Camila (D) e a mãe felizes com o reencontro   - Arquivo Pessoal
Camila (D) e a mãe felizes com o reencontro Arquivo Pessoal
Por Charles Rodrigues
Após oito dias de angústia e desespero para amigos e familiares, a jovem Camila Vieira Marques, de 22 anos, foi encontrada, na manhã deste sábado, na Zona Sul do Rio. A jovem confessou ter fugido, à revelia dos pais, para trabalhar como babá, em uma residência. Nervosa, ela assumiu ter errado em não comunicar à família, mas disse estar aliviada com o desfecho. “Arrumei o emprego pela Internet, em uma agência de babás. Minha patroa viu a matéria na internet e me aconselhou voltar para casa. Assumo meu erro, mas, felizmente, tudo acabou bem”, desabafou Camila, emocionada, ao saber da mobilização do caso nas redes sociais.
Camila desapareceu, na manhã do dia 11 de setembro, ao sair de casa, no bairro Cova da Onça, na Zona Norte de Niterói. De acordo com a família, a jovem saiu cedo, sem avisar e estava com o aparelho celular desligado. Na ocasião, a mãe, a auxiliar de serviços gerais, Eliane Souza Vieira, 41 anos, levantou a possibilidade de a filha ter sido aliciada, por estranhos, na redes sociais. Aliviada, Eliane agradeceu à rede de amigos em torno do caso.
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“Nossa vida parou por oito dias. Ter a minha filha de volta era tudo que queria. Foram dias de muita angústia. Só quem conviveu conosco sabe o que passamos. Agradecemos a todos que nos apoiaram”, disse Eliane, que recebeu o apoio da Instituição Mães Virtuosas do Brasil, grupo de mães de desaparecidos. “Quando sabemos do encontro de algum desaparecido, é como se fosse o encontro dos nossos filhos. Ficamos felizes. Sabemos do drama das famílias e das dificuldades. Graças a Deus, mais um final feliz”, acrescentou a presidente do grupo, Luciene Pimenta Torres, que ainda procura a filha, desaparecida há 11 anos.
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As circunstâncias e motivação da fuga da jovem serão investigados por policiais do setor de Descobertas de Paradeiros da Delegacia de Homicídios de Niterói/São Gonçalo.

“Sem prevenção, não aconselho ninguém a se relacionar pela Web”
Após conseguir o emprego de babá, através da Internet, sem a anuência dos pais, Camila admitiu os perigos que se submeteu. Ela também confessou manter relacionamentos pelas redes sociais, mas acredita que seu caso servirá de alerta para outros jovens. “Assumo que errei em acreditar em pessoas que não conhecia, ao aceitar o emprego através de uma rede social. Também mantive um relacionamento pela internet. Isso é arriscado. Sem prevenção, não aconselho ninguém a se relacionar na Web”, confessou Camila.

Relacionamento pela internet é ‘um campo minado’, alertam especialistas
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Com o avanço das redes sociais, os relacionamentos virtuais ganharam destaque e, no mundo globalizado, atingem pessoas em todo o mundo. Contudo, apesar das facilidades e criação de leis para coibir crimes cibernéticos, especialistas alertam que a Internet ainda é um “campo minado”, sobretudo, em casos envolvendo relacionamentos pessoais e movimentações financeiras.
“Estamos há anos militando no enfretamento e prevenção aos desaparecimentos. Tem sido comum casos envolvendo relações pela internet. Na maioria, envolvem adolescentes e jovens, que, após relacionamentos virtuais, marcam encontros e desaparecem. Eles ficam à mercê de iminentes perigos e deixam as famílias desesperadas. O diálogo é a melhor prevenção. Quando os pais perceberem mudanças de hábito dos filhos ou algum relacionamento abusivo devem intervir com uma conversa franca. Os abusadores, geralmente, são permissivos e não demonstram suas reais intenções ”, disse Jovita Belfort, coordenadora do setor de Prevenção e Enfretamento ao Desaparecimento de Pessoas da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos.
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Fragilidades emocionais podem determinar a vulnerabilidade das vítimas
A psicóloga Alessandra Alves Soares credita à Internet apenas o fator facilitador. Com experiência em atendimentos a patologias semelhantes, Soares aponta as instabilidade emocional como gatilho para o aumento da incidência de casos de golpes e aliciamentos nas redes sociais. “O problema não é a Internet. Os desequilíbrios emocionais e as carências, na maioria dos casos, determinam a vulnerabilidade das vitimas. Os criminosos, que estão por trás das telas, se aproveitam dessas fragilidades. Ainda que não exista uma hegemonia de gênero, as mulheres acabam sendo mais suscetíveis, por conta, sobretudo, das carências afetivas e das relações amorosas idealizadas. Isso ocorre tanto no mundo virtual, quanto no real. Portanto, os filtros de defesa devem partir do fortalecimento emocional, das prevenções e do diálogo”, esclarece a psicóloga.