Luana XavierDivulgação/Jorge Bispo

Rio - Luana Xavier revelou ser uma artista multifacetada ao longo deste ano, quando estreou no time de apresentadoras do "Saia Justa", no GNT, ao lado de Larissa Luz, Sabrina Sato e Astrid Fontenelle. No Dia da Consciência Negra, celebrado hoje, a atriz de 35 anos abre o jogo sobre o momento que vive, conciliando os trabalhos na televisão com novos projetos para diferentes plataformas de streaming.
"Primeiro de tudo, eu tenho que dizer que estou realizando um sonho não sonhado com o 'Saia Justa', pois nunca imaginei que eu pudesse estar nesse sofá como apresentadora", declara. Luana já havia participado do programa, em dezembro de 2021, quando conversou sobre religião e liberdade sexual com as então apresentadoras Pitty, Gaby Amarantos e Monica Martelli, além de Astrid, que segue no comando da atração.
Desde março deste ano, a artista enfrenta o desafio de participar semanalmente do 'Saia Justa', onde compartilha suas opiniões sobre temas em alta na sociedade. "Tudo que a gente faz nessa vida tem prós e contras. Os prós são todos os conhecimentos que estou adquirindo, trocando e dividindo ali, pois falamos de muitos assuntos polêmicos e importantes para nossa sociedade. Agora, o contra é o tal do cancelamento, né, minha gente? Porque você está num programa ao vivo, toda semana, onde você emite sua opinião. A gente corre riscos, pois estamos nos expondo", avalia.
Representatividade
Cria de Sepetiba, bairro da Zona Oeste do Rio, Luana entende bem o papel que tem na hora de conversar com as "colegas de sofá", além dos convidados que vão de Taís Araújo e Claudia Raia a Marcos Mion e Bruno Gagliasso. "Eu sempre acabo trazendo um recorte racial, mas o mais importante a se pensar sobre tudo que eu coloco é a questão da interseccionalidade", explica.
"Não é só uma mulher falando, é uma mulher negra. Uma mulher negra do subúrbio carioca. Uma mulher gorda, então, eu falo sobre essa questão do corpo, da perspectiva de uma mulher gorda na sociedade. Uma mulher de axé -- eu sou de religião de matriz africana, sou sacerdotisa de umbanda", comenta a artista, que, atualmente, coordena o terreiro deixado pela avó, a atriz e ialorixá Chica Xavier, que morreu em agosto de 2020, vítima de câncer de pulmão.
"Todos esses atravessamentos compõem a minha fala no 'Saia', e eu preciso dizer que, muitas vezes, acaba sendo um fardo. Porque, para mim, é uma questão de sobrevivência trazer recorte racial principalmente, mas, ao mesmo tempo, tem uma cobrança das pessoas que me acompanham nas redes sociais e que me conheceram através do programa. Elas esperam que eu traga esse recorte e, às vezes, é um papo em um dia específico que eu estou querendo rir e me divertir, mas acaba tendo essa responsabilidade também. Mas, como eu já entendi que essa responsabilidade faz parte do meu trabalho, eu tento levar da melhor forma possível", destaca.
Arte no sangue
Além de herdar o legado religioso da avó, Luana também segue o caminho artístico de Chica Xavier, que teve papéis marcantes em novelas como "Sinhá Moça" (1986) e "Renascer" (1993), ambas da TV Globo. Apesar de carregar o sobrenome forte da matriarca, a atriz dispensa comparações e reforça sua admiração por uma das maiores artistas do Brasil.
"Eu tenho que ser muito sincera em dizer que eu achei que teria um peso grande em ser neta de Chica Xavier, mas eu acho que tem muito mais uma autocobrança minha por ser neta dela. O que eu recebo das pessoas é o contrário disso, é sempre uma admiração. Tenho muito mais a satisfação e plenitude em ser herdeira dela na carreira artística do que cobrança ou peso. Então, tem sido muito bom encontrar as pessoas e elas descobrirem que eu sou neta dela, isso tem aberto muitas portas, pois as pessoas estão muito mais disponíveis para me ouvir quando sabem que sou neta dessa figura tão importante", revela.
"E minha avó me inspira na altivez e ao mesmo tempo na leveza. Todos os personagens da minha avó sempre trouxeram essa aura materna, essa coisa do afeto, do amor, do carinho, de sempre ter uma palavra de resiliência. Eu tento trazer um pouquinho dessa doçura, mas estou muito longe de conseguir alcançar a magnitude de Chica Xavier", completa a atriz.
Multitelas
Com carreira marcante no teatro, Luana Xavier fez sua primeira novela em 2017, quando homenageou a avó Chica com a personagem Neide, de "Sol Nascente", na TV Globo. Antenada ao mercado audiovisual, a atriz se lançou em projetos no streaming, como foi o caso da comédia "Barba, Cabelo e Bigode", da Netflix, e a série do Star+ "Não Foi Minha Culpa", que aborda diferentes tipos de relacionamentos abusivos e violência contra a mulher.
Em breve, a carioca estará em mais uma plataforma com "Novela", série produzida pelo Amazon Prime Video, com Monica Iozzi, Miguel Falabella e Marcello Antony. "O streaming tem trazido novas possibilidades, a gente está conseguindo contar novas histórias, histórias densas, divertidas. Tanto 'Barba, Cabelo e Bigode' quanto 'Novela' são produções divertidíssimas, leves e que a gente está precisando também. A gente precisa debater muitos assuntos importantes e necessários na sociedade, mas a gente também precisa rir. Porque a gente está vivendo tempos de trevas, tempos muito difíceis, então, a gente precisa rir. A leveza que essas duas produções trazem são sensacionais", garante.
"A Marta, minha personagem na série 'Novela', é uma mulher altiva, meio turrona, é uma mulher preta comandando uma produtora executiva dentro de uma emissora de TV, então ela tem uma responsabilidade muito grande, mas ela se diverte muito com o personagem do Miguel (Falabella), eles riem um bocado. Ele é o cara que consegue fazê-la se tornar mais maleável, consegue fazer com que ela mude um pouco as ideias e tal, mas eles precisam fazer uma produção, uma novela acontecer, só que tem muitas peripécias ali no meio, muitas reviravoltas que vão pro lugar do sobrenatural", adianta a atriz sobre a trama, ainda sem data de estreia.