Vandro Lopes Gonçalves, conhecido como Vandro Família, é candidato a deputado estadualDivulgação
No documento, o promotor Flávio Paixão de Moura Júnior cita a prisão de Vandro em 2012 e a investigação no âmbito da Operação Roma, deflagrada em 2012, para apurar possível ligação com a milícia em Magé. A Procuradoria cita ainda três ações penais relacionadas às mortes de Joelson Carlos Suterio, Elias Botelho Souza e Wanderley Francisco de Mendonça.
O parecer também menciona a Operação P9, deflagrada em 2019, quando Vandro foi alvo de um mandado de busca e apreensão durante uma investigação sobre um suposto grupo de extermínio e a morte de Paulo Henrique Dourado Teixeira, o Paulinho P9.
"Conquanto não se extraia da informação final da Secretaria nenhuma falha na instrução do pedido de registro, o seu indeferimento é medida que se impõe. Isso porque a candidatura pretendida colhe óbice no entendimento consolidado pelo Tribunal Superior Eleitoral no sentido de interditar o acesso de pessoas envolvidas com organizações criminosas aos cargos públicos eletivos", afirma um trecho do parecer, assinado pelo promotor Flávio Paixão de Moura Júnior e encaminhado ao desembargador Guilherme Calmon Nogueira da Gama, responsável pela análise do caso.
Histórico
Esta não é a primeira vez que o Ministério Público Eleitoral tenta impedir a candidatura de Vandro Família. Em setembro de 2022, durante a campanha eleitoral daquele ano, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) indeferiu o registro do político em razão de uma condenação anterior por conduta vedada a agente público.
Na ocasião, Vandro havia sido condenado pela distribuição irregular de 217 cestas básicas durante o período eleitoral de 2018, quando era vice-prefeito de Magé e pré-candidato a deputado estadual. O TRE-RJ acolheu o pedido do Ministério Público Eleitoral, que havia apresentado representação contra o político em razão da condenação imposta pela própria Corte.
Quem é Vandro Família
Militar reformado e ex-deputado estadual, Vandro Família também foi vereador, vice-prefeito e secretário de Obras de Magé. Em abril de 2012, quando ainda era sargento da Polícia Militar, foi preso durante a Operação Roma, sob acusação de chefiar um grupo apontado como milícia que atuava em Magé. Segundo o Ministério Público, o grupo foi denunciado por envolvimento em seis homicídios.
Em maio de 2019, Vandro voltou a ser alvo de uma operação policial que investigava suspeitos de integrar um grupo de extermínio. No caso, ele é investigado sob suspeita de ser o mandante do assassinato de um suplente de vereador.
Para a Corte, os elementos reunidos no processo, que indicavam vínculo do parlamentar com integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP), eram suficientes para impedir o registro da candidatura. A análise foi restrita aos requisitos para participação no processo eleitoral e não representa condenação criminal.
Em 2012, decidi entrar para a política e me candidatei a vereador em Magé. Foi a partir daí que, na minha visão, começou uma perseguição política que nunca mais terminou. Tenho denunciado há anos aquilo que considero uma verdadeira “milícia política” em Magé, formada em torno do grupo político da família Cozzolino, que, na minha percepção, trabalha para impedir que outras pessoas tenham espaço na política local.
E basta olhar para a realidade política de Magé para entender por que faço essa afirmação. Há mais de 40 anos, a família Cozzolino mantém forte influência política no município. Atualmente, temos prefeito Cozzolino, vice-prefeito Cozzolino, deputado estadual Cozzolino e presidente da Câmara de Vereadores também ligado à família Cozzolino.
Além disso, há vereador que é ex-marido da atual prefeita e outro vereador que é marido da atual prefeita e também integrante da família Cozzolino. Diante dessa concentração de poder político e familiar, eu pergunto: Alguém ainda acredita que isso seja apenas coincidência política?
É justamente essa estrutura que, na minha visão, faz com que qualquer pessoa que tente romper essa hegemonia seja imediatamente atacada, perseguida ou descredibilizada. Passei a ser alvo de denúncias anônimas que considero falsas e de acusações que, segundo entendo, tinham motivação política.
Em 2012, inclusive, foram instaurados inquéritos contra mim a partir de acusações que posteriormente não se sustentaram. Respondi, apresentei minha defesa e fui absolvido. O próprio contexto do processo levantou questionamentos sobre possível motivação política.
Anos depois, fui novamente colocado no centro de uma investigação extremamente grave, envolvendo a acusação de que eu teria participado da execução de um homem . Mesmo diante da gravidade das acusações, coloquei-me à disposição da Justiça. Minha residência foi alvo de busca e apreensão e houve interceptações telefônicas. Nada foi encontrado que comprovasse as acusações contra mim. E, infelizmente, parece que a história se repete a cada período eleitoral: novas denúncias, novos ataques e novas acusações encaminhadas ao Ministério Público, GAECO e outros órgãos de investigação.
Existe algo que ninguém poderá tirar de mim: minha história, minha honra e minha dignidade. Sou policial militar. Tenho formação em Gestão Pública. Atualmente curso Direito. Escrevi um livro. Sou palestrante em casas de recuperação para dependentes químicos. Sou filho, pai e marido. Tenho três filhos maravilhosos. Minha família é minha maior riqueza.
Tudo o que conquistei foi construído com trabalho, estudo, sacrifício e dignidade. Não vim de uma família rica, não recebi uma vida pronta e não tive privilégios. Cheguei até aqui lutando. Hoje, mesmo profundamente decepcionado com a Justiça e com tudo o que vivi, continuo me colocando à disposição das autoridades para qualquer esclarecimento, investigação ou questionamento. Não tenho medo da verdade.
Podem tentar destruir minha imagem, podem fazer acusações e podem tentar me tirar da política. Mas não vão conseguir tirar de mim aquilo que construí durante toda a minha vida: minha honra, minha dignidade e a certeza de que nunca precisei passar por cima de ninguém para chegar onde cheguei.
E quem me acusa? Núbia Cozzolino, recentemente condenada a mais de 50 anos de prisão. Então as perguntas deveriam ser: Quem matou o vereador Dejair Correia? Quem matou Nem da Núbia? Quem realmente matou P9? Quem matou Renata Castro, minha prima? E tantos outros? Não estou afirmando que tenho todas as respostas. Estou pedindo que investiguem. Porque, para mim, Justiça não pode ter sobrenome, poder ou lado político.
Se existe crime, que se descubra. Se existe inocente, que seja protegido. E se existe uma estrutura criminosa, que seja responsabilizada, independentemente de quem esteja por trás dela.
Eu não devo nada à Justiça e não tenho medo de investigação. Moro em Magé há 45 anos e conheço profundamente a realidade da nossa cidade. Estou no sexto período de Direito e sei que acusações precisam ser comprovadas por provas. Por isso, não peço que simplesmente acreditem em mim. Peço que investiguem.
Existem também pessoas que, na minha avaliação, precisam ser investigadas por possível atuação como “laranjas”, participando de empresas que recebem milhões da Prefeitura por meio de licitações e contratos de valores milionários.
Quero saber quem são os verdadeiros donos dessas empresas, de onde vem o dinheiro, quem está por trás dos contratos e se existe alguma relação política ou familiar. Não estou afirmando que todos esses contratos sejam ilegais. Estou dizendo que precisam ser investigados com profundidade e sem proteção a ninguém.
Pode tornar público tudo o que estou informando. Estou à disposição da Justiça, do Ministério Público e da imprensa para qualquer esclarecimento. Não tenho nada a esconder. Quero apenas que a lei seja aplicada a todos, independentemente de sobrenome, poder ou posição política."



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