Maria Rita para capa do álbum Reprodução/Divulgação

Rio - A cantora Maria Rita, de 44 anos, sempre se joga de cabeça em todos os seus projetos. Com seu novo EP, "Desse Jeito", lançado na semana passada, não poderia ser diferente. O trabalho conta com seis faixas, entre elas duas músicas autorais, e é o resultado de um hiato de quatro anos da artista, que estava ansiosa para voltar a produzir e vibra ao contar mais detalhes do processo de criação. 
"Voltar para a indústria depois desses quatro anos foi um choque. Está tudo muito louco, com muita correria. Eu me sinto exausta! Mas por outro lado eu estou celebrando, estava muito angustiada sem fazer nada", dispara a cantora.
Maria Rita traduz o EP como a confiança que ela sente nesse momento de retomada das atividades e as faixas transmitem a segurança que a artista tem em si própria, em sua história e em tudo que fará daqui para a frente. "Não à toa a capa do EP sou eu olhando para a frente, é um olhar de futuro, nada além disso", explica.
"Achei divertido esse lance de fazer um número menor de músicas", diz Maria Rita, que também revela ter se sentido como se estivesse escrevendo um conto ao invés de um livro.
Processo de criação
Enquanto quebra algumas barreiras nas músicas, a cantora conta como seu processo de criá-las ainda segue os padrões de antigamente. "A gente grava ao vivo, pouco uso as tecnologias, vou com fé e faço a voz guia. A gente se alimenta das nossas interpretações e fica uma música muito crua e muito fiel. Se alguém precisar refazer, refazemos todos juntos, e procuro sempre não editar", garante Maria Rita, que ainda conta uma situação inusitada durante a gravação do projeto. 
"Tanto que em uma das faixas tinha uma 'sujeirinha' sonora, mas eu não quis regravar, tinha tudo a ver com a música, com a angústia da letra, com a dor cavalar que a pessoa está sentindo".
Parceria
Apesar de toda a desenvoltura no palco, Maria Rita afirma ser tímida. A timidez, inclusive, foi um dos fatores que a impediu durante muito tempo de convidar outros cantores para parcerias. O EP "Desse Jeito" quebrou mais essa barreira na trajetória da artista. O trabalho conta com as participações de Thiaguinho, de quem já era amiga, e Teresa Cristina, com quem Maria Rita sempre quis trabalhar. 
"Eu só queria muito cantar com ela, não sei explicar. Eu a acompanho, estávamos em vários grupos em comum. Ela tem um olhar que eu admiro muito, além de amar a voz dela", afirma a cantora, que que "escolheu a dedo" os convidados para o disco, pois "tinha que ser alguém que entendesse o que a música passa". O resultado da união das cantoras foi a faixa "Canção da Erê Dela", que traz o tema da intolerância religiosa. 
Religiosidade
Maria Rita é candomblecista, mas conta que já respeitava a religião muito antes de conhecê-la melhor. Por isso, sempre teve receio de cantar sobre sua fé. "Muito antes dos orixás me acharem, eu já tinha essa proximidade, esse respeito, essa curiosidade... Mas em um primeiro momento, fiquei receosa de cantar sobre, foi uma conversa muito longa", explica a cantora, que revela que desde 2017 já recebia muitas músicas que falavam de religiosidade.
A artista conta que recebeu autorização para se expressar em forma de música. "Mas por outro lado, eu tive autorização pra cantar essas músicas desse jeito, falar desse jeito. Tudo está sendo muito bem recebido pelos meus irmãos de fé, isso pra mim é tão maior do que qualquer coisa que eu já fiz, é concreto", diz.
Repercussão
E a cantora está feliz da vida com a repercussão da chegada do EP "Desse Jeito". "Eu já estou sem ar com essa receptividade. Acho que ele (o EP) vai contar uma história maior do que eu estava esperando. Sinto que ele vai trazer muita coisa de muito poder pra muita gente, não só pra mim. Por mais curtinho que ele seja, é um tiro curto, mas de muito poder".
E será que vem turnê por aí? "Estão me pedindo turnê, eu jamais imaginei que fossem me pedir turnê", diz Maria Rita, sem revelar se vai atender ao pedido.
Reportagem da estagiária Rebecca Henze sob supervisão de Tábata Uchoa