Naldo Benny abraça Jhony ao final da sessão
Naldo Benny abraça Jhony ao final da sessãoDivulgação
Por Irma Lasmar
SÃO GONÇALO - O número pouco acima dos cem estúdios de tatuagem oficialmente registrados pode ser pequeno para a segunda cidade mais populosa do estado, cujos habitantes ultrapassam um milhão. Contudo, São Gonçalo parece concentrar parte da nata dos melhores profissionais fluminenses. E nem a pandemia diminuiu o interesse do público, que continuou orçando e agendando sessões individualizadas para o momento de retomada econômica, obedecendo aos protocolos de segurança sanitária. Recentemente, o cantor Naldo Benny atravessou a baía de Guanabara e Niterói para chegar às mãos criativas de Jhony Tattoo, no Centro. Antes dele, Vinícius Jr., jogador do Real Madrid, na Espanha, foi ao estúdio do gonçalense se tatuar, enquanto o craque do Flamengo Gabigol recebeu o tatuador em sua mansão na Barra da Tijuca para um atendimento reservado. Também o rapper PK Delas, que soma mais de dois milhões de seguidores no Instagram, já ganhou dez desenhos do gonçalense no corpo.
Indicado pelo filho de Naldo, Jhony fez três tattoos no cantor, duas delas em homenagem ao ídolo dele, o rapper norte-americano Chris Brown: o Mickey Mouse e uma caveira com auréola de anjo, usados por Chris, e uma asa no pescoço com a inscrição "God 1st" (Deus em primeiro lugar). Passava das 4h da manhã quando o trabalho foi concluído. " É legal voltar à cidade, de onde tenho ótimas lembranças de shows em que recebi muito carinho dos fãs. A tatuagem do meu filho ficou linda e eu não tive dúvida em procurar o Jhony. Ele é ágil, receptivo, um ser humano sensacional. Merece todos os prêmios", afirma o novo cliente.

"É uma honra receber a ligação de um artista, dizendo que quer tatuar comigo. É uma forma de ver meu trabalho valorizado por pessoas que podem procurar qualquer profissional do mundo, mas me escolhem", comemora o tatuador gonçalense, que tem 15 anos de carreira e acumula experiências internacionais na França, Alemanha e Estados Unidos. Aproveitando a ótima repercussão de seus trabalhos, ele realiza projetos sociais como o Tattoo Legal, que segue duas vertentes: promoções de tatuagem com o intuito de arrecadar alimentos para moradores do bairro Salgueiro e a parceria com o grupo Unidas pela Vida, em que redesenha gratuitamente o bico do seio em 3D em pacientes oncológicas mastectomizadas, devolvendo a autoestima de inúmeras mulheres.
Publicidade
Naldo Benny abraça Jhony ao final da sessão - Divulgação
Naldo Benny abraça Jhony ao final da sessãoDivulgação
Segundo Thiago Cabral, o TH Tattoo, o mercado da tatuagem é ativo em São Gonçalo, com grande procura diária para orçar e realizar novos trabalhos, cuja aproximação é ainda mais intensificada graças às redes sociais. Ele conta que o gonçalense se interessa muito por estilos de tatuagem como sombreado, fine line e realismo, sendo que o público feminino prefere desenhos florais e o masculino, imagens tribais maori, além de leões, navios e relógios romanos. "Ainda hoje muitas pessoas são pré-julgadas como informais ou até marginais, incapazes de um cargo importante", lamenta o profissional, que tem 15 anos de experiência e atende atualmente nos estúdios Max, no Centro, e Impacto, no Alcântara. A tatuagem é uma cultura milenar, inicialmente chamada de tatau, usada na patente de tribos e produzida manualmente apenas com um espeto e tinta. "Sou apaixonado por esta arte desde que me entendo por gente. Recusei uma carreira na Marinha para ser tatuador", comenta.
Publicidade
O empresário Felippe Maio, 36 anos, atesta a vocação de TH. Com ele fez algumas de suas sete grandes tattoos, que fecham um dos braços e chamam a atenção. A sessão mais longa durou oito horas. Contudo, todas foram feitas nos últimos dois anos, ou seja, desde 2019, segundo ele porque somente agora conseguiu enfrentar o preconceito familiar. "A tatuagem é uma forma de expressar minha personalidade, emoções e sentimentos, e até mesmo suprir saudades quando se eterniza na pele a marca de um ente querido que já partiu para outro plano, como fiz com o rosto de minha avó", conta o proprietário da produtora e gravadora Puff Records.
Com 12 anos de profissão e mais de três mil tatuagens realizadas, Leonardo Massena tem estúdio com seu nome, situado no Mutuá, e faz coro com os demais amantes desta arte. "Este é um mercado que cresce cada dia mais. Afinal, são obras que marcam momentos importantes, fazem justas homenagens e ainda embelezam o corpo", assegura. Ele explica que cada profissional adota um estilo dentro de suas habilidades maiores com o traçado. Talentoso e experiente no realismo e no neotrad, Massena desenha muitas mandalas e frases, mas é fã das caricaturas, apesar de não serem as mais procuradas. Porém, de todos os trabalhos, a demanda maior é por coberturas de cicatrizes ou mesmo de tattoos já existentes e agora indesejadas. "Quem nunca se arrependeu de algo que fez?", diz ele, que observa a diversificação do público e das preferências. "Com o passar das décadas e dos acontecimentos históricos, a moda dos desenhos preferidos mudou e o perfil dos clientes deixou de ser restrito a segmentos específicos da sociedade", conclui.
Publicidade
O profissional relembra situações desconfortáveis, de preconceito e incompreensão, por causa das tatuagens. "Existem muitas pessoas que ainda nos julgam de modo bastante negativo por optarmos por carregar esta arte permanente na pele. Há quem nos olhe feio e acredita que se trate de símbolos satânicos, contra Deus. São tabus que precisam ser quebrados, pois prejudicam até na admissão em empregos, quando na verdade as tattoos não influenciam em nada nos nossos talentos e na nossa capacidade de realizar", lamenta. "Sou encantado pela arte na pele e tenho orgulho de escolher este caminho como profissão, que leva alegria e autoestima às pessoas. Sinto-me realizado", resume. 
Leonardo Massena em ação - Divulgação
Leonardo Massena em açãoDivulgação
Publicidade