A abordagem mais recente, com base na legislação, aconteceu em cerâmicas da Baixada CampistaFoto/Divulgação

Campos - Números mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) apontam que o índice de menores trabalhando caiu, no Brasil, mas ainda é considerado preocupante. Um dos fatos que chamam atenção é que muitas pessoas interpretam trabalho infantil “como meio exemplar de promover o senso de responsabilidade e de criação de valores morais e fonte de ajuda para sustento da família”.
Uma das justificativas para a interpretação equivocada é a desinformação. Em Campos dos Goytacazes (RJ), esta questão vem sendo tratada em uma linha de “combate didático” pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social, que alerta a população sobre a exploração do trabalho infantil.
A equipe da Estratégia do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) realiza abordagens sociais na região central e no interior do município. Nas investidas, toda forma de trabalho que seja realizado por crianças e adolescentes abaixo da idade mínima permitida pela legislação brasileira é no mínimo repreendida.
De acordo com a secretaria, as ações acontecem em parceria com Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e Conselhos Tutelares. O órgão informa que na semana passada, a equipe da estratégia PETI, percorreu cerca de 40 cerâmicas da Baixada Campista.
A coordenadora, Renata Amaral, explica que as abordagens estão sendo feitas a partir da territorialização. “O trabalho preventivo é feito com muito diálogo e informando a importância de garantir o direito das crianças e dos adolescentes”, diz, orientando que a participação da população no combate ao trabalho infantil é importantíssima; “basta denunciar, se for o caso, através do número (22) 98147-0119”.
“Durante a ação os empresários são informados das formas legais de inserir um adolescente no mercado de trabalho”, afirma Renata Amaral, acrescentando: “população é solidária, mas ofertar dinheiro na rua estimula a propagação da mendicância, tendo em vista que a maioria dos usuários conhece a rede socioassistencial”. Ela destaca que as ações são pautadas na reflexão para conscientização e na garantia de direitos”, mas, lamenta: “infelizmente é cultural e precisamos dialogar sobre essa temática tão importante para nossa sociedade”.