Controle dos jogos nas mãos dos menores
Controle dos jogos nas mãos dos menoresDivulgação
Por O Dia
Rio - Crianças com o controle dos jogos nas mãos, em frente a vídeo games, celulares e games de mão. Esta cena se tornou ainda mais comum com a pandemia e o isolamento, afinal foi quase impossível encontrar formas de entreter os pequenos fora do ambiente virtual e tecnológico. Mas, se por um lado não há muito o que fazer para mudar essa dinâmica, por outro é preciso ficar atento a detalhes que podem transformar a brincadeira em um problema.

Para o psicólogo Douglas Bianchi dos Santos, coordenador do curso de Psicologia da Anhanguera Niterói, embora os jogos e outras formas de entretenimento virtual estejam cada vez mais presentes em nossa sociedade, vídeo games, celulares, tablets e computadores são instrumentos que devem ser utilizados sob orientação e vigilância dos pais. “As indicações que podemos fazer atualmente são sugestões que variam conforme a realidade de cada família. Mas ressalto que quem deve regular o tempo é o responsável. Porém, entendo que o tempo é excessivo quando não ocorre mais interação com os próprios membros da família ou comunidade”, enfatiza.
Além do tempo, muitos pais – especialmente os não familiarizados com jogos – ficam confusos em relação ao que os filhos podem ou não jogar, sobre o que é ou não para uma determinada faixa etária. "Sim, é importante seguir esta classificação. Não respeitar isso pode sujeitar a criança a vivenciar realidades de sofrimento, violência e acessar informações que, sem a supervisão do responsável, podem provocar na criança medos, insegurança e ansiedade. A classificação indicativa funciona como uma margem de segurança”, esclarece Douglas.

Sobre a classificação dos jogos, Bruno Campagnolo, coordenador dos Cursos de Jogos Digitais da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), explica que a classificação indicativa funciona de maneira similar às dos filmes e séries. “Violência, por exemplo, é um tema que não pode ser usado de nenhuma maneira com os pequenos. Além disso, também se deve considerar o público-alvo. Crianças de 6 anos, por exemplo, são diferentes de crianças de 10, e têm referências bem diferentes”, diz. Entretanto, Campagnolo alerta que a classificação indicativa, como o próprio nome diz, apenas indica. Ou seja, deve ser uma informação consumida pelos responsáveis e interpretada da melhor forma, mas quem vai definir se o filho deve e pode ou não jogar são os responsáveis. “Muitas vezes, um jogo com certa classificação para maiores, pode ser jogado por uma criança se tiver o acompanhamento e a contextualização dos pais. Para entenderem melhor sobre o assunto, recomendo aos pais a leitura do IARC (International Age Rating Coalition), que é um ótimo instrumento utilizado para a autoclassificação, inclusive no Brasil”. Outro cuidado fundamental é que evitem os jogos que têm a comunicação com outros usuários como ponto-chave do jogo - ou limitem a comunicação. “É difícil ficar atento a todos os diálogos que o filho vai se envolver durante o jogo“, complementa.

A também psicóloga Flavia Davanzzo dos Santos levanta outra questão importante: o uso excessivo dos videogames pode ocasionar insônia, perda de habilidades sociais, irritabilidade, mau comportamento e queda no desenvolvimento escolar. “Deve-se atentar para que não se torne um vício, ficar alerta se o jogo não está afetando as outras atividades das crianças e a saúde geral (como perda ou ganho de peso ou ciclo do sono). Vale ressaltar que, em 2018, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu a compulsão por jogos como um distúrbio de saúde mental na classificação internacional de doenças”, alerta. Além disso, avalia, crianças que já foram diagnosticadas como ansiosas, hiperativas ou até mesmo depressivas deveriam ficar longe desses jogos. “As habilidades sociais dessas crianças normalmente precisam de uma atenção redobrada. E como os jogos acabam, de alguma forma, alterando as habilidades sociais, afastá-las, ainda que inconscientemente, do convívio social com outras pessoas seria um contra-indicativo”, conclui.
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De olho na postura
Controlar uma criança em relação ao videogame já é algo difícil, mas em tempos de pandemia, mais ainda. É preciso estar atento não apenas aos riscos de hackers ou pessoas mal intencionadas que possam conversar com os pequenos enquanto jogam. A postura, sim, também deve ficar na mira dos pais e responsáveis. Para Emerson Garms, coordenador de Ortopedia do Hospital Santa Catarina, algumas orientações devem ser seguidas para uma brincadeira sem danos, como colocar um apoio adequado para as costas e cabeça e, de preferência, uma almofada com colo para apoiar o celular ou videogame; fazer pausas no jogo, pois muitas horas sem parar podem levar a dores crônicas, principalmente nas costas; e praticar atividades físicas nos intervalos ou como alternativa ao jogo online.
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“Há, ainda, o risco de desenvolver LER (Lesão por Esforço Repetitivo), principalmente nos punhos e mãos (tenossinovites), por conta dos movimentos repetitivos em excesso. Sugerimos no máximo uma hora de jogo direto, e, se exceder esse tempo, que haja intervalo de 30 minutos entre um jogo e outro, no mínimo. É importante lembrar, também, que videogame em excesso pode causar alterações de hábitos alimentares, como perda de apetite e troca de horários das refeições”, pontua o médico. Já sobre jogos tipo Xbox e Wii, que induzem o jogador a se movimentar o tempo todo, Garms diz que, se forem utilizados sem excessos, podem, sim, ser benéficos, pois estimulam movimentos, se tornando bons exercícios.

O também médico Juliano Fratezi, especialista em coluna e membro da Sociedade Brasileira de Coluna (SBC) e da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), esclarece, ainda, que passar muitas horas jogando pode levar as crianças a apresentarem dores na cervical e na lombar, mesmo com 9, 10 anos de idade, situação que não era vista há algum tempo. “A partir de 30 minutos em uma posição inadequada, o corpo humano já sente os efeitos dessa sobrecarga. Em tempos de pandemia, no qual o isolamento é necessário e o videogame acaba sendo o escape de muitas crianças e adolescentes - ainda mais com aulas virtuais -, um jeito é indicar a necessidade de pausas dentro desse período, para que eles alonguem o corpo e mudem de posição”, complementa. E mais: além das dores na coluna, pode ocorrer, ainda, algum tipo de desconforto respiratório devido à pressão sobre a caixa torácica exercida pela má postura.
Em tempo: mais importante que apenas se basear na classificação etária, é que os pais joguem com seus filhos e conheçam os jogos. “O vídeogame não é babá, mas um artefato artístico, cultural, interativo, e bem mais interessante e efetivo do que deixar uma criança passivamente na frente da TV, assistindo jornal ou novela fora de sua faixa etária. Mas mesmo sendo um bom divertimento para as crianças, é necessário que os pais conheçam o que seus filhos estão consumindo e contextualizem as situações do jogo”, conclui o coordenador da PUCPR.
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Controle necessário
Além do controle dos pais visando a saúde e segurança dos filhos em relação aos que estão consumindo por meio de jogos, há outro problema bastante comum que essa nova realidade trouxe para as famílias: uso de contas bancárias e cartões de crédito por meio de dados passados pelas crianças para estranhos e a invasão de hackers por meio programas que os pequenos baixam sem saber. Por isso, é fundamental educar e manter o diálogo com os menores para que surpresas não aconteçam.
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Pensando nisso, a ESET, empresa especializada em detecção proativa de ameaças, junto com sua iniciativa DigiPais, dá algumas dicas sobre o que os pais podem fazer para assegurar as melhores práticas na hora de jogar:
1. Comprar os jogos: baixar os títulos mais recentes gratuitamente pode ser tentador, mas apresenta um risco significativo. Links diretos ou torrents para "versões gratuitas" de jogos populares geralmente levam a arquivos infectados. Nesse sentido, paciência é fundamental. Existem datas especiais, como a Black Friday, em que as ofertas especiais podem aparecer. Além disso, são várias as fontes confiáveis que tornam os jogos lançados recentemente, mas usados, mais acessíveis.
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2. Atualizar e corrigir: seja jogando em um smartphone, tablet ou computador de alta potência, os jogadores devem manter seus dispositivos atualizados o tempo todo. Isso se aplica ao sistema operacional, a plataforma do videogame (como Steam ou Origin), aos próprios jogos, bem como a todos os outros programas, como mecanismos de pesquisa.

3. Usar uma solução de segurança: os dispositivos de jogos devem ser protegidos adequadamente com uma solução de segurança confiável, capaz de detectar e bloquear ataques maliciosos, identificando links maliciosos e eliminando malwares que desejam entrar no sistema a todo momento. Também não há necessidade de se preocupar com atrasos ou interrupções durante o jogo, já que muitas das soluções atuais incluem um modo de jogo para evitar esses aborrecimentos.

4. Usar senhas fortes e 2FA: ataques de força bruta a senhas são algo em que os invasores se especializam. Portanto, usar senhas longas e fortes pode fazer uma grande diferença. Os gerenciadores de senhas também podem ajudar os jogadores a se protegerem melhor, permitindo que eles gerem e armazenem com segurança todos os seus passwords em um só lugar. Os usuários também devem ativar a autenticação de dois fatores sempre que possível, pois isso bloqueará as tentativas de login, mesmo se os invasores conseguirem adivinhar a senha.
5. Não trapacear: os cheats podem simplificar o jogo, mas também podem arruinar a experiência de outros jogadores e expô-los a várias ameaças.
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6. Evitar ofertas suspeitas: se algo parece bom demais para ser verdade, provavelmente é. Muitos jogadores já foram atraídos para armadilhas que prometiam jogos grátis ou itens especiais, e então tiveram que pagar o preço desse golpe.
7. Escolher jogos apropriados para a idade: os adultos devem agir como guardiões na escolha de um espaço seguro para brincar para a criança. Encontre conselhos sobre o que é apropriado para cada idade em fóruns e recomendações de especialistas.