preta, preta, pretinha (continuação)

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Por O Dia

"Surpresa é coisa séria, teve um ano que a Ludmila foi vestida de palhaço com um grupo de amigos sem eu saber, atravessou a multidão e subiu no trio pra cantar. Essas coisas só acontecem no Bloco da Preta, e eu quero mesmo é me surpreender", brinca a cantora.

Cria do Carnaval

Representante de vários ritmos, Preta tem sua própria percepção do que é o Carnaval. "Fui criada na Bahia e também no Rio, onde nasci e voltei aos cinco anos. Desde sempre temos o hábito de ir para Salvador, mas também de ver os desfile das escolas. Ou seja, sou mesmo PhD na folia, meu coração é samba e axé, mas também é frevo, é forró, funk…", brinca a cantora, que faz um paralelo entre as duas principais festas do Brasil.

"Acho que o Rio tem a cultura do samba em suas entranhas, ela se espalhou, mas foi no Rio que a magia do samba e das escolas ganhou força. Acho que blocos de Bate-bola e Clóvis só têm por aqui também, mas o Carnaval do Brasil é uma enorme colcha de retalhos que uma coisa se parece com a outra", explica.

Sororidade

Dentre as muitas características de Preta, um detalhe que sobressai sobre sua personalidade é seu lado solidário. Essa vertente pôde ser vista pelo público no ano passado, quando a cantora Lexa foi vítima de um golpe e não conseguiu desfilar com seu trio em São Paulo. Na ocasião, Preta convidou a cantora para o seu próprio trio e ajudou a colega a fazer a festa que tinha sonhado.

"Na hora em que eu soube do drama da Lexa, não pensei em outra coisa: meu microfone seria dela e de todos os seus convidados. Foi lindo, ela apareceu com uma galera e cantamos todos juntos. A música é uma família, sabemos as dores e as delícias de ser mulher e literalmente colocar um 'bloco na rua'", lembra Preta, que faz coro à união feminina.

"Sororidade é uma palavra que, graças a Deus, está saindo do dicionário para a boca das mulheres. Temos que nos unir, não só as mulheres, mas todos que queiram um mundo mais justo e equilibrado. Compete quem quer tomar o lugar do outro, mas isso é ilusão, pois ninguém jamais será igual a ninguém", defende.

Liberdade

Os preceitos feministas seguidos por Preta vão ainda mais além. Musa do empoderamento feminino, a cantora comemora a crescente liberdade conquistada pelas mulheres tanto na forma de curtir quanto na hora de se vestir.

"Mas qual espaço deveria ser mais democrático para as pessoas serem o que elas são do que no Carnaval, debaixo de um calor de 40 graus? Chegamos a uma época que não existe mais espaço para sofrer com a sua própria realidade. O corpo está cada vez mais livre, precisamos evoluir e respeitar o outro", argumenta a cantora, que mesmo fora dos padrões arcaicos de beleza, não hesita em postar fotos de biquínis encorajando outras mulheres a se libertarem.

Família do samba

Filha de Gilberto Gil e afilhada de Gal Costa, Preta é fruto de uma família famosa por seus talentos. Como se não fosse o bastante, a cantora encontrou felicidade na família que ela mesma criou. Prestes a completar cinco anos de casamento com Rodrigo Godoy, ela se derrete por sua primeira netinha, Sol de Maria, de 4 aninhos, que, por sinal, puxou à avó e já é apaixonada pela folia.

"Sol de Maria é Carnaval o ano inteiro, amor! Ela vive fantasiada, canta, dança e não nega o sangue que tem. Ela é igualzinha a mim quando criança. Aí você pode imaginar onde é que isso vai parar. Eu estou esquentando o Bloco da Preta para, um dia, deixar para ela. Bloco da Sol! Já imaginou?", se empolga, com orgulho, a vovó Preta.

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