Por onde anda? Os contos de Eloi

Baixinho bom de bola que fez sucesso no futebol brasileiro e no exterior. Mas é sempre lembrado pelos títulos que conquistou no América

Por O Dia

Rio - Lembra daquele baixinho bom de bola e dono de um senhor bigode, que brilhou nos anos 80 jogando por América, Vasco, Fluminense, Botafogo, Santos e Porto? Você não o reconheceria se o encontrasse na rua. Sem o tradicional ‘bigodon’ e com os cabelos bem mais ralos, o ex-meia Eloi, que abraçou a carreira de treinador, é praticamente um anônimo no condomínio em que vive no Recreio dos Bandeirantes.

Eloi com a camisa do América ao lado de ZicoDivulgação

Mal sabem os vizinhos que aquele senhor discreto colecionou ao longo de 21 anos de carreira 22 clubes e títulos expressivos, como o da Liga dos Campeões da Europa, em 86-87, e o Campeonato Mundial Interclubes, em 87, pelo Porto. Experiências que ele espera reviver à beira do campo.

Sem clube no momento, Eloi mata a saudade da bola arrebentando no master do Sindicato dos Atletas do Rio de Janeiro, onde é o ‘dono do time’. Seu último trabalho como técnico foi no ano passado. Ele dirigiu o América, clube em que fez história como jogador em 1982, quando conquistou a Taça Rio e foi Campeão dos Campeões. Mas as glórias do passado deram lugar à decepção.

“Faltavam três jogos para o fim do Carioca e eles ( diretoria) não tinham dinheiro para contratar nenhum treinador. Fui por carinho, respeito ao clube e imaginei que faria um trabalho depois. Já tinha até separado a carteira de trabalho para assinar, mas fui demitido por telefone. Faltou respeito”, lamenta. Eloi não perdeu o carinho pelo clube da Tijuca:

Eloi atuou no SantosDivulgação

“O América é o segundo time dos cariocas, ninguém tem aversão. Fui muito feliz lá. Na minha época, o América tinha um time muito competitivo, com grandes jogadores. Fui campeão da Taça Rio, Campeão dos Campeões, artilheiro e capitão do time, tudo no mesmo ano. Não dá para esquecer”.

Feliz com a carreira que construiu, Eloi não se chateia nem com o fato de não ter o reconhecimento de outros craques dos anos 80. “Joguei na época de Zico, Sócrates, Falcão, Cerezo, Paulo Isidoro, Zenon, Pita. Fui Bola de Prata do Brasileiro de 81 jogando por um time pequeno (Inter de Limeira). Sempre dizem que joguei pra caramba. Não tenho frustrações”.

Corpo mole nos 6 a 1 do Fla

No longo bate-papo com o ‘Ataque’, Eloi reabriu antiga ferida, que todo torcedor do Botafogo não gosta de lembrar. Na humilhante goleada por 6 a 1 para o Flamengo, no Brasileiro de 1985, muitos jogadores teriam feito corpo mole. Seria retaliação à falta de pagamento e às péssimas condições de trabalho em Marechal Hermes.

Eloi atuou no PortoDivulgação

“Foi a única goleada que sofri na minha vida. Eu, inclusive, fiz o gol no início do jogo. Mas foi a primeira vez que vi os jogadores abrirem as pernas, no bom sentido. Não foram todos, eu mesmo não participei, fiz até o gol”, revelou.

“Eles entraram sem concentração, se sentiram desrespeitados e ainda eram muito cobrados pela torcida”.
Eloi afirma ainda que as condições de trabalho eram péssimas.

“O banheiro era sujo, não tinha descarga. Tomávamos banho e inundava tudo, as toalhas eram rasgadas. Era desumano”, criticou.

Eloi ao lado do Rei PeléDivulgação

Tapa na cara e fuga de treinos no Genoa

Revelado pelo Juventus (SP) em 1975, Eloi passou por Portuguesa de Desportos, Inter de Limeira, Santos, América, Vasco até se transferir para o Genoa em 1982. Mas, no clube italiano, passou maus bocados.

“Aqui eu era badalado. Mas lá não era ninguém. Só me cumprimentaram na apresentação porque foram obrigados”, lembra Eloi, que ficou chocado com o comportamento dos companheiros na época.

“Vi treinador dar tapa na cara de jogador. Jogador peitar treinador ao ser substituído. E até jogador fugindo do treino de corrida na praia pegando carona. Apesar disso, aprendi na Europa a ter disciplina tática”.

Mas foi um aprendizado sofrido: “O técnico me pediu para marcar um jogador na cobrança de escanteio e ele fez o gol em cima de mim. Uns três jogadores me empurraram no campo reclamando da minha postura. Ali aprendi a ter mais obediência tática”.

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