Kamala Harris, eleita a primeira vice-presidente mulher e negra dos Estados Unidos - Reprodução internet
Kamala Harris, eleita a primeira vice-presidente mulher e negra dos Estados UnidosReprodução internet
Por O Dia
O Dia da Consciência Negra é uma data que marca uma mobilização mundial pelos direitos deste povo que é maioria nacional, 56% da população brasileira, mas também é o que mais sofre com a desigualdade social.

E para as mulheres negras não existem muitos motivos para comemorar. Elas precisam lidar diariamente com feminicídio, violência doméstica, preconceito na sociedade e no mercado de trabalho e é claro, o racismo explícito que ainda precisa ser combatido. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostraram que em 2019, cerca de 66% das mulheres vítimas de feminicídio eram negras. Isso mostra maior vulnerabilidade e que precisamos de mais ações para mudar esse quadro.

Existem aquelas mulheres que lutam diariamente por mais ações, como Ivone Ferreira Caetano, mulher negra que trabalhou como vendedora de alho e manicure antes de se tornar a primeira juíza e desembargadora negra do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro). Ela foi a inspiração para a criação da Medalha Rosa Negra pela OAB-RJ.

- O racismo é um câncer e ele atinge qualquer parte da sociedade. O dia que o racismo acabar nesse país, nós iremos caminhar muito melhor. E digo mais, o racismo é tão sério que as vezes ele envolve o próprio segmento negro. Ele é tão sério que muitas pessoas que pensam que não têm racismo, muitas vezes têm o racismo inconsciente - explica Ivone.

Nos últimos dias o mundo voltou as atenções para outra mulher negra de grande destaque, Kamala Harris, eleita a primeira vice-presidente mulher e negra dos Estados Unidos. Ativista na defesa de políticas públicas para mulheres e crianças e também na luta contra o racismo estrutural no país, ela é filha de imigrantes e se tornou uma esperança para mudar esse cenário no mundo.

- Penso nas gerações de mulheres, negras, asiáticas, brancas, latinas, índias, que ao longo da história da nação abriram o caminho para este momento. Incluindo as mulheres negras, que são tantas vezes olhadas de lado, mas que tantas vezes provaram que são a espinha dorsal da nossa democracia - disse Kamala em um dos seus discursos.

Nós mulheres somos a mudança em si, por isso é tão importante educar e conscientizar nossas gerações futuras. Mães como eu têm a responsabilidade de ensinar para nossos filhos o quanto o brilho no olhar, a força do amor, o pensar, o andar juntos são importantes independe da cor, raça, gênero e classe social.

“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar.”

(Nelson Mandela)