Reformas no lar puxam alta de 24,2% nas vendas de cimento em junho

Obras de projetos imobiliários também são responsáveis pelo resultado, segundo pesquisa do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento

Por Cristiane Campos

A autoconstrução (residencial e comercial) e as obras de empreendimentos respondem por, aproximadamente, 80% do consumo de cimento no país
A autoconstrução (residencial e comercial) e as obras de empreendimentos respondem por, aproximadamente, 80% do consumo de cimento no país -
Se você, durante a pandemia, precisou comprar cimento para uma obra de emergência ou comprou o produto já pensando na reforma do lar depois do isolamento social, saiba que a sua aquisição contribuiu para que o setor registrasse, em junho, alta de 24,2% nas vendas em relação ao mesmo período de 2019, o que representa a venda de 5,2 milhões de toneladas de cimento. É o que indica pesquisa do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC). Além das obras particulares, o estudo identificou mais dois vetores: as reformas e as manutenções em estabelecimentos comerciais durante a paralisação forçada pelo novo coronavírus e as obras de empreendimentos imobiliários.

“A Covid-19 provocou uma série de mudanças nas nossas vidas, nos nossos hábitos e nas nossas prioridades. Para a indústria do cimento, a crise mostrou que o cuidado com a casa e o uso de reservas pessoais e investimentos para pequenas reformas, tão populares na década de 80, voltaram a fazer parte do orçamento familiar. O cumprimento dos rígidos protocolos de segurança garantiu a manutenção das atividades da indústria e demonstrou que a coexistência entre a produção e venda de cimento e o combate ao coronavírus é perfeitamente possível, como no caso das obras imobiliárias, que vem retomando o ritmo pré-crise”, comenta Paulo Camillo Penna, presidente do SNIC.

Segundo o estudo, depois de 2019 registrar crescimento de 3,3% nas vendas de cimento, interrompendo uma série de quatro anos de crise, a indústria começou este ano com expectativa de aumento de 3%. No entanto, as fortes chuvas de janeiro e fevereiro frustraram o consumo, que ficou represado para março, concentrado principalmente na primeira metade do mês. Em abril, em plena pandemia, a indústria observou uma queda mais amena que o previsto. A partir de maio veio a surpresa com o crescimento nas vendas que se estendeu a junho. No balanço do primeiro semestre, a conclusão do SNIC é que a autoconstrução (residencial e comercial) e as obras de empreendimentos respondem por, aproximadamente, 80% do consumo no país. Estes nichos alavancaram as vendas de cimento, atingindo 26,9 milhões de toneladas, um crescimento de 3,6% em relação ao primeiro semestre de 2019.

Medidas da Caixa para habitação vão ajudar o setor

Para Paulo Camillo Penna, presidente do SNIC, ainda existem muitos entraves a serem superados, e medidas como a incorporação dos custos de ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis) e da documentação no financiamento imobiliário, anunciadas recentemente pela Caixa, se somam a um conjunto de ações que contribuem para a sustentabilidade do setor, tais como novas modalidades de financiamento e redução de taxa de juros, entre outras. “A indústria do cimento é responsável por mais de 70 mil empregos, gera uma renda de R$ 26,4 bilhões ao ano e uma arrecadação líquida anual de R$ 3 bilhões em tributos. Somos muito sensíveis ao cenário macroeconômico e aos estímulos governamentais. Por isso, a indústria do cimento, aguarda com ansiedade, o lançamento do projeto habitacional do governo, “Casa Verde Amarela” que deverá alavancar com mais força o mercado imobiliário e de reformas, e reiniciando obras de 100 mil unidades habitacionais paralisadas nos próximos dois anos”, analisa Paulo.

Comentários