O valor da parcela também não poderá ser inferior a um quinto do valor devido a título de remuneração periódica - Freepik
O valor da parcela também não poderá ser inferior a um quinto do valor devido a título de remuneração periódicaFreepik
Por Cristiane Campos
Juros da casa própria podem cair ainda mais com a Selic (taxa básica de juros) a 2% ao ano. Ontem, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu reduzir a taxa de 2,25% para 2%. Esse foi o nono corte seguido na Selic. O corte renovou o menor patamar histórico para a taxa Selic desde 1999, quando entrou em vigor o regime de metas para a inflação. Para o presidente da Ademi-RJ (Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário) e da Brasil Brokers, Cláudio Hermolin, toda redução na taxa básica de juros é extremamente importante e tem um impacto positivo no mercado imobiliário, principalmente, porque mantém os juros em patamares baixos e faz com o que os juros do crédito imobiliário, que é um juros futuro, também possa acompanhar essa redução. "Lembrando que a taxa do financiamento não tem o mesmo comportamento da Selic, ou seja, hoje, o nosso crédito imobiliário não está em 2% e nem estava a 2,25% antes da reunião de ontem do Copom. Está perto de 6,5% ao ano e alguns menores do que 6,5% ao ano mais TR (Taxa Referencial), mas se nós tivermos esse 2% da Selic mantido durante um bom tempo, certamente abre a possibilidade de reduzir ainda mais a taxa de juros do crédito imobiliário", prevê Hermolin.

Segundo o diretor do Creci-RJ (Conselho Regional dos Corretores de Imóveis), Laudimiro Cavalcanti, a redução da Selic vai ajudar quem pretende comprar a casa própria financiada. 'É uma boa oportunidade no momento para aqueles que irão comprar um imóvel com auxílio de um financiamento imobiliário das instituições financeiras, que seguem a taxa Selic. São atrativos aliados à grande demanda que mesmo antes da pandemia estava reprimida. Mesmo no atual momento conturbado, o mercado imobiliário segue ativo. O setor com a redução da Selic tende a ser uma boa alternativa também para quem busca ter rentabilidade", explica Cavalcanti.

De acordo com o sócio da Konek Estruturação Imobiliária, Marco Adnet, a construção civil será o pilar gerador de empregos e será o ímã que vai atrair um volume importante e inédito de investimentos em ativos reais que fará o país diminuir expressivamente seu déficit habitacional. "Estamos numa nova era e precisamos de união política para acelerar a agenda de reformas e privatizações", comenta Adnet.

Atualmente, a Caixa já oferece o crédito imobiliário com taxas a partir de 2,95% ano mais correção do IPCA (Índice Nacional de Preço ao Consumidor Amplo). Outra opção é a modalidade que utiliza a correção da TR, que tem juros de 6,5% ao ano para clientes com relacionamento com o banco.
Preços dos imóveis podem subir
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Para Rafael Sasso, cofundador da Melhortaxa, a Selic a 2% ao ano e ainda com a perspectiva de que pode haver mais cortes é super interessante. "Recalculamos o delta da Melhortaxa, que é um indicador da pressão de repasse para as taxas de bancos e ele nunca esteve tão alto; está dando 5,16% agora. E, com certeza, podemos esperar quedas nas próximas semanas porque é uma pressão muito grande para os bancos. Estávamos vendo nas últimas semanas taxas que eram exceções começando a se tornar mais usuais e isso deve colocar um pouco mais de pressão nesse momento, fazendo com que aconteçam novas quedas", avalia Sasso. Ele ressalta que o consumidor tem que lembrar que não adianta esperar ter queda para contratar o crédito porque as diferenças de curto prazo são pequenas no bolso. "Esperar pode fazer com ele perca o negócio, pois há muita pressão de compra, pode ser que os preços dos imóveis voltem a subir nos próximos meses e, às vezes, o barato acaba saindo caro, você economiza de um lado e acaba pagando mais caro em um outro imóvel ou até perde um negócio”,orienta Sasso