Rio - A decisão sobre paralisar ou não o atendimento a pacientes da Unimed Ferj ficará a critério de cada hospital. A informação é do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Casas de Saúde (SindRio) e da Associação de Hospitais do Estado do Rio (AHERJ), que iniciaram um movimento para descredenciar a Unimed Ferj em dezenas de hospitais e clínicas com os quais mantêm vínculo.
A decisão, unânime, aconteceu durante assembleia geral realizada na terça-feira (6). "A decisão de paralisação fica a critério de cada hospital. Os hospitais têm o direito de paralisação de atendimento aos usuários da Unimed Ferj por não conseguirem manter o atendimento dos segurados pela total falta de insumos. A rede hospitalar tem capacidade instalada, equipes profissionais, mas não tem insumos para o atendimento dos segurados Ferj, pois os fornecedores não atendem os pedidos para os procedimentos da Ferj", justificaram o Sindicato e a Associação por meio de nota.
Conforme divulgado anteriormente, há um prazo de 30 dias para que a interrupção seja consumada. No entanto, é necessário que antes sejam notificados alguns órgãos, como o Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ), a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e as secretarias municipal e estadual de Saúde, além do Sistema Unimed.
Nesta quinta-feira (8), a Unimed Ferj enfrentou mais um transtorno. O Procon Carioca estabeleceu prazo de 24 horas para a operadora esclarecer instabilidade e inoperância nos canais de atendimento e o descumprimento pode gerar multa e abertura de processo administrativo sancionador.
O que diz a Unimed
Procurada pelo DIA, a Unimed Ferj salientou que tem contrato vigente com cerca de 40 hospitais localizados no Rio e em Duque de Caxias. Destes, a maioria já está vinculada à Unimed do Brasil. A operadora ainda rechaçou a "narrativa que tenta atribuir à Unimed Ferj um suposto valor de dívida assistencial que jamais existiu" e se disse aberta ao diálogo.
Sobre a instabilidade e inoperância nos canais de atendimento, a empresa informou que o sistema precisou passar por uma atualização por conta da entrada em vigor do Acordo de Compartilhamento de Risco, em que a Unimed do Brasil passou a ser responsável pela assistência aos beneficiários, o que incluiu a alteração da numeração da carteirinha.
Relembre o caso
No ano passado, o DIA noticiou diversos casos de problemas no atendimento e falta de medicamentos para os usuários da operadora, especialmente pacientes oncológicos e crianças neurodivergentes. Em agosto, beneficiários atendidos pela Oncoclínicas e por outras unidades foram transferidos para então recém-inaugurado Espaço Cuidar Bem, em Botafogo, Zona Sul, após o descredenciamento da rede. Houve relatos de falta de profissionais, remédios e problemas na estrutura. O local chegou a ser autuado pelo Procon e virou alvo de uma ação judicial.
À época, a Unimed Ferj alegou que não havia ocorrido descredenciamento e que a Oncoclínicas seguia como parte da rede credenciada. No entanto, em reunião com a ANS, representantes da empresa afirmaram ter recebido da operadora um comunicado informando que todos os pacientes oncológicos seriam transferidos para o Espaço Cuidar Bem, com o descredenciamento da rede, contrariando a versão inicial. Quatro meses após os transtornos enfrentados pelos pacientes, a Unimed Brasil fechou acordos com seis redes hospitalares e de laboratórios para normalizar e ampliar o atendimento aos clientes.
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