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Polícia busca integrantes do TCP em operação na Zona Oeste

Região da Vila Aliança, Senador Camará e Jabour estaria servindo como esconderijo para suspeitos de participação na morte de policial

Rio - Policiais civis e militares realizam, na manhã desta quarta-feira (29), uma operação contra integrantes do Terceiro Comando Puro, que atuam na Vila Aliança, em Senador Camará e no Jabour, na Zona Oeste. De acordo com investigações, a região pode estar servindo como esconderijo para suspeitos de participação na execução do policial civil Carlos Alberto Freire Neto. A ação foi encerrada com 14 pessoas presas. As equipes apreenderam quatro fuzis, uma pistola, drogas e dois veículos.
Para atrapalhar a operação, criminosos sequestraram um ônibus da linha 737 (Santíssimo x Cascadura) e utilizaram como barricada, na Estrada do Taquaral, na Vila Aliança. Além disso, atearam fogo em objetos também para bloquear vias da região.
Entre os presos está Jadilson Elias de Santana, conhecido como Jada e Baleado. Ele é apontado como um dos chefes do tráfico da Vila Aliança. O homem era considerado foragido da Justiça desde março de 2024, quando deixou o sistema prisional e não retornou, sem apresentar justificativa. Jada cumpria pena em regime semiaberto. Jadilson já foi condenado a 41 anos de prisão pelos crimes de tráfico de drogas, receptação e homicídio.
Durante a ação, a Polícia Civil também identificou conexões entre traficantes do TCP com criminosos da Bahia. Um dos detidos é Humberto da Silva Santos Filho, o Humbertinho ou Betinho, apontado pelas autoridades baianas como liderança do tráfico e integrante do "Baralho do Crime", um catálogo da Secretaria da Segurança Pública com foragidos mais perigosos do estado. Ele é o "Sete de Copas".
Os agentes ainda encontraram áreas de lazer usadas pela facção, um comércio de combustíveis roubados, uma central clandestina de internet e um escritório utilizado para estelionato, onde golpistas se passavam por funcionários da Caixa Econômica.
"Eles utilizam dinheiro do tráfico, da venda de drogas, de extorsões e de tudo que é comercializado dentro da comunidade de forma ilegal para estruturar áreas de lazer, já que possuem dificuldades de sair, pois muitos têm mandados de prisão pendentes. Há informações de inteligência de que esses locais não são utilizados apenas para lazer, mas também para planejar ataques e toda estrutura do tráfico de drogas. Desarticular o braço financeiro e toda estrutura econômica são essenciais para que a gente êxito em romper o tráfico", disse o delegado Alexandre Cardoso, titular da 14ª DP (Leblon), responsável pela investigação que gerou a operação. 
A ação acontece com base em apurações da 14ª DP e da 34ª DP (Bangu), que identificaram a atuação de traficantes na região. As equipes foram às ruas para cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão contra mais de 60 alvos.
Por causa da informação de possíveis esconderijos para investigados de envolvimento na morte do policial Carlos Freire Neto, agentes do Departamento-Geral de Homicídios e Proteção à Pessoa (DGHPP) também participam das diligências.
Os policiais ainda atuam para coibir práticas ilegais que afetam moradores da região, como cobranças indevidas relacionadas a serviços de internet, televisão e outras atividades comerciais exploradas por criminosos.
"Estamos desenvolvendo ações em favelas do TCP, já há algum tempo, com a finalidade de inibir a prática delituosa de roubos de veículos e de cargas. É uma megaoperação que envolvem as polícias Civil e Militar. Fizemos um planejamento prévio e conseguimos, muito embora tenha ocorrido confrontos, estabilizar o terreno. A partir daí, fizemos prisões e apreensões. Quantas vezes for necessário, nós entraremos aqui novamente. A população pode ligar para o Disque Denúncia e para o batalhão da área a fim de ajudar", destacou o coronel André Kazan, comandante do 14º BPM (Bangu).
Os policiais militares já retiraram cerca de 12 toneladas de barricada na região.
A ação conta com apoio de unidades dos Departamentos-Gerais de Polícia Especializada (DGPE), de Polícia da Capital (DGPC) e de Polícia do Interior (DGPI), além da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core).
A reportagem não localizou a defesa dos presos na operação. O espaço está aberto para manifestação.
Impactos
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), três unidades de Atenção Primária e um Centro de Atenção Psicossocial suspenderam o funcionamento para a segurança de profissionais e usuários.
O Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio (Rio Ônibus) informou que seis linhas que passam na região sofreram desvios. São elas:

- 731 (Campo Grande x Marechal Hermes);
- 737 (Santíssimo x Cascadura);
- 746 (Jabour x Cascadura);
- SV790 (Campo Grande x Cascadura);
- 803 (Jabour x Taquara);
- 926 (Senador Camará x Penha).
Morte de policial
Carlos Alberto Freire Neto, de 35 anos, morreu ao ser baleado na cabeça durante um ataque a uma viatura descaracterizada na Avenida Brasil, altura de Guadalupe, na Zona Norte, no dia 8 de julho. Mesmo ferido, o agente conseguiu dirigir para pedir socorro. Ele chegou a ser levado ao Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, na Zona Oeste, mas não resistiu.
Na ocasião, a também policial civil Julieli da Conceição Brandt, de 39 anos, acabou atingida na perna. Ela passou por cirurgia na mesma unidade e recebeu alta quatro dias depois.
A equipe, lotada na Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), fazia diligências de inteligência na região de Guadalupe quando foram atacados por criminosos da comunidade do Muquiço. Desde então, a Polícia Civil já prendeu oito homens e apreendeu um adolescente suspeito de envolvimento. Paulo Roberto Barreto da Silva, conhecido como PL e Arcanjo, também investigado, morreu em confronto.
Lideranças do Muquiço
A região tem como principal líder criminoso Bruno da Silva Loureiro, de 43 anos, conhecido como Coronel do Muquiço. Ele foi preso em junho deste ano no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, em Acari, ainda na Zona Norte, onde estava internado para tratar uma infecção. Coronel possui anotações por homicídio, tráfico de drogas e lesão corporal, sendo considerado de altíssima periculosidade pelas forças de segurança.
Outro nome que exerce liderança e que pode ter coordenado o ataque aos policiais é Carlos Eduardo Barros de Oliveira, o Grisalho. Oriundo do Complexo do Chapadão, na Zona Norte do Rio, ele também é apontado pelas autoridades como integrante de uma quadrilha especializada em roubos de carga. Contra ele há 14 mandados de prisão em aberto, um deles por homicídio.
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