Casa foi monitorada antes da operaçãoDivulgação

Por Aline Cavalcante
A Polícia Civil monitorou a rotina de Wellington da Silva Braga, o Ecko, durante seis meses antes da operação onde o miliciano foi morto no último sábado. Já com drones, os investigadores conseguiram monitorar durante um mês a casa e estiveram no local dias antes, na comunidade das Três Pontes, em Paciência, na Zona Oeste do Rio, considerado o reduto do miliciano.
Através do drone e da planta da casa, além de imagem aérea da casa e até do sistema de segurança da casa, a polícia sabia como funcionava cada cômodo e como estavam distribuídos. Assim, montaram a planta da residência, além de mapear as possíveis rotas de fuga. 

A Polícia Civil também estudou onde o criminoso ficava até chegar na residência, onde morava a mulher e os filhos, e a quantidade de seguranças e carros que Ecko dispunha. Os investigadores sabiam com quem ele falava, por quais comunidades andava e até onde familiares moravam. A informação era de que o Ecko ia de três a quatro vezes na semana na casa em que foi capturado. Só pessoas de confiança do miliciano sabiam da existência do imóvel.
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Planta da casa onde Ecko foi capturado - Divulgação
Planta da casa onde Ecko foi capturadoDivulgação
"Identificamos aquela casa há um mês e meio e conseguimos identificar a rotina dele. A própria família dele só saía da casa após o veículo entrar na garagem e o portão fechar. A família não circulava pela vizinhança", relatou o delegado Felipe Curi, diretor do Departamento de Polícia Especializada (DGPE).
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Uma farda idêntica às usadas por policiais militares foi encontrada na casa de Ecko. Na roupa, havia a inscrição "Braga", sobrenome do paramilitar. Investigadores da Polícia Civil acreditam que ele tenha chegado à residência, na manhã de sábado, vestindo o fardamento.
A farda confirma outra suspeita da Polícia Civil de que Ecko contava com proteção de policiais militares. Através de escutas telefônicas autorizadas pela justiça a polícia conseguiu identificar que policiais faziam a segurança de Ecko, facilitando sua circulação nas comunidades e o vazamento de operações contra ele. Alguns já foram identificados.
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"Uns já foram identificados e outros estamos bem perto de identificar. Já suspeitamos quem são. Estas pessoas irão responder pelos crimes", afirmou Curi.
No último sábado, o delegado Felipe Curi, diretor do Departamento de Polícia Especializada (DGPE), deu detalhes da ação intitulada "Dia dos Namorados".
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"Tivemos uma confirmação de que ele tinha chegado ao local por volta das 4h. Não tínhamos 100% de certeza, e sim 95%, mas só entraríamos com 100%. Fizemos uma diligência e confirmamos. Tivemos um efetivo muito reduzido, com 20 policiais. Equipes entrando na parte de trás da casa, outros entrando pela frente. Quando o helicóptero sobrevoou, ele tentou fugir justamente por trás. Houve algum confronto, e ele voltou pela frente. As equipes que entraram pela frente literalmente deram de cara com ele, e o neutralizamos", disse o delegado.
Atuação da milícia
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Além da cobrança de taxas ilegais de segurança para moradores e comerciantes, a milícia de Wellington da Silva Braga, o Ecko, também investia na monopolização da venda de cestas básicas em comunidades dominadas da Zona Oeste. Uma das anotações encontradas no caderno do miliciano, morto no último sábado (12) pela Polícia Civil, revela a compra de R$ 100 mil em cestas básicas.
Em uma outra apuração da especializada, antes da morte de Ecko, o grupo miliciano armou um esquema de agiotagem, realizando empréstimos de dinheiro sob juros abusivos. No caderno apreendido, uma anotação de Ecko mostra que os empréstimos chegavam a R$ 50 mil para uma única pessoa.

A Polícia Civil do Rio acredita que o caderno apreendido na casa do miliciano, com cerca de 60 páginas com anotações de repasse de armamento de guerra e munições, possa ajudar no andamento das investigações da Força-Tarefa montada para desarticular os principais braços financeiros que eram mantidos pelo criminoso.