Policiais recusam proposta de Bolsonaro e votação de reforma segue sem acordo

Presidente convenceu líderes partidários a reduzirem idade mínima, mas categoria pede, na verdade, o mesmo tratamento dado pelo governo aos militares

Por PALOMA SAVEDRA

Policiais federais e rodoviários federais fizeram ato na terça-feira em defesa da aposentadoria especial
Policiais federais e rodoviários federais fizeram ato na terça-feira em defesa da aposentadoria especial -
O presidente Jair Bolsonaro tentou acenar para as categorias da Segurança Pública, mas foi em vão. Apesar de ele ter convencido, na quinta-feira, os líderes partidários e o relator da Reforma da Previdência na Comissão Especial, Samuel Moreira (PSDB-SP), para reduzir de 55 anos para 53 anos a idade mínima para a aposentadoria de policiais federais, rodoviários federais e civis, os agentes recusaram a proposta. Com isso, a votação do texto ainda é um impasse.
Após reunião com lideranças, nesta quarta-feira, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), admitiu que não houve acordo sobre a questão dos policiais. Maia afirmou a jornalistas que a análise de mérito da PEC 6 deve ficar para esta quinta-feira. E os trabalhos da Comissão Especial para o voto do parecer do relator Samuel Moreira estavam a todo vapor até of echamento desta edição.
"Bolsonaro dá com uma mão e tira com a outra, pois reduz a idade mínima, mas coloca um pedágio de 100% (sobre o tempo que falta para se aposentar)", declarou à Coluna o presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, Edvandir Paiva. "Não pedimos mudança na idade mínima, queremos é aproximar as nossas regras às dos militares", complementou.
Os agentes de Segurança Pública pedem que a reforma dê direito a uma regra de transição igual à prevista na reforma previdenciária dos militares das Forças Armadas: um pedágio de 17% sobre o tempo que faltar para a aposentadoria. Também reivindicam direito à integralidade (aposentadoria no mesmo valor do último salário na ativa) e paridade (mesmo reajuste que os funcionários ativos) aos policiais, independente da data de ingresso no serviço público.
Os policiais vão insistir para que os parlamentares da Comissão Especial incluam na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 6 a emenda subscrita por Hugo Leal (PSD-RJ), que garante todos esses direitos que estão reivindicando. O destaque, inclusive, estendendo essas medidas aos inspetores penitenciários e carreiras correlatas, todas da área de Segurança Pública.
Com isso, o acordo que Bolsonaro estava quase fechando ontem com o Legislativo foi para o espaço. Aliás, o esforço do presidente ocorreu um dia depois de ser chamado de "traidor" pela categoria policial em um grande ato na terça-feira, em Brasília.
Em resposta à manifestação, o presidente chegou a afirmar, ainda na terça-feira, que a questão estava sendo negociada, mas advertiu os policiais. "Todo mundo vai ter a sua cota de sacrifício", disse ele.
"Liguei para o Maurício Valeixo (diretor-geral da Polícia Federal), estamos tratando do assunto. É natural os lobbies, mas todo mundo vai ter a sua cota de sacrifício, como as Forças Armadas tiveram", afirmou Bolsonaro.
Atualmente, para os agentes se aposentarem com benefício integral, não é exigida idade mínima, mas 30 anos de contribuição e 20 anos, no mínimo, na função policial.

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