ele pedia para reatar com ela e acabei apanhando. Ele agarrou no meu pescoço e disse que me mataria. O Jairinho disse que ia sumir com meu corpo e depois contaria uma história para minha família. Ele ia inventar que saí de casa e não voltei", revela.
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A assistente social relata que Jairinho buscava se aproximar de seu filho, na época com dois anos, mas estranhava que a criança não queria estar perto do padrasto. Na primeira vez que ficou sozinho com Jairo, o menino fraturou o fêmur. Ela também revela que o político insistia em dizer que iria exercer o papel de pai de seu filho.
"O Jairinho contou uma história. Disse que meu filho fraturou quando foi sair do carro. Como percebi essa distancia, passei a desconfiar", explica a jovem que continua: "Meu filho hoje tem oito anos. Quando soube da morte do Henry, ele me contou outro episódio de agressão. Ele disse que em uma noite que todos estávamos dormindo o Jairinho colocou papel e pano na boca dele e subiu com força na barriga. Antes da gente dormir, minha filha, que tinha seis anos, viu um pó branco na agua que bebemos. Acredito que ele dopou a gente".
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MONIQUE FOI ALERTADA
Em continuidade à entrevista para Cabrini, Debora explicou que terminou seu relacionamento com Jairinho depois que soube de Monique. "Eu soube no início de outubro que eles estavam juntos. E decidi me afastar de vez".
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A jovem revela que esteve com Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, e contou para ela quem era Jairinho e o que ele fazia. "Eu a procurei e conversei com ela. O que eu falei pra ela foi o que ele fazia comigo. Expliquei que tinha um relacionamento de seis anos e que ele insistia para voltar. Monique disse que ele explicou que antes de ficar com ela, ele tinha uma pessoa, mas que tudo tinha acabado. Expliquei detalhadamente que ele era violento", concluiu.