A advogada Ana Paula Belinger esclareceu fakenews em video no Instagram - Reprodução redes sociais
A advogada Ana Paula Belinger esclareceu fakenews em video no InstagramReprodução redes sociais
Por O Dia
“Com essa roupa curta, ela queria o quê?”, “Ela não soube segurar o casamento”, “Ruim com ele, pior sem ele”, “Seu filho não passou de ano porque você não foi boa mãe”, “Subiu na vida porque é bonita”, “Ela é assim porque é mal-amada”. Comentários como estes são muito comuns em todo Brasil. Diariamente, demonstrações de que ainda vivemos em uma sociedade preconceituosa se repetem e todos fazem vista grossa aceitando estas práticas com naturalidade.

Na última semana, tivemos dois exemplos que reforçam o diferente tratamento dado para homens e mulheres: a acusação contra a jovem advogada carioca Ana Paula Belinger, de manter um relacionamento com o ex-técnico do Flamengo Jorge Jesus e o suposto vazamento de fotos íntimas do cantor Tiago Iorc na internet. Mesmo sem relação direta, as duas situações têm um ponto em comum: a interpretação e o julgamento machista da nossa sociedade. A culpa é sempre da mulher!

No caso do vazamento de imagens íntimas de Tiago Iorc, a reação nas redes sociais foi para exaltar as características físicas “positivas” do artista. Elogios e “memes” pipocaram em nossos celulares fazendo do jovem artista um herói, um invejado predador sexual. Já no incidente de Ana Paula, foram muitos os julgamentos pejorativos, tanto na imprensa brasileira e portuguesa, como também, no “tribunal da internet”, que condenou a jovem como oportunista e interesseira, responsável pela saída do treinador do time carioca. Foi preciso que a advogada, após violentos ataques e comentários maldosos, fizesse um desabafo no Instagram contando sua difícil trajetória de vida, superação e negando as acusações. Antes de julgar, precisamos entender que toda história tem dois lados.

Mais uma vez, raivosas vozes da sociedade machista falaram mais alto. Em pleno século XXI, este tipo de postura ainda é mais comum do que pensamos e provas disso ocorrem a todo o momento em nossas casas, na escola e, principalmente, nas redes sociais onde as pessoas, escondidas atrás das telas, sentem-se encorajadas para fazer piadas e brincadeiras de cunho sexual com a imagem da mulher.

Até quando a mulher será vítima de preconceito e tratada como objeto? Até quando a mulher ganhará menos exercendo a mesma função do homem no mercado de trabalho? Até quando mulheres serão vítimas de agressões e assédios pelo Brasil? Precisamos dar um basta no preconceito e no comportamento machista que diminui o papel da mulher na história. Esta mudança comportamental só será possível com a união de todos e o abandono de velhas práticas. Não será do dia para a noite, mas a nossa luta começa agora e dentro de casa. Construir um mundo melhor está em nossas mãos. Aproveitemos este momento de retomada da vida após a pandemia para mudarmos o mundo de fato, com mais entendimento e solidariedade. Denunciem todo e qualquer tipo de preconceito. Mulheres, não podemos calar a nossa voz!