Palácio da Cultura, democrático coração artístico campista, vai voltar renovado e ‘inovado’

Reforma avança e cresce expectativa pela reabertura do local, que passará a contar também com um Centro de Inovação

Por Leonardo Maia

Fachada do Palácio da Cultura, na Pelinca, em Campos, antes de seu fechamento em 2014 para uma reforma que ainda não terminou
Fachada do Palácio da Cultura, na Pelinca, em Campos, antes de seu fechamento em 2014 para uma reforma que ainda não terminou -
Campos — As obras de finalização da reforma avançam, e cresce a expectativa pela reabertura do Palácio da Cultura. E quando o histórico ponto de convívio cultural e artístico retornar à rotina dos campistas ele estará ainda mais diverso, multifacetado e rico. Além de voltar a abrigar a Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL), a Biblioteca Municipal Nilo Peçanha e a Biblioteca Infantil Lúcia Miners, e dos seus espaços para exposições de diversas forma de arte, e do auditório e do anfiteatro, o Palácio da Cultura vai ganhar um novo espaço, sintonizado com as demandas da atualidade, incluindo na área cultural: um Centro Municipal de Inovação.
De acordo com Cristina Lima, presidente da FCJOL, mais do que disputar espaço, do qual o Palácio dispõe em fartura, a ideia é estimular as trocas mútuas entre as áreas. Afinal, uma e outra depende do engenho humano, da criatividade e de um olhar crítico para os dilemas do mundo.
“O Palácio é e continuará a ser da Cultura, mas a arte e a ciência vão conversar, em um olhar que é da atualidade. Uma é capaz de tornar a outra mais acessível ou sensível aos públicos”, comenta Cristina. “Dentro da área cultural temos projetos de avanço tecnológico como a biblioteca virtual e contaremos com a Ciência, Tecnologia e Inovação como parceira. Também os agentes artísticos podem, sim, dialogar com esse olhar e se verem como empreendedores”.
Construído na antiga “Praça da Bandeira”, o Palácio gerou polêmicas desde sua concepção, por tirar do campista a área verde que ali havia e porque seria construído afastado do que era a área mais central e nobre da cidade à época. A Secretaria de Educação, Cultura e Esporte (Smece) ocupou por anos parte do prédio, gerando controvérsias. Ponto pacífico, porém, é que fechado o prédio não serve a propósito nenhum.
O novo Centro de Inovação também tem gerado resistência inicial da classe artística, temerosa de que a razão de ser do Palácio fique em segundo plano.
“O incentivo a criação de novas formas de negócio em todas as áreas, a cultura inserida nesse contexto, é uma tendência mundial, gerando renda, criando empregos, enquanto promove diversidade cultural e desenvolvimento urbano”, defende Viny Soares, ex-presidente da FCJOL e figura ativa na vida cultural de Campos há anos. “As novas profissões e funções ligadas à criatividade produziram uma riqueza de R$ 155 bilhões para economia brasileira em 2015. Não vejo como a cultura possa estar dissociada disso”.
Para Viny, o mais importante é observar a retomada dos investimentos na cultura da cidade, depois de anos de estrangulamento do setor. “Nós da cultura campista resistimos firmemente a um legado de fechamentos. Palácio da Cultura, Teatro de Bolso, Museu Olavo Cardoso. Duas casas de cultura, o Arquivo Público Municipal, o Teatro Trianon e o Museu Histórico de Campos também sobreviveram à anemia financeira entre 2009 e 2016. Esses equipamentos foram devolvidos à população nos últimos anos”.
Os trabalhos da reforma do Palácio da Cultura foram interrompidos no fim de 2013 - Divulgação/Prefeitura
No ambiente que será destinado ao novo Centro de Inovação, haverá espaço de coworking aberto ao público e um café bistrô. Tudo para estimular a troca de ideias e, por que não, de inspirações. O novo espaço também vai levar ao Palácio investimentos de R$ 1 milhão em emenda parlamentar, que será usado para aquisição de novas mobílias.
"Além disso, haverá sala para reuniões, salas de consultoria e de treinamento. Essa estrutura pretende trazer uma harmonização completa desses diversos agentes do ecossistema de inovação, criando também oportunidades para o fomento da economia criativa”, observa o superintendente de Ciência, Tecnologia e Inovação, Romeu e Silva Neto.
Calote e imbróglio jurídico
O Palácio da Cultura está fechado desde 2014, quando a empresa então responsável pela reforma interrompeu as obras alegando falta de pagamento pela antiga administração municipal, de Rosinha Garotinho. Ao assumir, a gestão Rafael Diniz percebeu que os trabalhos foram paralisados bem aquém do que havia sido comprometido, mesmo a se considerar o montante que não foi pago à empresa.
Recentemente, com a aprovação da Justiça, a prefeitura conseguiu que a reforma fosse finalizada por uma construtora como indenização pela derrubada irregular do histórico Casarão Clube do Chacrinha, no início de 2013. Orçada em R$ 1,2 milhões a empreitada não terá custos ao município, portanto. A previsão de reabertura é o fim do ano.

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Fachada do Palácio da Cultura, na Pelinca, em Campos, antes de seu fechamento em 2014 para uma reforma que ainda não terminou Divulgação prefeitura de Campos
Os trabalhos da reforma do Palácio da Cultura foram interrompidos no fim de 2013 Divulgação/Prefeitura

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