Rio de Janeiro 08/06/2021 - Dia nacional da imunização. Na foto acima o Pedro Soares. Foto: Luciano Belford/Agencia O DiaLuciano Belford/Agencia O Dia

Por Jorge Costa*
Rio - O município do Rio de Janeiro já alcançou cerca de 43,8% da vacinação para o público alvo e é uma das capitais com a campanha de imunização mais acelerada da região sudeste. A primeira dose foi aplicada no dia 18 de janeiro, no Cristo Redentor, e quase seis meses depois, a avaliação de especialistas é que a prefeitura tem utilizado de maneira positiva a estrutura pública de saúde para promover a proteção da população carioca, mas a demora na aquisição das vacinas pelo Ministério da Saúde e os problemas com a gestão da segunda dose são desafios a serem discutidos durante o Dia Nacional da Imunização, celebrado nesta quarta-feira (9).

No estado, a capital do Rio tem uma das campanhas mais aceleradas, municípios da Região Metropolitana também informaram sobre as suas taxas de vacinação. Niterói tem aproximadamente 43% da população vacinada , São João de Meriti (30%) e São Gonçalo (32,74%) também ultrapassaram a taxa de 3 a cada 10 pessoas imunizadas. Duque de Caxias (24%) e Nova Iguaçu (23,2%) também avançam na vacinação, mas ainda um pouco atrás das outras cidades.

Entre as capitais da região sudeste, o Rio de Janeiro vacinou 43,8% do público alvo estimado; Belo Horizonte, em Minas, também atingiu 43,8% de cobertura da primeira dose; o município de Vitória, no Espírito Santo, alcançou 42,2% de vacinação na cidade. A prefeitura de São Paulo não informou o número percentual, mas uma estimativa feita pelo DIA a partir dos dados do IBGE, mostra que 32,68% da população absoluta foi vacinada. No entanto, o cálculo não exclui o número de menores de idade residentes da cidade paulistana, diferente das outras cidades comparadas, o que significa que o valor percentual é maior.

O DIA ouviu servidores da Secretaria Municipal de Saúde que atuam tanto na gestão quanto na linha de frente da vacinação. Eles mencionaram que promover a imunização da população é uma grande responsabilidade e comentaram sobre como se sentem por fazer parte do processo.

Na quarta-feira (9), a cidade vai contemplar os profissionais da educação e quem vai estar na linha de frente para receber este público é o enfermeiro Pedro Soares Ribeiro da Silva, de 33 anos. Ele aplica as doses de vacinas nas pessoas que chegam na Cidade da Música, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, e disse que a experiência de poder ajudar a população a se proteger tem sido especial.

"Nós trabalhamos com todos os tipos de emoção e levamos esperança para a população. Muitas pessoas vem aqui de forma consciente e com muita fé, tendo noção da importância do que é receber a vacina contra a covid-19. Então isso tem sido muito importante para o nosso trabalho. Eu me sinto honrado de fazer parte dessa história, pois ofereço essa ajuda para quem precisa. Através da vacina conseguimos avançar na prevenção contra a doença", afirmou.

Quem também atua dando suporte às distribuições de vacinas é Camilla Barros. Ela é supervisora geral do ponto de vacinação na Cidade da Música e tem como responsabilidade estar à frente da gestão e do controle daquele local. Com uma equipe de 26 pessoas, ela mencionou que em média são feitas 800 vacinações por dia, e lembra que o número já chegou a alcançar a marca de 1500 doses sendo distribuídas. Perguntada se tem algum sentimento afetivo pela imunização, ela não escondeu o carinho que tem pelo trabalho.

"A vacina de covid-19 foi muito esperada e traz esperança para a população. As pessoas ficam muito emocionadas pelo ato da vacinação em si e ficam agradecidas pela organização que temos feito no local. Hoje mesmo tivemos uma situação de uma senhora de 85 anos, cadeirante, que perdeu o cartão de vacinação para a segunda dose chegou chorando achando que não conseguiria se vacinar. Acalmamos ela e confirmamos tudo nos nossos registros, após a consulta do CPF fizemos uma segunda via do seu comprovante, ela se vacinou e saiu super feliz do posto, então isso emociona a gente também", disse.

Na gestão da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) a assessora da coordenação de imunização, Silvana Holanda Neres, 44, comentou sobre a meta de sua equipe estabelecida pelo Ministério da Saúde, de garantir a cobertura de 90% da vacinação na capital do Rio de Janeiro. Mais 12 colegas integram o time que é responsável pela logística de envio de vacinas para 280 pontos de vacinação e o controle de segurança para possíveis eventos adversos.

"Nosso trabalho aqui na coordenação é organizar toda a campanha, somos uma equipe de 13 pessoas que é dividida em grupos de trabalhos. Nossa missão é garantir a vacinação plena da população carioca. Estávamos vacinando dentro de grupos e conseguimos quase 100% dos idosos e um percentual alto de trabalhadores da saúde, agora vamos partir para a população em geral", disse.

Especialistas fazem balanço da vacinação no Rio e no país

A presidente da Sociedade de Infectologia do Rio de Janeiro, Tânia Vergara, apontou que apenas 14,4% da população recebeu as duas doses da vacina. Ela reconheceu que o município tem vacinado a população ininterruptamente, mas disse se preocupar com as abstenções para receber a segunda dose, como vem acontecendo.

"Sem a vacinação completa, os objetivos da vacina não são alcançados, nem de forma individual, nem coletiva. Quanto mais rápido o ritmo da vacinação, menor o risco de aparecimento de variantes que possam escapar aos imunizantes disponíveis e maior a possibilidade de alcançar a tão desejada imunidade de rebanho", disse.

Ela elogiou o Programa Nacional de Imunização (PNI) e disse que a equipe responsável pelo planejamento de campanha já atuava com grandes campanhas de vacinação, citando a gripe como um exemplo.

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Alberto Chebabo, ponderou sobre os pontos positivos e negativos que envolveram a vacinação desde janeiro.

"Avançamos na questão de disponibilizarmos um número grande de locais de vacinação e mostramos a capacidade do SUS de imunizar as pessoas a partir do momento em que temos vacinas. O maior erro foi não termos elas para que a nossa estrutura pudesse ser aproveitada em ampla capacidade. Poderíamos imunizar 1,5 ou 2 milhões de pessoas por dia no Brasil, mas agora estamos aplicando menos de 1 milhão de doses por dia apesar de ter uma boa estrutura. Faltou interesse no Ministério da Saúde em adquiri-las no momento certo", afirmou.

A médica geriatra e psiquiatra Roberta França lamentou o atraso na demora para aquisição das vacinas e criticou as lideranças políticas responsáveis pela campanha no país.

"Infelizmente o que nós acompanhamos no nosso país desde o início é o total descaso do país com a covid-19. A gente vê aí o absurdo em relação ao Governo Federal que foi negligente desde o começo quando se podia fazer a compra das vacinas. Nós não temos os insumos necessários e não foi pensado uma campanha global com estratégias e dificuldades atreladas a cada região, a chegada dessas vacinas, o tipo de imunizante e como seria. Então, infelizmente, o avanço da nossa campanha está a passos de tartaruga", disse.
*Estagiário sob supervisão de Thiago Antunes