Mães seguram cartazes que mostram fotos do antes e da simulação atual dos rostos de seus filhosReginaldo Pimenta
Por O Dia
O Brasil registra, em média, 200 desaparecimentos por dia. São aproximadamente oito sumiços por hora. Nos últimos 10 anos, a polícia anotou cerca de 60 mil casos no Estado do Rio de Janeiro. Só em 2020, de janeiro a julho, 1.850 famílias registraram ocorrências de desaparecidos em todo o estado, pelos mais diversos motivos, de acordo com dados do Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ).
Segundo pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP)/Datafolha, 17% dos brasileiros têm algum parente ou conhecido desaparecido. Pois é, amigos leitores, os desaparecimentos mexem com milhares de pessoas em todo o Brasil. Contudo, o tema ainda precisa sair das gavetas, dos âmbitos burocráticos, policiais e ser mais debatido.
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A coluna ‘Desaparecimentos em Pauta’ chega ao O DIA Online para ampliar o debate, divulgar matérias e oferecer serviços. Além de análises e entrevistas, o espaço dará voz às famílias que, em meio à dor e luto, travam batalhas diárias em busca dos entes queridos. Em tempos de novas plataformas de comunicação, a coluna enseja ser um canal aberto às demandas sociais, com compromisso de levar ao público informações relevantes sobre os casos.
Teremos o desafio de descortinar o que acontece enquanto alguém desaparece: desde a saga das famílias para registrarem o fato, passando pelo trabalho de investigação e processos jurídicos, até os possíveis desfechos.
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Também destacaremos a atuação da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA), especializada da Polícia Civil do Rio de Janeiro, que vem aprimorando metodologias e técnicas modernas de investigações para encontrar pessoas, além de mostrar o trabalho do Disque-Denúncia e o projeto inovador do Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos (PLID), capitaneado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro.
Classificação – De forma geral, os desaparecimentos são classificados em três tipos: voluntários, quando ocorre uma fuga do lar por desentendimentos ou violência doméstica; involuntário, em situações de afastamento de rotina por doença, drogas, acidentes ou desastres naturais; e forçado, nos casos relacionados a sequestros, homicídios e outros delitos criminais.
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“Não espere 24 horas, avise à polícia imediatamente”
É importante ressaltar a desconstrução do “mito das 24h”, que orientava as famílias esperarem um determinado tempo para confecção dos registros de ocorrências. “Lidando com a questão do desaparecimento de pessoas há alguns anos, me deparei com alguns mitos para os quais nunca encontrei justificativa legal ou racional, mas eram repetidos e praticados como mantras de verdade. Talvez o mais pernicioso de todos seja o ‘mito’ de que é necessário aguardar 24horas para que uma pessoa seja considerada desaparecida ou para que este fato possa ser oficialmente comunicado às autoridades policiais”, ressalta André Luiz de Souza Cruz, gestor do Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos (Plid) do Ministério Público do Rio de Janeiro.
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Esperança e desilusão
A coluna vai contar histórias de centenas de famílias, por todo o Brasil, que vivem o luto das ausências. São homens, mulheres, idosos, crianças e adolescentes que, na maioria dos casos, desaparecem misteriosamente, deixando atrás esperanças e desilusões. Também relembraremos sumiços emblemáticos como do ajudante de pedreiro Amarildo Dias de Souza, em 2013, na Rocinha, zona sul do Rio; assim como da estudante Priscila Belfort, que desapareceu misteriosamente ao sair do trabalho, no centro da cidade do Rio de Janeiro, em 2004.
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“Até hoje tenho esperança de ver a minha filha. Vivemos uma luta diária com esperanças e desilusões. O desaparecimento é cruel com as famílias”, relata a mãe da estudante, Jovita Belfort, que transformou sua dor em militância e coordena o setor de Desaparecimentos na Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos.