Animais morreram após fugir de área de adaptaçãoReprodução/Fórum Animal

Rio - A Polícia Federal prendeu em flagrante por maus-tratos, na tarde desta quarta-feira (26), dois homens responsáveis pela manutenção das 15 girafas importadas da África do Sul pelo BioParque, e que estão no Resort e Safári Portobello, em Mangaratiba, na Costa Verde. Os animais também foram apreendidos. Ao todo, 18 delas desembarcaram no Aeroporto do Galeão, no dia 11 de novembro, mas três morreram após fugirem da área de adaptação onde estavam.

De acordo com a Polícia Federal, uma ação foi realizada a partir do inquérito instaurado pela Delegacia de Repressão a Crimes contra o Meio Ambiente e Patrimônio Histórico (Delemaph) para verificar informações sobre as mortes das três girafas. A operação contou com analistas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama)

Durante a ação, os agentes e os analistas constataram situação de maus-tratos dos animais. Os responsáveis pela manutenção deles foram presos e conduzidos à Superintendência da Polícia Federal no Rio, onde foi lavrado termo circunstanciado de ocorrência por maus tratos, crime previsto na lei de crimes ambientais.

A dupla foi interrogada e liberada após assumir compromisso de comparecer em juízo, por conta do enquadramento legal do tipo penal, com pena máxima inferior a dois anos, como crime de menor potencial ofensivo. As girafas ficaram sob os cuidados do Ibama, que vai fazer a supervisão e adotar as providências necessárias para garantir a integridade dos animais.

As investigações da Polícia Federal vão continuar para apurar as circunstâncias e a legalidade da importação dos animais, bem como as condições de manutenção e cuidado das girafas. Segundo o Ibama, além dos maus-tratos, foi constatado que as 15 estavam sendo mantidas em ambiente reduzido e sem acesso ao sol. O Instituto aplicou uma multa diária ao BioParque e deu um prazo máximo de 10 dias para que sejam feitas adequações nos recintos. Ainda de acordo com o órgão, as girafas vão continuar no hotel em Mangaratiba, "uma vez que o transporte para outros recintos poderia causar estresse e, consequentemente, mais óbitos."
Na última terça-feira (25), o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) recebeu os laudos das necropsias das três girafas que morreram e a expectativa é concluir a análise desses documentos até o final desta semana. Caso seja identificada alguma irregularidade, o órgão informou que pretende adotar medidas previstas na legislação ambiental. Além da investigação da PF, uma representação para apurar o caso está sob análise no Ministério Público Federal (MPF).
Procurado, o BioParque informou que as girafas não sofreram maus-tratos e que houve um equívoco na divulgação do que foi chamado de prisão dos representantes da empresa no hotel durante a diligência da PF e do Ibama. Segundo o zoológico, após a ação, colaboradores do BioParque foram conduzidos à Polícia Federal e prestaram os devidos esclarecimentos.

O BioParque também ressaltou que o grupo de girafas veio de um local autorizado para manejo sustentável e desenvolvimento comunitário com essas espécies na África do Sul e que a instituição foi devidamente aprovada pelos órgãos competentes brasileiros e sul-africanos. Disse ainda que não há ilegalidade no processo de importação, que foi aprovado pelos governos brasileiro e sul-africano e que toda a logística foi acompanhada por uma equipe técnica especializada em manejo de fauna.

Ainda segundo a nota, o recinto destinado às girafas no Portobello safari é de 43.695m² e o processo de adaptação realizado em três estágios técnicos, sendo adaptação e quarentena no cambiamento (baias); acesso ao primeiro estágio da área externa; e conforme a adaptação, acesso a área final de 43.695m², que foi aprovado previamente pelas autoridades competentes.

"O BioParque do Rio reitera sua absoluta responsabilidade com o manejo de fauna e com projetos de longo prazo de restauração da natureza, amparados em educação, pesquisa e conservação de espécies. Por isso, além do programa de conservação das girafas, o BioParque participa de vários programas de pesquisa e conservação e está à frente de um estudo nacional em biotecnologia para conservação de onças-pintadas." Confira a nota na íntegra.

Nota BioParque
"GIRAFAS NÃO SOFRERAM MAUS-TRATOS
O BioParque do Rio vem a público se posicionar com veemência a respeito da divulgação do que foi chamado, equivocadamente, de prisão de representantes da empresa no Portobelo Safári. Na tarde dessa quarta-feira, dia 26.01, foi realizada uma diligência do IBAMA com apoio da Polícia Federal ao Portobello Safari, onde permanece em adaptação as girafas. Após a diligência, colaboradores do Bioparque foram conduzidos à Polícia Federal e prestaram os devidos esclarecimentos.

O BioParque ressalta que:

1. O grupo de girafas veio de um local autorizado para manejo sustentável e desenvolvimento comunitário com essas espécies na África do Sul. A instituição foi devidamente aprovada pelos órgãos competentes brasileiros e sul-africanos;

2. Não há ilegalidade no processo de importação que foi aprovado pelos governos brasileiro e sul-africano;

3. Toda a logística foi acompanhada por uma equipe técnica especializada em manejo de fauna;

4. As girafas estão classificadas na categoria vulnerável pela lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e ter animais em outro continente é uma estratégia de preservação importante, a exemplo de outras espécies emblemáticas que foram salvas por projetos semelhantes: mico-leão-dourado e ararinha-azul;

5. O grupo de animais foi trazido para um programa de conservação da espécie de longo prazo;

6. O manejo ex situ de espécies é uma importante ferramenta complementar de conservação da biodiversidade, e a ele foi dedicado o artigo 9º da Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB), assinado pelo Brasil em 1992;

7. Atualmente, existem 16 girafas no país com grau de parentesco genético, que inviabiliza programa de longo prazo de conservação no Brasil;

8. O recinto destinado para as girafas no Portobello safari é de 43.695m². O processo de adaptação dos animais é realizado em três estágios técnicos: 1) adaptação e quarentena no cambiamento (baias), 2) acesso ao primeiro estágio da área externa e 3) conforme a adaptação, acesso a área final de 43.695m². Esse recinto foi aprovado previamente pelas autoridades competentes.

O BioParque do Rio reitera sua absoluta responsabilidade com o manejo de fauna e com projetos de longo prazo de restauração da natureza, amparados em educação, pesquisa e conservação de espécies. Por isso, além do programa de conservação das girafas, o BioParque, participa de vários programas de pesquisa e conservação e está à frente de um estudo nacional em biotecnologia para conservação de onças-pintadas.

A concessionária também participa de um projeto com guarás-vermelhos, que estiveram presentes na Baía de Guanabara há quase 100 anos e que estão passando por uma pesquisa para viabilizar a sua reintrodução na natureza. Ainda há outros projetos de destaque, como a reintrodução das araras-canindés no Parque Nacional da Tijuca, a instalação de um Centro de Conservação de Carnívoros para apoio aos órgãos ambientais no resgate, recuperação de espécies ameaçadas, sempre trabalhando alinhado e em parceria com diversas instituições de pesquisa e órgãos ambientais."