“Foi perguntado se ele queria falar algo sobre o fato, mas disse que somente falaria em juízo”, detalhou o delegado, destacando ainda que o réu, de 18 anos, estava acompanhado de seus advogados.
Da sede da 54ª DP, Bruno Felipe foi encaminhado diretamente a uma unidade prisional da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap).
Antes de Bruno Felipe, os outros três adultos acusados pelo crime também já haviam se entregado. Mattheus Veríssimo Zoel Martins, de 19 anos, compareceu à 12ª DP (Copacabana) na manhã desta terça-feira (3).
Os quatro são réus pelos crimes de estupro qualificado, já que a vítima é menor de idade, e cárcere privado.
Sobre o adolescente de 17 anos, apontado como responsável por atrair a vítima para o apartamento onde se deu a violência sexual, o delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP, afirmou que solicitar a internação dele só será possível após um posicionamento da Justiça: "Neste momento, ele não é considerado foragido, porque são processos separados. Já pedimos a apreensão do menor".
Relembre o caso
O estupro coletivo ocorreu na noite de do dia 31 de janeiro, em Copacabana. Segundo a vítima, ela recebeu uma mensagem de um colega da escola, com quem já tivera um relacionamento anteriormente, a convidando para ir à casa de um amigo. Ao chegar ao prédio, o rapaz insinuou que fariam "algo diferente", o que foi prontamente recusado por ela.
No interior do apartamento, a jovem foi conduzida a um quarto, onde ficou trancada com quatro homens, que insistiram para ela manter relações com eles. Com a nova negativa, eles tiraram as roupas e passaram a cometer violências físicas e sexuais. Câmeras de segurança mostraram a chegada do grupo ao apartamento e a saída deles, pouco depois de 1h.
O Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), em decisão do desembargador Luiz Noronha Dantas, negou os habeas corpus pedidos por três dos quatro acusados. O processo corre em segredo de Justiça e não há informação sobre quais foragidos entraram com pedido.
Vítima com sangramentos
Segundo Lages, a adolescente chegou muito machucada à delegacia após os abusos: "Ela saiu do apartamento totalmente abalada psicologicamente, mas teve a coragem de contar o que aconteceu. Para ela, é um momento difícil, mas ela contou para o irmão. Assim que chegou em casa ela contou para a mãe, que não teve dúvida e procurou a Polícia Civil. Ela estava sangrando aqui na delegacia, totalmente abalada, com lesões aparentes”, lembrou.
O delegado explicou que a menina foi encaminhada para um exame de corpo de delito e prestou depoimento, que foi “totalmente compatível” com as lesões apresentadas. "O perito deixou isso muito claro. Tudo o que ela narrou era compatível com as lesões. Ela tinha lesões no órgão sexual, nas costas, nas nádegas… inclusive, ela tinha uma suspeita de fratura da costela. Isso tudo foi constatado pelo legista e batia exatamente com a narrativa dela, com o que ela declarou para a gente", descreveu.
Outras vítimas
Após a repercussão do caso de Copacabana, pelo menos mais duas vítimas procuraram a Polícia Civil, entre segunda (2) e terça (3), para denunciar terem sido estupradas por integrantes do mesmo grupo. De acordo com o delegado Lages, os criminosos agiram da mesma forma com as outras meninas.
Segundo ele, um dos crimes aconteceu em 2023, quando a vítima tinha apenas 14 anos: "A mãe veio até a delegacia. A gente ainda vai procurar a vítima para ouvi-la, mas o que ela relatou foi exatamente o mesmo modus operandi da primeira vítima. O adolescente infrator tinha a confiança dessa outra vítima, uma menina de 14 anos na época. Ele a atraiu para um apartamento e lá estava o adolescente infrator, o Mattheus e mais uma terceira pessoa, que ela conhece como Gabriel. A gente não sabe exatamente se é o João Gabriel, ainda vamos investigar. Essa segunda vítima disse que o crime aconteceu na casa do Mattheus. Essa investigação está muito no começo".
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