Com diversas unidades de saúde fechadas, Hospital Geral de Nova Iguaçu sofre

Só em 2015, o Hospital da Posse, como é conhecido, realizou mais de 19 mil internações

Por luis.araujo

Rio - Uma crise de apêndice levou o pequeno Rafael, de 4 anos, a ser internado há 20 dias. Ele passou por cirurgia e aguarda a alta médica. Um alívio para a mãe, Maria Rejane, 40, que passou um sufoco até chegar ao Hospital Geral de Nova Iguaçu (HGNI).

Hospital da Posse está sobrecarregado Divulgação

Moradora de Engenheiro Pedreira, em Japeri, ela teve que procurar atendimento para o filho fora da cidade. É que em Japeri não tem hospital. Casos como estes são recorrentes no HGNI. Cerca de 45% dos atendimentos da unidade, que é municipal, são de outros municípios.

Só em 2015, o Hospital da Posse, como é conhecido, realizou mais de 19 mil internações e superou hospitais como o estadual Adão Pereira Nunes, que atingiu a marca de 15.903 e o municipal Pedro II, do Rio, com 14.461 internações. Até julho deste ano, a unidade já realizou 75 mil atendimentos.

“Meu filho teve uma infecção e viemos para cá, ele vai ficar um mês internado”, disse Glauber Faria, de Jacarepaguá.

Com tanta sobrecarga a situação está insustentável. O hospital tem custo de R$ 18 milhões mensais, dos quais R$ 6,7 milhões vêm do Ministério da Saúde e o restante fica por conta do município. “Esse hospital tem custeio municipal, mas é usado por toda a região. É uma injustiça com o HGNI tanta sobrecarga. Enquanto isso vemos pela Baixada unidades fechadas ou utilizadas de forma inadequada.

Nossos médicos ficam sobrecarregados, há risco de falta de insumos e ainda aumenta os nossos custos. Estamos herdando os pacientes da Baixada e até de fora, mas a verba continua engessada ”, afirma o diretor da unidade, Joé Sestello.

Hospital da Posse está sobrecarregado Divulgação

Segundo dados do Sistema Único de Saúde, Belford Roxo é o município que mais envia pacientes para o HGNI. O Hospital do Joca, que fica na cidade, faz apenas o pronto atendimento. Em segundo lugar está Queimados, que não tem hospital geral. Em Mesquita, a terceira cidade que mais leva pacientes para o Hospital da Posse, o Hospital Municipal Leonel Brizola está fechado desde 2010 por falta de verba. 

São João de Meriti não tem hospital geral e a UPA Jardim Íris foi fechada pela prefeitura, que alegou falta de dinheiro para mantê-la. Em Nilópolis, o Hospital Juscelino Kubitschek, que deveria ser inaugurado em 2015, vai ser parcialmente aberto hoje. Em Japeri, também não tem hospital, apenas uma Policlínica.

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